sábado, 21 de março de 2009

Cuidado com a debandada

Que o momento do Flamengo não é bom é surpresa para ninguém. Com graves problemas financeiros e salários atrasados, o clube praticamente se vê obrigado a se desfazer de alguns jogadores para cortar gastos.

Como muitos jogadores não estão fazendo a diferença ultimamente e já são até perseguidos pela torcida, muitos vêem uma debandada no meio do ano, quando a janela européia se abrirá, como algo natural; Bruno, Léo Moura e Juan já parecem ter sido sondados por clubes internacionais e tem gente que dá graças a Deus por eles estarem saindo. Porém, é preciso tomar muito cuidado com as possíveis vendas a serem feitas.

Jogando bem ou não, o Flamengo ainda tem um dos melhores elencos do país, que permite ao seu torcedor sonhar com uma temporada decente. Uma debandada geral faria com que o nível da equipe caísse absurdamente, justo quando o rubro-negro carioca voltava a formar uma equipe capaz de lutar por títulos nacionais.

É muito importante analisar bem cada caso. Por exemplo, a saída de um ou outro volante ou zagueiro não seria tão maléfica ao time, pois a equipe já dispões de inúmeras peças para essas posições. Porém, a saída de muitos jogadores de um só setor ou daqueles carentes (como o ataque) pode enfraquecer ainda mais a equipe.

Um exemplo disso é o trio Kléberson, Jonatas e Ibson. Volantes de qualidade, nenhum dos três vive bom momento; o segundo mal é reserva e o terceiro não possui uma boa seqüência de jogos desde o ano passado, tendo enganado ao fazer umas apresentações muito boas no final do Brasileirão, principalmente quando fez 3 gols no Palmeiras na vitória por 5 a 2. Como o primeiro nunca rendeu o esperado na Gávea e os dois últimos estão emprestados, talvez fosse uma ótima ideia se livrar dos três e ver a folha salarial do elenco reduzida consideravelmente. Porém, a saída dos três deixa o time sem aquele jogador que ajuda na marcação e sabe sair bem para o jogo, sendo o elo da defesa com o ataque; concordo que manter todos no momento é um absurdo, mas pelo menos um deve ficar, para que não se perca essa peça importante que pode fazer a diferença em jogos mais duros.

Muitas vezes, principalmente nos momentos de maior irritação, quando se reclama da falta de amor a camisa e logo se remete ao passado, falam em apostar na base, enchendo o time de jogadores provenientes de lá. Porém, essa também é uma opção muito arriscada: além dos bons nomes que surgiram nas categorias de base do Fla já terem sido vendidos (como Pedro Beda, Fabricio e Michel), o clube não vem se destacando muito na formação de talentos; por exemplo, as últimas participações na Copa São Paulo de Juniores foram apagadas. E ainda há a possibilidade de queimar os garotos, que entrarão cedo demais e correm o risco de sentir a pressão; se Juan, hoje zagueiro da Roma e da Seleção, teve sua carreira ameaçada por isso, imagine outros jogadores de nível inferior?

Se a reposição for necessária em caso de saída, ou ela será mal feita ou será montada com loucuras como a que Kléber Leite fez ano passado após perder Renato Augusto, Marcinho e Souza; exatamente o que o Flamengo não precisa no momento. Então, que os dirigentes avaliem bem as propostas para que o clube reduza seus custos, o nível da equipe não caia assustadoramente e o rebaixamento não volte a figurar no vocabulário rubro-negro.

2 comentários:

Marcos Antônio Filho disse...

é o Flamengo no meio do ano vai virar um balcao de negócios. Esse ano com certeza a gente luta pra não cair e o Cuca não termina no final do ano. É, vamos voltar as vacas magras...

Thiago Madureira disse...

Caro Leandrus,
O Flamengo é um clube conhecido por revelar grandes jogadores. A partir do momento em que o clube vende os jogadores da base sem ao menos utilizá-los no time principal é porque a situação está crítica.
Abraços...