terça-feira, 10 de novembro de 2009

Parabéns, mas o trabalho não pode parar


No momento, não há outra coisa a se fazer a não ser parabenizar o Vasco pela promoção à Série A do futebol brasileiro. Embora tenha sido alvo de muitas críticas – exageradas, até – quando o time ficou um bom tempo sem achar o caminho do gol na Segundona, a equipe sobrou na competição. A subida para a Primeirona a quatro jogos do fim do campeonato ainda coroou um ano acima das expectativas para o clube: além de fazer o seu papel na Série B, teve ótima participação no Carioca para quem tinha o elenco mais fraco dos quatro grandes e chegou a semifinal da Copa do Brasil, sendo eliminado pelo Corinthians após dois empates em jogos duríssimos contra o campeão do torneio.

Mas não basta parabenizar apenas a instituição Vasco: o presidente Roberto Dinamite e os demais dirigentes também merecem ser elogiados. Apesar de algumas turbulências no meio do caminho – os salários dos funcionários, por exemplo, estão atrasados -, conseguiram fazer um excelente trabalho fora de campo no processo de mudança da diretoria; dessa maneira, foram peças fundamentais para colocar o Vasco de volta aos trilhos.

Carlos Alberto calou os críticos e este blogueiro ao liderar o Vasco na campanha vitoriosa da equipe em 2009. Méritos aos dirigentes do clube, que arriscaram e confiaram no seu potencial, e para o jogador, que aos poucos volta a ganhar credibilidade no futebol brasileiro

Porém, os mesmos devem entender que as tarefas ainda não acabaram. Muito pelo contrário. Se o Vasco deseja sonhar com vôos mais altos e não quer nem pensar em lutar para não cair no ano que vem, precisa começar a se mexer desde já. Não só para manter um clube mais organizado, mas também para armar uma equipe de melhor qualidade.

E para que isso aconteça, a primeira coisa que deve ser feita é manter Dorival Júnior no cargo. Sem um grande elenco em mãos e com pouco dinheiro para contratar, o técnico fez um trabalho brilhante e provou que é um dos mais promissores da área, além de mostrar que merece dar continuidade a um trabalho até agora muito frutífero. Foi tão bem que, a não ser que Andrade leve o Flamengo a um antes improvável título do Brasileirão, merecerá o prêmio de melhor treinador do Rio neste ano.

Porém, vamos ser sinceros: este elenco não faria tão bonito na Primeirona. É do tipo bom, bonito e barato, mas não tem tanta qualidade para disputar uma competição mais forte – é verdade que deu trabalho ao Timão na Copa do Brasil, mas vamos nos lembrar de que pontos corridos é diferente do mata-mata. Provavelmente ficaria brigando no meio da tabela, e com alguma sorte surpreenderia tanto quanto o Avaí nesse ano.

É por isso que acredito que a diretoria esteja certa quando diz que pretende contratar 11 jogadores; parece exagerado, mas o clube precisa mesmo de reforços. Alguns reservas não parecem ter pique para aguentar a Série A, enquanto alguns titulares tem mais cara de reserva para uma competição do tipo.

E nesse quesito a diretoria vascaína certamente terá muito trabalho. Isso pode ser comprovado quando se percebe o esforço que os dirigentes terão de fazer para manter a base da equipe: Fernando Prass, Paulo Sérgio, Ramon, Nilton, Carlos Alberto e Élton. A maioria destes estão emprestados e os donos de seus passes estão doidos para vendê-los. Pelo menos a equipe poderá contar em 2010 com dois bons jogadores que, por causa de contusões, pouco foram utilizados na Série B – Jéfferson e Rodrigo Pimpão.

Com o primeiro passo dado para um bom 2010, resta ao clube manter os pilares do elenco de 2009, se reforçar e refletir o (pouco) que deu errado nesse ano para que o Vasco não volte a pensar em segunda divisão no ano que vem. Além disso, será essencial não cometer loucuras no momento de contratar, para que as finanças do clube, que não são nenhuma maravilha, não se desequilibrem num momento tão crucial.

Foto: esportes.terra.com.br

domingo, 1 de novembro de 2009

Um retrato perfeito da temporada


E tivemos hoje, na F-1, o GP dos Emirados Árabes, em Abu Dhabi. Última corrida do calendário, a prova foi um retrato fiel, um digno grand finale da temporada que vimos em 2009: monótona, sem emoção alguma na pista, com raríssimas ultrapassagens e decidida na largada e nas primeiras voltas. Exatamente como vimos durante quase todo o campeonato.

Não bastasse as brigas por causa do difusor duplo e do regulamento, duelos desiguais entre a turma dos que tinham Kers e a dos que não tinham, montadoras abandonando o barco e deixando pilotos sem pai nem mãe, a ameaça de retirada de equipes tradicionais da categoria e até mesmo escândalos do passado sendo descobertos, tivemos que suportar corridas chatíssimas como essa em Abu Dhabi. Ou seja: vimos tudo aquilo que nos faz esquecer todos esses problemas fora da pista que temos que aguentar praticamente não existir. É como se o indivíduo que quisesse afogar suas mágoas não encontrasse um mísero amigo em casa ou visse todos os bares fechados em pleno fim de semana.

Foi vendo essa corrida e fazendo a retrospectiva da temporada que pensei: de que vale, então, passar por todos esses problemas para continuar promovendo GPs se elas se tornam cada vez mais verdadeiras procissões? Para que continuar a ter orçamentos exorbitantes a serem investidos no desenvolvimento de carros, orçamentos esses de valores inimagináveis há 15 anos? Para que isso se os carros cada vez mais não permitem uma única ultrapassagem? Para que tirar provas de circuitos clássicos para colocá-las em lugares sem tradição alguma no automobilismo, onde se gasta uma nota preta para criar pistas caríssimas e extremamente fascinantes visualmente, se as provas lá disputadas são um verdadeiro fracasso, quase sem pontos de ultrapassagem e desafios aos pilotos?

Foi difícil fazer corrida boa com isso aí em 2009...

Uma nota aqui: o povo quer ver corrida, não que os carros passam por cima de uma ponte, que a corrida começou de dia e terminou a noite ou como os iates são bonitos.

Pois é, para mim, manter campeonatos monótonos como o de 2009 não faz sentido. Sim, achei monótono mesmo. Pode ter sido muito legal ter visto a tal inversão de valores, quatro pilotos disputando o título, diferentes vencedores e pilotos chegando ao pódio, veteranos renascendo e um desacreditado ganhando um título, mas se houve sensação de emoção ou de um campeonato fora de série, como disseram na transmissão da corrida hoje, ela foi falsa. Na pista, não vi nada mais do que provas decididas nas largadas – se não nos treinos – ou então nos boxes. Brigas como a que tivemos hoje entre Button e Webber foram poucas. Bons momentos em provas, só lembro de ter visto na Austrália, Malásia, Bélgica – a melhor da temporada -, Itália e Brasil. A da Espanha pelo menos foi tensa demais. E pode ser que eu esteja forçando nesse rápido levantamento.

Espero mesmo que as coisas melhorem no ano que vem. Que tenhamos um campeonato equilibrado não só na tabela de classificação, mas também na pista. Gente tentando ganhar a primeira posição no braço, não largando mais pesado ou economizando combustível para assumir a liderança nos boxes. Elogiar pilotos não só por terem feitos provas consistentes e terem virado rápido o tempo todo mas também por terem sido arrojados. E que um dia os chefões da F-1 se reunissem e bolassem uma maneira de tornar as corridas mais atraentes. Mesmo que isso significasse a saída ou a modificação brusca de alguns circuitos “Tilkeanos” e menos dinheiro no bolso.

Mas India e Coréia vêm aí. E para Bernie Ecclestone, emoção na pista se resolve com a implantação do sistema de medalhas. Talvez meus desejos fiquem só no sonho mesmo. Ou então já estou ficando ranzinza demais e devo pensar em ver as corridas com uma carga de estresse menor...

Foto: www.gpupdate.net

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Novos protagonistas?


Foi só chegar a reta final do Brasileirão que várias pessoas começaram a fazer previsões para as últimas rodadas pegando a tabela de alguns times – eu mesmo fiz isso com Cruzeiro e Flamengo recentemente. Uns acham legal e curioso fazer isso, outros acham uma verdadeira bobagem, já que o melhor é esperar os jogos acontecerem e as surpresas aparecerem.

De certo modo, concordo com ambas as opiniões. Mas ainda assim dei uma olhada na tabela de vários clubes e constatei que há dois que poderão ser a pedra no sapato dos seis times que brigam pelo título (sim, eu considero o Cruzeiro candidato, embora azarão). Nas próximas sete rodadas, Goiás e Grêmio enfrentarão quatro dos seis que lutam pelo título do Brasileirão. E por isso, poderão decidir o título, “ajudando” ou atrapalhando aqueles que ainda lutam para ser campeão.

Depois de fazer pouco pelo Goiás até agora, pode ter chegado a hora de Fernandão realmente começar a ajudar seu clube. E ajudar ou atrapalhar outros também

A equipe de Paulo Autuori receberá São Paulo e Palmeiras e deixará o Sul para enfrentar Cruzeiro e Flamengo. Já os comandados de Hélio dos Anjos viajarão para jogar contra Palmeiras e Flamengo e disputarão partidas em casa contra Atlético-MG e São Paulo – embora em certas ocasiões a equipe que chega no Serra Dourada como visitante se sinta em casa.

Na verdade, outras equipes farão o mesmo papel das duas equipes citadas acima: o Sport enfrentará quatro das seis equipe deste “G6” e Botafogo, Barueri, Corinthians e Fluminense enfrentarão três. Porém, por causa do momento particular de cada uma destas equipes, não creio que elas serão um grande empecilho para os candidatos ao título, já que não estão entre os adversários mais fortes no momento – alguns são os mais desesperados, isso sim.

Porém, Grêmio e Goiás ainda poderão incomodar bastante. Primeiro, porque o maior trunfo de ambos é que ainda surgem pelo menos como azarões a uma vaga no G4 e provavelmente farão de tudo para conseguir alcançar este objetivo, já que o título parece distante – mais para os gaúchos do que para os goianos. E segundo, porque são difíceis de serem batidos: o Grêmio é fortíssimo em casa, enquanto o Goiás geralmente faz jogos duros – tanto que foi assim que surpreendeu e fez belíssima primeira metade de campeonato.

O que joga contra é que o primeiro tem um desempenho pífio fora de casa (a esta altura do campeonato, se Flamengo e Cruzeiro não vencerem o Grêmio em seus domínios, irão se complicar feio), e o segundo vem tão mal atualmente que, se apenas o segundo turno fosse considerado, estaria na zona de rebaixamento. E o pior de tudo é que o time vem jogando mal no Serra Dourada: lá, não vence desde 27 de setembro. De lá para cá, perdeu para Botafogo e empatou para Sport e Fluminense. Todos na zona de rebaixamento...

Por isso que, como disse no começo do texto, deve-se esperar os jogos para ver quais serão os resultados. Da mesma maneira que podem dificultar a vida de alguns times, Goiás e Grêmio podem não causar empecilho algum aos times do “G6” (desculpe se você achou horrível, mas não achei outro termo melhor). Mas que parecem ser o que mais podem atrapalhar, isso parece ser verdade.

Foto: esportes.terra.com.br

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mais dois na briga


Há dois meses, Marquinhos Paraná e Fierro não sabiam que seus clubes estariam brigando por uma vaga na no G4 e, pasmem, pelo título do Campeonato Brasileiro

Na 20ª rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 20 de agosto, Flamengo e Cruzeiro se enfrentaram no Maracanã. Ambos lutavam por posições intermediárias na tabela, sem muita perspectiva de brigar por uma vaga no pelotão da frente: os cariocas, porque ainda não haviam achado a formação ideal e contavam com vários desfalques; os mineiros, porque não tinham se recuperado da perda da Libertadores. Os visitantes venceram a partida por 2 a 1 e pularam para a 13ª posição, justamente um posto atrás do clube rubro-negro.

11 rodadas depois, o panorama mudou para muito melhor. Flamengo e Cruzeiro conseguiram emplacar uma excelente sequência de resultados positivos e no momento brigam não só por uma vaga na Libertadores como também pelo título da competição. Algo improvável há dois meses, mas agora possível por causa dos inúmeros e incríveis vacilos daqueles que dominavam a parte de cima da tabela.

Enquanto os líderes tropeçavam – caracterizando este Brasileirão como aquele em que ninguém quer ser campeão, Flamengo e Cruzeiro foram se recuperando até chegarem aonde estão. A equipe rubro-negra contou com o bom trabalho feito por Andrade, a ótima fase de Adriano e Petkovic e o reforço no sistema defensivo após as chegadas de Maldonado e Álvaro para vencer os agora concorrentes diretos São Paulo e Palmeiras e assumir a 5ª posição. Já o Cruzeiro aproveitou os reforços que chegaram após a Libertadores e de mansinho acumulou bons resultados para chegar à 6ª posição. Desde aquele jogo no Maracanã, o clube carioca conquistou 22 dos 33 pontos disputados, enquanto a equipe mineira abocanhou 24 dos 36 pontos que disputou.

Estando numa fase tão boa, é preciso saber se ambos terão fôlego para manter o impressionante ritmo mostrado ultimamente. E mais do que saber se Petkovic, Adriano e a coesa equipe cruzeirense irão se continuar rendendo, é importante analisar a tabela para ver se os dois “emergentes” podem sonhar com vôos mais altos no Brasileirão.

No caso do Flamengo, a tabela não foi muito grata: dos próximos 7 jogos, apenas 3 serão em casa. No Maracanã, enfrentará Goiás e Grêmio, que dependendo das circunstâncias poderão estar brigando por uma vaga no G4; fora, irá encarar Atlético-MG, um Corinthians que ninguém sabe como irá se comportar e um Náutico desesperado para deixar a zona de rebaixamento. A sorte é que terá a chance de tirar pontos de concorrentes diretos; porém, esta sorte poderá se tornar azar caso o resultado final das partidas seja negativo.

Já o Cruzeiro terá uma sequência surpreendente tranquila. Além de atuar 4 vezes em casa, só 1 dos 7 times que irá enfrentar está entre os 10 primeiros: o Grêmio, sendo que este jogo será no Mineirão (lembre-se que o desempenho dos gaúchos é pífio fora de seus domínios). De resto, jogos aparentemente fáceis contra Santo André e Fluminense em casa e outros não tão árduos contra Coritiba (também em casa) e Atlético-PR e Santos (fora). O jogo que tem tudo para se tornar difícil é contra o Sport, já que será disputado no péssimo gramado da Ilha do Retiro contra uma equipe lutando contra o rebaixamento.

Ainda assim, não se pode negar que enfrentar 6 clubes na parte de baixo da tabela, a essa altura do campeonato, é excelente negócio. Isso pode fazer até com que seja mais favorito do que o Flamengo para terminar o campeonato na posição dos sonhos de qualquer um. Aliás, mais favorito do que qualquer um, já que nenhum dos outros times que está a frente dos cruzeirenses terá uma tabela tão tranquila quanto a dos comandados de Adilson Batista. Se mantiver a sequência de resultados positivos, o campeão desse Brasileirão pode ser uma zebra...

De qualquer maneira, é preciso esperar para ver o que acontecerá daqui para a frente. Fato é que Flamengo e Cruzeiro conseguiram colocar ainda mais fogo nessa briga pelo título ou por uma vaga no G4.

E depois ainda reclamam que este campeonato não tem emoção...

Foto: www.lancenet.com.br

sábado, 24 de outubro de 2009

Clássico com ares de decisão


No final da temporada passada, o Liverpool goleou o Manchester United em pleno Old Trafford por 4 a 1. Passando por um momento difícil, os Reds correm o risco de sofrer a revanche quando precisam desesperadamente de uma vitória

Esse fim de semana não será um de jogos decisivos apenas aqui no Brasil. No domingo, um grande jogo será disputado em território inglês: Manchester United x Liverpool. Um clássico que ganhou ares de decisão principalmente para o time da cidade dos Beatles.

O começo de temporada não poderia ser mais desastroso para o Liverpool: após 9 rodadas, os Reds se encontram num decepcionante 8º lugar. Está a 7 pontos dos Red Devils, líderes do campeonato. Mas o que apavora e melhor retrata o início vacilante é o número de derrotas: já foi batido 4 vezes na atual campanha – sendo que uma delas foi em casa, para o Aston Villa. Na última temporada, manteve-se invicto em casa e só perdeu 2 vezes na Premier League.

Rafa Benitez tem suas desculpas para explicar o momento ruim do Liverpool – que também vem mal das pernas na Liga dos Campeões. O time, mais precisamente o meio campo, ainda não se encontrou após a saída de Xabi Alonso – Aquilani ainda não estreou, Lucas está apagado e o Manchester City foi mais rápido na tentativa de contratar Gareth Barry, sonho de consumo do técnico espanhol. Fernando Torres, assim como Steven Gerrard, não pôde atuar em algumas partidas, o que é um verdadeiro tormento para o treinador: o abismo de El Niño para Ngog e Voronin é grande.

Ainda assim, o desempenho do Liverpool no momento poderia ser melhor, até porque há elenco para ficar tranquilamente a frente de Aston Villa e Sunderland na tabela. Além disso, Benitez deveria ter considerado a possibilidade de baixas no elenco com melhores ações na janela de transferências. Algo que nunca foi o seu forte.

De qualquer maneira, é preciso pensar no momento atual, que é crítico. Ainda mais se for lembrado que o clube está sedento por um campeonato nacional, algo que não conquista desde a longínqua temporada 1989-90 – nessa época, o Campeonato Inglês nem havia sofrido a sua tão bem sucedida reformulação. Na temporada passada, o título bateu na trave. Pelo andar da carruagem, na temporada atual a tentativa de gol foi para bem longe.

Uma derrota para o líder, por mais que o campeonato ainda esteja começando, fará com que o clube se distancie mais ainda do sonho de título. Poderá ser o estopim de uma crise que começou a se projetar com duas derrotas seguidas na Premier League e a inesperada derrota em casa (e de virada) para o Lyon na UCL. Para piorar, poderá gerar uma tensão ainda maior entre Benitez e os investidores do clube George Hillet e Tom Hicks, que nunca se deram bem.

Enfim...dependendo do resultado de domingo, a bomba vai estourar em Anfield Road. É esperar para ver.

Foto: www.guardian.co.uk

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quem esperava isso dele?


Uma foto que mostra perfeitamente o momento do Flamengo: o líder Petkovic a frente de seus coadjuvantes

Você se lembra da sua reação ao saber que Petkovic havia sido contratado pelo Flamengo neste ano? Não lembro da minha exatamente, mas recordo que fiquei surpreso ao mesmo tempo em que torci o nariz. E pode ter certeza que muitos fãs de futebol criticaram a contratação do meia, assim como aproveitaram o fato para criticar a incompetência da diretoria do clube.

Depois de recuperar a forma física, como quem não queria nada, o sérvio foi lentamente entrando em algumas partidas até Andrade, pressionado pelos resultados ruins de sua equipe, colocar em seus pés a responsabilidade de criar as principais jogadas do Fla – algo antes feito pelos laterais. Parecia uma loucura. Mas foi aí que começou a brilhar. A ponto de deixar de brilhar apenas nas partidas no Maracanã contra adversários não mais que medianos para decidir jogos contra bichos-papões do Brasileirão – como São Paulo e Palmeiras.

Agora, todos os que criticaram Petkovic se arrependem de ter feito tal coisa. Alguns perdem perdão, outros aplaudem a sua ressurreição, assim como há os se limitam a dizer que queimaram a língua. Mas, sinceramente: quem criticou a contratação tinha seus motivos para fazer isso.

O herói de um dos tricampeonatos carioca do clube não atuava desde meados de 2008: ou seja, estava completamente fora de forma quando retornou ao Fla. Não atuava bem desde 2005, quando estava no Fluminense; depois disso, teve passagens muito ruins no Santos, Goiás e no Atlético-MG, dando mais a impressão de ser um jogador em decadência do que um que poderia acrescentar algo ao elenco. E ainda tinha a fama de mal-humorado e até mesmo de ser um jogador um pouco marrento, o que poderia tumultuar ainda mais o já conturbado clima na Gávea.

Mas o agora camisa 43 do Fla se superou. Não quer saber de confusão – tanto que não brigou para ter a 10 que é de Adriano, como já fez algumas vezes; assumiu o papel de líder do elenco; não vem tendo problemas físicos; e vem se entregando em campo como nunca se viu. A partida contra o Palmeiras foi um exemplo disso: além de marcar dois belos gols, puxou vários ataques importantes do time com maestria e ainda ajudou na defesa.

Fale com sinceridade agora: você esperava que ele fizesse tudo isso? Meu amigo, isso ele não fez nem na época em que era tratado como rei no Rio, logo após aquela cobrança magistral de falta no fatídico 27 de maio de 2001.

E é por isso que se criticava tanto a contratação do sérvio, inclusive este que escreve o texto: sabendo-se do seu passado, era muito mais fácil esperar o fracasso do que o sucesso de Petkovic na sua nova passagem no Flamengo. Ninguém cogitava a possibilidade dele fazer de tudo para superar as expectativas, até porque fazer muito esforço nunca foi a dele.

Mas quem antes criticou agora sabe elogiar. E digo: Petkovic está jogando muito. E se continuar assim e levar o Flamengo a Libertadores, será sério candidato a melhor do campeonato. É só querer.

Foto: www.lancenet.com.br

Participação em podcast


Esse post é só para deixar o link da minha participação no podcast do blog Futebol Inglês: Ortodoxo e Moderno. Agradeço ao Daniel Leite e ao André Vince pelo convite, que até me fizeram (tentar) aprender a mexer no Skype. Aqui vai o link: http://ortodoxoemoderno.blogspot.com/2009/10/podcast-ortodoxo-e-moderno-rodada-9.html

Mais uma vez, muito obrigado pelo convite e estou esperando a minha camisa do glorioso Charlton!