segunda-feira, 1 de junho de 2009

Empecilho

Entra ano, sai ano e a história é a mesma: no seu início, a Série A do Campeonato Brasileiro nunca recebe a atenção devida por todos os clubes que a disputam. Envolvidos em jogos decisivos pela Copa do Brasil ou pela Libertadores, a grande parte dos técnicos resolve mandar um “mistão” bem “chulé” ou até mesmo um time completamente reserva para o campo nos jogos da principal competição de pontos corridos do país.

O resultado geralmente é o mesmo: com a cabeça no mundo da lua e as vezes com formações de qualidade infinitamente inferior em relação à titular, esses times perdem pontos preciosos no Brasileiro que podem fazer muita falta lá na frente. E dessa maneira, alguns clubes não tão bem cotados no começo do campeonato acabam figurando nas primeiras posições: indicados para ficar no meio da tabela, Santos e Atlético-MG apareçam no início da classificação geral, assim como o Náutico, um dos candidatos ao rebaixamento. Porém, esbarram nas próprias deficiências e perdem a chance de ter uma pontuação melhor e acumular certa “gordura” a ser gasta nas próximas rodadas (o Peixe já empatou para o Goiás em casa, e o Galo, para o Santo André).

Em 2009, temos sete clubes disputando duas competições ao mesmo tempo. São Paulo, Cruzeiro, Palmeiras e Grêmio ainda estão vivos na Libertadores, enquanto Coritiba, Internacional e Corinthians lutam por vagas na final da Copa do Brasil; a maioria destes também são candidatos ao título da Série A, o que na verdade não é uma coincidência. Os resultados dessas equipes mostram que está sendo difícil conciliar os torneios: enquanto o Inter é a “ovelha negra” do grupo e aparece em primeiro, os outros estão espalhados pela tabela. Enquanto os mineiros são o 7º, o tricolor paulista, o 8º e o Verdão, o 11º, o Imortal Tricolor está numa modesta 13ª posição, o Timão vem logo atrás e o Coxa amarga a lanterninha.

Um dos clubes que ainda precisam conciliar o Brasileirão com outra competição (no caso, a Copa do Brasil), o Coritiba perdeu mais uma vez em casa na última rodada, desta vez para o Goiás, e continua na lanterna da competição

Aliás, o caso do Coritiba mostra perfeitamente os riscos de praticamente abandonar um campeonato enquanto disputa o outro. No Campeonato Brasileiro, já perdeu pontos bobos e foi derrotado nos dois jogos que disputou em casa. A situação pode piorar se o elenco se abalar com uma provável eliminação para o Inter. Se chegar à final, também podem colocar mais algumas derrotas na conta do Coxa, que certamente irá abdicar do Brasileirão e correrá o risco de imitar o Fluminense do ano passado. Ao priorizar a Libertadores, o clube carioca atuou durante quase 2 meses com o time reserva no principal torneio da CBF; depois de ser derrotado pela LDU na final, se viu na última posição na competição nacional e só escapou do rebaixamento graças a uma incrível sequência de resultados positivos nas rodadas finais.

Já o Internacional mostra como é possível participar de dois torneios ao mesmo tempo. Assim como muitas equipes européias que resistem a essa “maratona” no seu continente, o Colorado formou um grande elenco a ponto de não perder sua competitividade quando seus principais jogadores são poupados. O resultado é excelente: 100% de aproveitamento na Série A e classificação para a final da Copa do Brasil bem encaminhada.

Mas vamos ser justos: a situação do Inter é algo muito difícil de acontecer, principalmente aqui no Brasil, onde não há grande disparidade técnica entre os times. È como se fosse algo que ocorresse somente nas grandes famílias. Porque sinceramente, não é fácil manter o foco em duas competições ao mesmo tempo quando há uma série de jogos decisivos num espaço tão curto de tempo. Enquanto mudanças na tabela não são feitas ou uma simples solução não é encontrada, o Brasileiro não ganha fôlego, nos impede de medir a real força das 20 equipes e não fica tão interessante como tinha de ser e será a partir de agosto. Aí sim a competição será encarada com seriedade por todos, pois será o momento em que todos irão focar num só torneio, deixando até mesmo a Sul-Americana de lado para fazer isso...

Foto: www.lancenet.com.br

2 comentários:

Net Esportes disse...

não acho que não haja mesmo um cero desgaste, mas chega uma hora que o Brasileiro tem dois jogos por semana .... dois jogos por semana devia ser normal, com todos titulares e tal ...... mas enfim, às vele a pena focar uma competição, outras vezes você fica sem as duas ..... o São Paulo não vinha jogando há algum tempo então não teve necessidade desse revezamento esse ano, porém mesmo assim começou mal .... ainda bem que ontem voltou a vencer !!!!!!!!

Bruno Santos disse...

Imagina, montar um time com onze bons jogadores já é complicado e montar um bom elenco é quase utopia no Brasil.
O ruim desse revezamento de jogadores é o baixo nível do campeonato, apesar que acho certo, igual o Cruzeiro jogou no campo do Náutico nesse ano (se aquilo é considerado campo), o risco de contusão é muito grande.

Nisso o Renato acertou ano passado, só faltou levar o caneco da Libertadores, porque salvaria a temporada inteira.

Abraços.