quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Craque o Flamengo não faz mais em casa

Entre os titulares, Bruno, Léo Moura, Fábio Luciano, Ronaldo Angelim e Egídio; Airton, Willians, Ibson e Marcelinho Paraíba; Zé Roberto e Obina. No banco, Diego, Thiago Salles, Jônatas, Kléberson, Éverton, Maxi e Josiel. Dos 18 relacionados para a última partida do Flamengo, contra o Mesquita, apenas 6 iniciaram suas carreiras na Gávea.

A situação fica ainda mais crítica quando se sabe que apenas 3 foram titulares, sendo que Airton na verdade é cria do Nova Iguaçu (foi cedido às categorias de base do Fla) e que Ibson e Jônatas já tentaram a sorte no exterior. E não é de hoje que o clube possui poucos jogadores “Made in Gávea” na equipe titular, tampouco revela. Nos últimos anos, foram poucas as pratas da casa que tiveram (certo) sucesso no Flamengo: com algum esforço, lembra-se de Júlio César, Juan, Athirson, Adriano, Ibson, Jônatas e Renato Augusto.

O atacante Pedro Beda, considerado uma das promessas do Flamengo para o ataque, foi vendido ano passado para o Heereveen, da Holanda, sem ao menos ter estreado pelo clube; enquanto isso, a equipe rubro-negra não conseguia encontrar seu atacante ideal no Brasileirão

Não sou dirigente do Fla e não sei de todos os problemas envolvidos nessa questão Mas estando de fora vejo alguns problemas. E é fato que fica difícil revelar bons jogadores quando eles são rapidamente vendidos, algo que vem se tornando regra na Gávea. E nem falo da venda de R. Augusto ou Ibson, pois o clube chegou ao ponto de vender jogadores promissores que mal tiveram a chance de estrear no time titular, como o atacante Pedro Beda, o lateral direito Michel e o zagueiro Fabrício. Ao vender os jovens por um preço baixo, o rubro-negro carioca perdeu a chance de mesclar jogadores mais experientes com pratas da casa, vê-las crescer e até mesmo vendê-las futuramente por um preço (bem) mais alto. O uso de mais jogadores da casa até permite a construção de um elenco mais barato: talvez seja melhor ter como reservas boas promessas que não possuem salários astronômicos do que ter Kléberson, Fierro e Josiel, que muito provavelmente ganham mais de 100 mil para esquentar banco e nem sempre corresponderem quando entram...

Mas a culpa não é só da diretoria. Se a torcida do Flamengo é uma das mais fanáticas do país, também pode ser considerada uma das mais impacientes. Que torcida corneta! Não poupa nem os próprios garotos! No jogo contra o Mesquita, vaias eram direcionadas a Egídio cada vez que o lateral tocava na bola, mesmo após ter sido um dos melhores no jogo de domingo contra o Volta Redonda. Algo não muito diferente do que aconteceu com Erick Flores nas poucas chances recebidas pelo meia no ano passado: inexperiente e ainda um pouco afobado, era vaiado cada vez em que errava um lance. Nessa hora, ninguém se lembra de que os mais jovens, pela falta de experiência, estão mais propensos a se abaterem com as críticas, ficarem nervosos e errarem ainda mais.

E nem mesmo as experiências do passado serviram para alguns rubro-negros refletirem. Adriano e Renato Augusto são alguns dos exemplos de jogadores que já foram perseguidos pela torcida. Ao saírem cedo do clube, logo arrebentaram na Europa. O primeiro ganhou o “simples” título de “Imperador” na Inter de Milão, enquanto o segundo foi uma das melhores contratações do Campeonato Alemão na atual temporada, já sendo cobiçado até por clubes europeus mais grandes. Depois da falta de paciência, os flamenguistas ficam chupando dedo e rezando para serem perdoados e que tais jogadores voltem logo ao clube.

E ainda há aqueles que simplesmente não aguentaram a pressão ou foram queimados após entrarem na equipe titular muito cedo como salvadores da pátria, principalmente nos anos em que o clube passava por apuros no Brasileirão. Exemplos disso são os atacantes Fabiano Oliveira e Bruno Mezenga, eternas promessas lançadas precipitadamente em 2005. E claro, há os que se deslumbram facilmente: Júnior (agora no Atlético-MG, Júnior Carioca) irritou a todos por se achar melhor jogador do que era, sendo até displicente em campo, algo que hoje reconhece. Nélio, um habilidoso meia que surgiu no começo da década, foi mal acessorado pelo pai e também sumiu do mapa da bola. O Flamengo não foi exceção em algo que acontece em todo o clube: talentos desperdiçados que, se fossem melhor preparados e entrassem na hora certa, poderiam ter vingado. Nem todos tem a mesma sorte do zagueiro Juan, hoje na Roma, que estreou muito mal no Flamengo aos 17 anos e, após voltar aos juniores, teve a rara chance de subir novamente ao elenco principal e aí sim corresponder.

No momento, identificação com o clube nem chega tanto a ser o problema principal, até porque a base do time está há muito tempo na Gávea e se entendeu bem com o clube. Mas as categorias de base, por diversos motivos e mesmo com toda a tradição que possui, não estão sendo aproveitadas. E se continuar nesse caminho, o Fla já pode começar a pensar num novo slogan para se promover, porque atualmente, craque o Flamengo não faz mais em casa.

Foto: www.sc-heerenveen.nl

5 comentários:

Vinicius Grissi disse...

Não acontece só no Flamengo. Mas em todos os clubes de futebol. Conheço um menino de 15 anos, que é reserva do juvenil de um grande clube e já teve pelo menos 5 propostas de grandes clubes europeus. É impossível segurar.

Net Esportes disse...

O Messi se eu não me engano foi com 12 anos pra Barcelona, é inevitável segurar jogador quando os times tem grana para levá-los cedo, o Santos por exemplo inventou esse negócio meio 'sujo' do contrato de gaveta e mesmo assim não tem adiantado muito..... mas que o ideal sería revelar um craque e tê-lo pelo menos contribuindo um pouco antes de ir pra Europa isso não tem nem dúvida.....

I r o disse...

No caso do Flamengo, acredito na má gestão da diretoria.
Agora, em outros clubes, realmente é inevitável.
Propostas milionárias chegam antes mesmo dos jogadores chegarem ao time principal. Fato que força os treinadores a subirem a garotada cada vez mais cedo. Como Neymar e Lulinha, que subiram com 15 e 16 anos respectivamente.
Valeu, parabéns pelo blog.

Marcos Antônio Filho disse...

em 99/2000/2001 usava-se mais os jogadores da Base, e muitos fizeram sucesso Julio César,Juan, Luiz Alberto,Athirson,Adriano,Reinaldo. E isso foi escasseando cada vez mais, o último foi o Renato Augusto. O flamengo pr apagar dívidas e não desfalca ro time tá vendendo vários jogadores da Base,vai chegar uma hora que não vamos ter bons jogadores subindo aos profissionais e aí o Fla vai continuar gastando dinheiro pra se reforçar

Leandrus disse...

Breves comentários:

Vinicius, aí tudo bem. Mas o Flamengo tá vendendo uns garotos pra fazer caixa e sustentar um elenco caro sem nem ao menos dar a eles uma chance no time titular. Pedro Beda foi vendido por 1 milhão de reais, Fabricio por 3 milhões, e Wellignton será vendido por 1 milhão também! E isso tudo para pagar algumas parcelas da compra do Bruno ou salários de jogadores que há muito tempo não estão no clube. Assim não tem como revelar bons jogadores.

Netesportes, mas o caso do Messi foi diferente, o Barcelona foi o único clube que se propôs a pagar o tratamento dele. E mesmo que a venda de jogadores seja inevitável, o Flamengo às vezes se desfaz de uns muito cedo, ou por incompetência da diretoria, ou por alguns não suportarem a pressão, fazendo com que logo saiam do clube formador, visto que essa é a única alternativa que sobra (principalmente para os perseguidos pela torcida).

Iro, valeu pela visita. O fato dos jogadores subirem mais cedo faz com que já apareçam no clube principal com uma pressão imensa, já que se espera muito de alguns deles. É só ver o Lulinha, que subiu já dado como futuro craque e ainda não conseguiu deslanchar. É preciso muito cuidado para saber a hora certa de lançar o jogador na equipe principal para que ele não seja queimado.

Marcos Antônio, esse é meu medo. Os três jovens que citei no texto que foram vendidos sem nem terem jogado eram considerados grandes promessas nos últimos anos lá na Gávea. Vai chegar uma hora em que poucos jogadores da base do Flamengo serão capazes de ter algum destaque no time principal, e aí lá vai o Flamengo piorar sua situação financeira comprando jogadores caros e com salários absurdos.

Ateh!