quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A síndrome continua

O objetivo era acabar com a fama de “time do quase”; porém, isso não foi possível. Assim como em 2007, o Botafogo foi vice do Carioca, caiu nas semifinais da Copa do Brasil, ficou perto de conquistar uma vaga na Libertadores e foi eliminado na Sul-Americana por um time argentino. Novamente se viu envolvido em algumas polêmicas e terminou o ano em séria crise.

Havia muita desconfiança no início do ano por uma série de fatores: o time havia perdido peças importantes como Dodô, Zé Roberto, Juninho e Joílson; a diretoria havia formado uma equipe mais barata, com jogadores que estavam meio sumidos como Zé Carlos, Wellington Paulista e André Luis, outros desconhecidos, como Edson e Fábio, e até mesmo alguns renegados pela torcida, como Alessandro. Além disso, apostava em jogadores estrangeiros de qualidade duvidosa, como Castillo, Ferrero e Escalada.

Para quem passava por uma reformulação na equipe, o Botafogo foi muito bem no Carioca. O time se acertou rapidamente, conquistando belas vitórias nos dois turnos da competição. Wellington Paulista e Lúcio Flávio comeram a bola no campeonato. Chegou à final do Estadual e perdeu para o Flamengo nos dois jogos, mas mostrando muita disposição e luta. Porém, o que irá ficar marcado é a reclamação do clube após a derrota por 2 a 1 para o Fla na final da Taça Guanabara, com direito a entrevista coletiva com todos os jogadores reunidos sem terem tomado banho e renúncia de Bebeto de Freitas.

Cena marcante no ano: a revolta alvinegra após a derrota para o Fla na final da Taça Guanabara

O que isso trouxe para o Botafogo? Nada de bom. O alvinegro carioca tinha um belo desempenho no ano até então, e manchou boa parte do que tinha feito ao reclamar exageradamente da arbitragem. Seria mentira falar que não houve erros que prejudicaram o time de Cuca naquele 24 de fevereiro. Mas é bom lembrar que alguns dos erros apontados por jogadores e dirigentes não aconteceram e que também houveram erros que prejudicaram o Flamengo. Só restou mesmo a fama de time chorão, que agora permanecerá por um bom tempo.

Ainda restava a Copa do Brasil no 1º semestre. Mas o Botafogo não fez uma campanha tão boa. Tudo bem, chegou à semifinal, mas sem convencer muito e tropeçando fora de casa contra times inferiores como River-PI e Portuguesa. Mesmo lutando muito, perdeu para o Corinthians na decisão por pênaltis diante de um Morumbi lotado.

O clube só voltou a ter destaque nas páginas policiais, quando André Luis foi preso após uma grande confusão no jogo contra o Náutico no Estádio dos Aflitos. O clube só voltou a se destacar nas páginas esportivas quando Ney Franco assumiu a equipe, após o fracasso de Geninho, que não substituiu Cuca a altura após a eliminação do clube da Copa do Brasil. O treinador, que havia pego o time quase na zona de rebaixamento, levou-o a incríveis 11 jogos sem perder no Brasileirão. O Botafogo, muito bem armado em campo, chegou a estar ma 4º posição no campeonato e parecia ser um sério candidato a uma vaga na Libertadores. Só parecia, pois o time começou a perder pontos preciosos para times que estavam na parte de baixo da tabela, como Náutico, Portuguesa, Vasco e Santos e foi caindo pelas tabelas. Dessa maneira, a Copa Sul-Americana passou a ser priorizada.

Talvez o dia 1 de outubro tenha sido um dos mais importantes do Botafogo esse ano. Foi quando o time enfrentou o América de Cali pela Sul-Americana em casa e o derrotou por 3 a 1, conseguindo a classificação para a próxima fase após suportar forte pressão do adversário nos minutos finais; se o time colombiano marcasse um gol, o time carioca seria eliminado da competição. Isso provou que a dolorosa eliminação na edição anterior da Sul-Americana estava superada.

Mas não teve jeito; o Botafogo voltou a ficar marcado negativamente numa edição da competição continental sem ao menos ter chegado na final do torneio. Tudo por causa da cena ridícula de André Luis no jogo que eliminou o time carioca da competição, quando o zagueiro tomou furiosamente o cartão amarelo das mãos do juiz. No mínimo, um lance bizarro, que só serviu para reafirmar a já famosa frase: “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo”...

O que restou no final do ano foi um time novamente sem títulos e pior, afundado numa crise financeira que atrasou absurdamente o salário dos jogadores e tirou o foco da equipe no Brasileirão, fazendo com que o time perdesse vários jogos, dos mais fáceis até os mais difíceis. Como consolo, o Botafogo ainda derrotou o Palmeiras em pleno Palestra Itália na última rodada e terminou o campeonato na 7º posição, a melhor do clube desde 1995. Mas isso de pouco adiantou, já que o fantasma do “quase” continua atormentando o clube. Pelo menos não se viu em campo um time sendo eliminado das competições de forma humilhante: o botafoguense dessa vez pelo menos teve um pouco mais de dignidade.

Quanto aos jogadores: Lúcio Flávio, Túlio, Diguinho (que conseguiu jogar ainda melhor do que em 2007), Renato Silva (que subiu demais de produção) e Wellington Paulista foram os destaques do ano. Castillo e Renan finalmente deram segurança ao gol alvinegro. Thiaguinho foi a surpresa do ano. Carlos Alberto conseguiu mostrar um bom futebol e ajudou a equipe em certos momentos, mas, como sempre, saiu do clube pela porta dos fundos. As contratações estrangeiras acabaram não vingando, sendo Castillo a exceção e Escalada, a piada. Mas as contratações infelizes não foram só essas: Túlio Souza e Gil também decepcionaram. Mas esse último já não engana mais ninguém mesmo...

Fotos: 1ª e 4ª - globoesporte.com/ 2ª - www.estadao.com.br/ 3ª - www.lancenet.com.br

4 comentários:

Marcos Antônio Filho disse...

Agora com Ney Franco é um bom técnico, mas não sei se vai ter um bom elenco pra o ano que vem,já que Lúcio Flávio e Triguinho foram pro Santos e mais gente pode sair...

E você viu o negócio do Amauri?Po será que ele não merece uma chance na seleção brasileira? A Itália tá doidinha pra ter ele no ataque...

abs

Carlão Azul disse...

Sem brincadeira, acho que o problema do Botafogo é a camisa parecer com outro ETERNO SOFREDOR.

Eles deveriam tentar mudar as cores ou o design...

Preto é cor do LUTO, do sofrimento.

Abraços e...

Saudações Celestes

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CRUZEIRO: O MAIOR DE MINAS
ENTREM E SINTAM-SE A VONTADE

Vinicius Grissi disse...

O Botafogo vai ter muito trabalho para remontar o time para o ano que vem. Mas começou bem a temporada mantendo o técnico Ney Franco.

Leandrus disse...

Breves comentários:

Marcos Antônio, acho que o Botafogo não precisa se desesperar tanto por estar perdendo vários jogadores. Acho a situação parecida com a do ano passado: os melhores indo embora e jogadores novos chegando sob muita desconfiança. Muitos desses que chegaram jogaram bem e tiveram um bom ano. Acredito que isso pode ocorrer novamente.
Quanto ao Amauri, eu acho que ele poderia ter uma chance na seleção brasileira, mas também não devemos esperar que ele seja o salvador da pátria. Até porque é um jogador de força física e que não possui muita técnica, algo que brasileiros não gostam muito e que pode ser usado como motivo para muitos não o aceitarem na Seleção. Eu mesmo prefiro Luis Fabiano e Alexandre Pato, deixando Amauri no banco.

Vinicius, também acho que o Botafogo terá muito trabalho, mais do que teve para construir esse elenco que está se desmanchando. Se Reinaldo realmente acertar com o Botafogo, acredito que o clube estará fazendo uma ótima contratação. E a Traffic pode ajudar trazendo alguns nomes mais modestos mas ainda assim bons. É esperar para ver.

Ateh!