sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Duas manobras memoráveis (e nada elegantes) em Suzuka


Com a farsa da Renault feita em 2008 mas só descoberta há poucas semanas, palavras como jogo sujo, trapaça e outras do mesmo naipe voltaram ao vocabulário da Fórmula 1. Algo que, de certa maneira, sempre volta a tona cada vez que a categoria volta ao Japão, mais especificamente à Suzuka.

Essa pista foi palco de dois episódios que acirraram ainda mais uma das maiores rivalidades vistas na F-1, entre Alain Prost e Ayrton Senna. Dois episódios marcados por atitudes contestadas e não muito (ou nada) limpas. Que tiveram em comum o fato de dar um título ao dono da manobra nada merecedora de aplausos.

Tudo começou com o ato de Prost no GP do Japão de 1989. A poucas voltas do fim da corrida, Senna tentou uma ultrapassagem arriscada em cima do francês na chicane localizada pouco antes da reta dos boxes. O “Professor” não aliviou, causando um choque inevitável entre os dois e seu conseqüente abandono. O brasileiro voltou à prova e venceu a mesma, mas foi desclassificado minutos antes de ir ao pódio, o que sacramentou o terceiro título de Prost e gerou a ira de Senna e uma verdadeira novela dali para a frente.



Pode-se até achar que Senna foi afoito demais ou que foi com muita sede ao pote. Mas haviam fatos que iam além do que ocorria na pista que levavam a crer que Prost tinha sido o culpado daquele incidente, que realmente havia fechado a porta de propósito para causar o acidente e ser campeão de vez. O fato de reclamar do brasileiro em todas as oportunidades possíveis desde que um acordo entre os dois foi quebrado no GP de San Marino daquele ano e de estar irritado com toda aquela situação me fazem acreditar nisso. E por último, o teor de sua entrevista logo após a corrida no Japão denunciou que aquele toque era muito mais do que um acidente de corrida. Disse Prost:

“Para ser honesto, eu tinha toda a certeza que venceria ou que teria um acidente como esse. O problema com Ayrton é que não aceita não vencer e nem que resistam a uma ultrapassagem. EM 88, dei-lhe passagem muitas vezes, e se não tivesse dado teríamos batido assim. Antes da prova, disse que não daria passagem. O modo como ele dirige é muito bom. Ele é incrivelmente rápido mas força demais. Se a Fórmula 1 tivesse dois pilotos assim, teríamos acidentes em todas as provas. Foi meu pior ano na Fórmula 1.”

Mas em 1990 a situação se inverteu. Era Senna quem chegava com a vantagem de poder ganhar o título em Suzuka. E foi ele quem praticou uma manobra livre de qualquer suspeita.

Logo na largada, Senna perdeu a primeira posição para Prost, agora na Ferrari. Mas ele tratou de acabar com o campeonato ali mesmo, acertando o carro do francês na primeira curva, acabando com a corrida de ambos e conquistando seu segundo título.



A atitude do brasileiro foi compreensível se levarmos em conta que ele ainda não havia engolido o acontecido no ano anterior. Assim como o estresse pré-largada que teve, após Balestre não aceitar a ideia de deixar Senna, o pole da prova, mudar de lugar no grid para que largasse de um lado que realmente favorecesse o pole position – a decisão havia sido aceita momentos antes pelos comissários. Ou seja, tudo soava como uma revanche e também dava a impressão de que o acidente era mais do que um acidente de corrida. Parecia uma atitude até mais premeditada do que a que o mundo havia visto em 1989.

Porém, isso não apaga a mancha que ficou no seu segundo título: como ele mesmo reconheceu em 1991, foi um título, digamos “triste”. Não ganhou de maneira digna, da qual realmente se possa comemorar, como havia acontecido com Prost um ano antes.

Em suma, foram títulos marcados pelo clima esquisito misturado ao sabor da vitória. E marcado por atos no mínimo a serem lamentados – tenham sido feitos por revanche ou não – de dois dos maiores pilotos que a categoria já viu.

5 comentários:

Ron Groo disse...

Estas duas tem um diferencial.
Foram feitas no impulso e pelos protagonistas que levariam vantagem com elas e não premeditadas por um terceiro para ainda por cima ajudar outro.

Estes são eventos que hoje rimos muito ao rever ou lembrar...
Menos os sennistas que ainda odeiam quem vencia seu idolo.

Loucos por F-1 disse...

A manobra de Ayrton Senna em 1990 foi muito mais para dar o troco em Prost e calar a boca do Balestri, que sempre quis prejudicar o brasileiro. Não isento os pilotos pelos acidentes, mas se Prost não tivesse sido desleal em 1989, um ano depois nada teria acontecido. Mas hoje em dia isso faz parte da história da Fórmula 1, que por sinal é maravilhosa.

Abraços!

Leandro Montianele

Saulo disse...

Realmente memoráveis.

Saulo disse...

Copiei o seu link e vou colocar no meu blog.

Marcos Antônio Filho disse...

chumbo trocado. Prost f*deu Senna e Senna F*deu Prost depois. dois títulos discutíveis, mas que fizeram tomar ódio do Prost!rs