terça-feira, 11 de agosto de 2009

Tiraram o doce da boca da criança


O teste feito por Schumacher no último dia de julho com o F2007, que só serviu para ter certeza de que não poderia substituir Massa e para sentir uma dor interminável no pescoço

Esse é um dos títulos que traduzem o que aqueles que comemoraram a volta de Michael Schumacher à F-1 dias atrás estão sentindo no dia de hoje. Para essas pessoas, não há como esconder o sentimento de frustração com a desistência do alemão, por causa de problemas no pescoço, assumir provisoriamente a vaga deixada por Felipe Massa.

É incrível, mas as vezes há a sensação de que quase tudo está dando errado na categoria neste ano. Depois de tantos “contras” que a F-1 já viu em 2009, a impossibilidade do heptacampeão voltar ao circo da F-1 só reforça esta ideia. Seu retorno daria um charme que as corridas não vem tendo este ano, mais ou menos desde o GP da China. Faria com que todos ficassem vidrados nas corridas por curiosidade de avaliar inúmeros fatores que já havia enumerado antes. Mas agora, infelizmente todas as previsões e expectativas feitas nos últimos dias em torno do alemão se tornaram inúteis e um puro desperdício de tempo.

Agora, o substituto do brasileiro na Ferrari será Luca Badoer, piloto de testes da escuderia. A equipe até que fez bem em escolhê-lo, já que é uma troca pelos seus serviços prestados nos testes que fez nos últimos anos. Os fãs alternativos da F-1 certamente irão lembrar que essa é a chance do italiano conseguir alguns pontinhos na categoria, assim como reconquistar aqueles preciosos que não conseguiu no GP da Europa de 1999, quando, numa cena clássica e de dar pena, chorou ao sair de sua Minardi quando teve de abandonar enquanto estava numa gloriosa (e milagrosa) 4ª posição. Visto por esse lado, realmente será legal vê-lo correr nas próximas provas. Mas nada apagará a frustração de ver pelos ares o sonho de ver Michael Schumacher retornar às pistas por algumas provas (obviamente, só para aqueles que haviam gostado da notícia antes).

Foto: globoesporte.com

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

Por que não Filipe Luís?


À direita, Filipe Luís, lateral esquerdo do La Coruña e novo convocado de Dunga

Dunga meio que “surpreendeu”. Convocou um jogador pouco conhecido da maioria dos brasileiros, o lateral esquerdo Filipe Luís, do La Coruña, para o amistoso contra a Estônia. O suficiente para ser alvo de algumas críticas por parte da imprensa, principalmente daquela que não acompanha o futebol europeu; muito provavelmente uma conseqüência do efeito Afonso Alves.

Confesso que nunca assisti uma partida deste lateral. Mas o seu desempenho na Europa, para onde foi muito cedo, impressiona e me faz pensar que apostar nele pode ser válido. Se destacou jogando pelo La Coruña, se firmou a ponto de ser titular e jogar todas as partidas da última temporada e ainda foi eleito o melhor lateral esquerdo do Campeonato Espanhol, que certamente é um dos melhores e mais disputados do mundo. Bem diferente do que ser convocado após se destacar por um time mediano do também mediano Campeonato Holandês. E cá para nós, ser pretendido pelo Barcelona não é para qualquer um.

Além disso, é bom lembrar que é preciso testar mais nomes para a lateral esquerda, talvez a única posição que não possui um dono definido no momento. Kléber já mostrou que em queda livre, André Santos não foi bem nas oportunidades que recebeu, Juan, Marcelo e Adriano atualmente jogam mais como um meia esquerda e Fábio Aurélio, que considero o jogador brasileiro que melhor reúne as qualidades de um lateral esquerdo, está machucado.

Com tantos problemas para achar alguém para ocupar aquele lugar depois de apostar em vários jogadores da posição, custa apostar em quem está se destacando num campeonato de alto nível? Acho que não. E é por isso que acredito ser válido dar uma chance ao jovem lateral. Só vamos saber se ele é um bom nome para equipe se ele for convocado e jogar. Aliás, testá-lo contra uma equipe como a Estônia não vai trazer mal algum à Seleção.

Cabe a Dunga não desperdiçar a chance de observá-lo na próxima quarta-feira, até porque o adversário é fraco e o jogo não terá outro caráter senão festivo. Ou seja, condições excelentes para aqueles sedentos por uma oportunidade com a amarelinha mostrar que merecem uma vaguinha entre os homens de confiança do técnico.

Foto: www.soccerway.com

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

Deu tudo errado. E a culpa é de quem?


Quatro Leandros chegaram nas Laranjeiras este ano: Leandro Bonfim, Leandro, Leandro Amaral e Leandro Domingues. Nenhum deles deu certo até agora

As cabeças continuam rolando nas Laranjeiras. Depois da saída de três técnicos, na última segunda-feira foi a vez do coordenador de futebol Alexandre Faria ser demitido do clube. A sua demissão evidenciou um dos principais motivos da pífia campanha do Fluminense no Brasileirão até o momento: o fracasso nas contratações neste ano.

As aquisições do tricolor carioca no mercado em 2009 simplesmente não deram resultado algum. Entre nomes disponíveis no cenário carioca, em outros cantos do país e até mesmo que voltaram para o país “dando um passo para trás para depois dar dois para frente”, praticamente ninguém se salvou. Algo muito grave para um time que precisava repor a saída de nomes fundamentais como Thiago Silva, Júnior César, Washington e Arouca.

É verdade que a diretoria/Unimed bobeou ao confiar demais em alguns nomes. Talvez não fosse necessário contratar Jaílton, um volante contestado no Flamengo, quando se tinha outros quatro no elenco do mesmo nível – Wellington Monteiro, Fabinho, Mauricio e Romeu. Apostar em Leandro Bonfim, uma eterna promessa que, para variar, deixou o Vasco pela porta dos fundos, foi algo extremamente arriscado. O mesmo pode-se dizer de Roger, atacante que já havia falhado ao passar por clubes de maior tradição e exposição e manteve a sina no clube carioca (confesso que achei que poderia se útil depois de sua boa passagem no Sport, mas suas primeiras partidas pelo Flu provaram o contrário).

Com um elenco enfraquecido, tudo o que o clube não precisava era fazer apostas arriscadas, em jogadores que vinham em má fase ou que davam a impressão de que não iriam acrescentar muita coisa ao time. Nesse caso, era muito mais fácil apostar nos garotos de Xerém - o clube se vangloria em tê-los, mas pouquíssimas vezes soube aproveitá-los bem.

Até aí é fácil jogar pedras nos responsáveis por essas contratações. Mas como criticá-los por outras de peso, que tinham tudo para dar liga, mas não fizeram nada de útil até agora?

É aí que entram jogadores como Leandro, Diguinho, Leandro Amaral e até mesmo Fred. Todos vinham de boas campanhas em seus antigos clubes, mas que até agora fracassaram e não fizeram mais nada além de jogar o dinheiro da patrocinadora do clube fora. O lateral-esquerdo talvez tenha feito pior que Gustavo Nery em 2007. O ex-volante do Botafogo só irritou a torcida tricolor com más atuações, uma “estranha” doença e boatos de estar se destacando na noite carioca. O ex-atacante do Vasco não fez um gol até agora e passa mais tempo no departamento médico do que em campo. E o centroavante que chegou com o mesmo impacto que Ronaldo e Adriano tiveram em seus clubes, está muito longe de repetir o desempenho de seus companheiros de seleção em 2006: enquanto os outros lideram os ataques de seus times, o camisa 9 do Flu se destaca pela seca de gols e por 2 imperdoáveis expulsões no Campeonato Brasileiro.

Por mais que Unimed e Fluminense sejam duas instituições fora de sintonia atualmente, nesse caso não foram culpados. Com o currículo que os jogadores citados acima possuem, a aposta feita neles realmente parecia acertada; não era de se esperar que fracassassem no clube. Mas fracassaram. Tinham condições de substituir os que deixaram o clube, talvez não com a mesma eficiência, mas ainda assim jogando bem; porém, nem isso mesmo fizeram até agora. Resultado: o time sofre sente a necessidade de grandes nomes, mas os que foram contratados e deveriam assumir esse papel não ajudam em nada. A lanterna do Brasileirão é uma consequência disso.

Em meio a mudanças no comando do clube e no time titular, a equipe tenta se reforçar. Até agora, Ruy e Roni chegaram às Laranjeiras. Muito pouco para quem precisa se reforçar em praticamente todos os setores, única maneira de consertar todas as contratações que deram errado até agora e salvar o ano.

Foto: globoesporte.com

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

Léo Moura x torcida do Fla: quem é o vilão?


Léo Moura provoca os torcedores querendo saber onde estão os insultos que o perseguiram ontem. Os rubro-negros, ao vaiá-lo, querem saber onde está o seu futebol que o levou à seleção brasileira

Depois de duas vitórias consecutivas, o clima voltou a fechar no Flamengo. Desta vez, nada de disputas políticas nem críticas a treinadores; a bola da vez é o atrito entre torcida e jogadores. Depois de ser duramente vaiado pela torcida ainda no primeiro tempo, Léo Moura, após marcar o gol de empate contra o Náutico no jogo de ontem, acabou respondendo às críticas com diversos palavrões, que podem ser entendidos sem curso algum de leitura labial. E agora, quem está certo e quem está errado?

Sinceramente, de certa forma entendo o desabafo do lateral (ou ala, se preferir). Nunca entendi porque os torcedores que vão ao estádio muitas vezes preferem vaiar do que apoiar o seu time tão cedo em uma partida. Em que adianta tomar tal atitude já aos 25 minutos do primeiro tempo? Reconheço que o torcedor muitas vezes paga o ingresso, que não é barato, com muito suor e quer ver seu time vencer de qualquer maneira; porém, isso não é motivo para achar que tem o direito de fazer o que quiser nas arquibancadas. Vaias só deixam os jogadores mais nervosos, irritados ou inibidos em campo, trazendo somente prejuízo para o seu próprio time, que geralmente passa a errar e se afobar ainda mais.

E não sou adepto do papo de que o jogador não tem o direito de errar ou se sentir pressionado só porque recebe um salário milionário. Este indivíduo é tão humano quanto quem recebe um salário mínimo; logo, sente os mesmos efeitos psicológicos de quem possui uma conta bancária bem menos recheada. Seria muito bom que todos percebessem esse aspecto antes de começar a “cornetar” nos estádios. Principalmente a torcida do Flamengo, mestre na arte de vaiar: o exemplo de Adriano, desprezado ao deixar o clube em 2001 e amado em 2009 após brilhar na Europa, não é suficiente?

Mas agora vamos entender o outro lado: por que diabos a torcida anda vaiando Léo Moura?

O principal motivo para se vaiar um jogador é o fato de ele estar jogando mal. E o camisa 2 do Flamengo não vem bem há um bom tempo, vivendo somente de alguns rápidos momentos de brilho, como no jogo contra o Galo na última quinta-feira. Desde que serviu a seleção brasileira em fevereiro de 2008, não é o mesmo. Muitas vezes carrega demais a bola, centraliza o jogo diversas vezes, deixa de dar suas arrancadas pelo lado direito que o consagraram em 2007 e até mesmo se omite do jogo, ficando estático ou deixando o trabalho no lado direito praticamente para outros enquanto tenta, erroneamente, se enfiar na área. Ontem, Willians apareceu muito mais na linha de fundo do que o Léo Moura. Pode isso?

Como é um dos principais jogadores do Flamengo, principalmente pelo fato do time priorizar o jogo pelas laterais, certamente sua equipe sente suas más atuações, o que logo é percebido pela torcida. Sempre se espera mais de quem tem maior capacidade de decidir uma partida, e é por isso que muitos não aceitam as más partidas feitas pelo lateral, pois sabem que pode render muito mais do que está rendendo nos últimos tempos.

Assim, é claro o por quê da insatisfação da torcida com o lateral. Só que ele não percebe isso. É difícil vê-lo fazer uma autocrítica das suas atuações e reconhecer que está mal, assim como as vezes pouco parece se esforçar para melhorar, tão apático se mostra em campo. A propósito, só reconhece seu mal momento quando joga bem, exatamente quando os discursos de “Eu estava devendo” vêm à tona. Mas fazer isso no momento de glória é fácil: afinal, isso só ajuda a valorizar a sua boa atuação na partida em que se destacou.

No novo atrito que surgiu na Gávea, ninguém é santo e todos são culpados. A torcida tem que entender que em certos momentos precisa apoiar o time ao invés de sair “soltando os cachorros” ainda no primeiro tempo, da mesma maneira que Léo Moura precisa entender que, se o vaiam, é porque não está jogando bem. Autocrítica é o que deveria ser feito por ambas as partes. O que acredito que dificilmente irá acontecer.

Foto: www.lancenet.com.br

quinta-feira, 30 de julho de 2009

Calmaria no meio da tempestade


Por pouco: Michael Schumacher estreou na F-1 na Bélgica, em 1991. Ele quase retorna à categoria no mesmo lugar; havia Valência no meio do caminho

Dia desses estava assistindo o Review Oficial da F-1 da temporada de 1991, na qual Ayrton Senna se sagrou tricampeão no GP do Japão. Na entrevista coletiva após a corrida, logo depois o clássico momento em que afirmou que foi roubado em 1989, o brasileiro disse que o campeonato de 1990 foi um “campeonato triste” devido a questões políticas. No momento, pensei: essa frase se encaixa, em partes, no momento que a categoria vive.

Somente neste ano já encaramos ameaças de um desmanche da categoria, as surpreendentes retiradas da Honda e da BMW, o sentimento crescente de que as montadoras também são um mal à F-1...tudo isso piorado pelo campeonato não mais que mediano que estamos assistindo, que no início empolgou pela inversão de valores mas que depois caiu numa medonha monotonia (com uma certa melhora nas duas últimas provas). Dava para piorar? Dava: afinal, voltamos a questionar a segurança na nas corridas depois do acidente de Felipe Massa, por mais que ele tenha sido uma fatalidade e que o piloto tenha tido muito azar na ocasião.

Mas no meio de tanta carga negativa, talvez tenhamos algo a comemorar. Afinal, não há como ignorar a volta certamente inesperada de Michael Schumacher à F-1. Já na casa dos 40 anos, o alemão foi o escolhido para substituir Felipe Massa enquanto este não volta a correr. O ex-piloto da Jordan, Benetton e Ferrari pode até mesmo correr até o final do ano.

Além de dar uma senhora abafada no repentino abandono da BMW, o retorno do heptacampeão faz com que a F-1 ganhe uma atração a mais e consequentemente esqueça de alguma forma os seus problemas recentes. Isso porque todos vão querer conferir como se sairá aquele que é um dos maiores pilotos que a categoria já viu. Será que ainda tinha lenha para queimar. Será que pode ajudar a Ferrari a manter o bom ritmo que vinha mostrando nas últimas corridas? E pasmem, será que pode bater de frente com seu companheiro Kimi Raikkonen e sonhar com um pódio (vitória já é demais...)?

Tanto os chefões da categoria quanto grande parte dos seus fãs certamente gostaram da ideia. Pode ter certeza que muita gente que não estava acompanhando a categoria voltará a ligar a tv nos fins de semana só para ver como o alemão desprezado por Galvão Bueno em 1991 se sairá. Ele não tem nada a perder: só manchará sua carreira se fizer uma bobagem homérica – e mesmo assim terá a desculpa de que estava parado por muito tempo. E se for bem-sucedido, ganhará ainda mais admiradores e terá um reconhecimento ainda maior. Já pensou como serão os elogios para um piloto que não corria desde o GP do Brasil de 2006 e ainda assim superou as expectativas?

Quem começava a se desiludir com a atual temporada agradece. Essa foi uma das melhores notícias do ano para os amantes da F-1 (EDIT - 31/07 - 15:13: agora percebo que nem todos ficaram tão contentes com a decisão. Então, a notícia foi uma das melhores do ano para grande parte dos amantes da F-1). Exceto para Raikkonen. Se o alemão for competitivo a ponto de superar o finlandês, talvez o fim de linha para o Iceman na escuderia do cavalinho chegue mais cedo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Saudades? Mais ou menos...


Pelo menos em campo, Emerson e Adriano não deixam o torcedor sentir saudade alguma de Obina

Quase 6 meses sem marcar um mísero gol e 2 pênaltis perdidos foram suficientes para acabar com o casamento da torcida do Flamengo com o antigo xodó Obina. Em má fase e justamente criticado, o atacante foi emprestado ao Palmeiras. A mudança de ares não poderia ter um efeito melhor: novamente motivado e com 8 gols no Brasileirão, é um dos vice-artilheiros do campeonato.

O Flamengo poderia estar arrependido no momento. Afinal, depois de falhar ao tentar colocar o atacante em forma, é inevitável um sentimento de inveja ao ver o atacante se destacando em outro clube. Porém, não há tantos motivos para reclamar: primeiro, como foi dito, Obina necessitava dessa mudança de ares para ver se reencontrava seu bom futebol.

E segundo, porque, neste momento, o ataque está longe de ser o problema do time carioca. Adriano e Emerson estão se entendendo tão bem no ataque rubro-negro que ambos não deixam ninguém sentir saudades do Eto’o brasileiro cada vez que ele marca mais um gol pelo Palmeiras: o Imperador também já marcou 8 vezes, enquanto o Sheik da Gávea já marcou 6. Dos 20 gols marcados pelo Fla até agora, nada menos do que 14 foram feitos pelos dois, o que é uma marca expressiva.

E os dois atacantes vêm completando um ao outro em campo. Adriano dispensa comentários: devido ao seu físico, protege a bola como poucos no futebol brasileiro, surpreende em suas arrancadas e finaliza muito bem. Enquanto isso, Emerson vem superando as expectativas demonstrando muita vontade em campo, dando velocidade ao time e sem se esconder para o jogo. Os gols de ambos vêm sendo decisivos: Adriano marcou marcou três vezes contra o Inter e fez gols importantíssimos contra Atlético-PR e Santos, enquanto Emerson salvou a equipe de derrotas para Botafogo e Barueri, além de quase ter dado ao time a classificação para as semifinais da Copa do Brasil.

De principal problema da equipe - teve um desempenho pífio no Carioca - , o ataque virou o setor de destaque do Flamengo. O ótimo desempenho dos dois atuais atacantes faz com que ninguém sinta muita saudade de Obina em campo; e esse sentimento pode continuar se Dênis Marques, que estreará daqui a alguns dias, também corresponder quando tiver sua chance.

Além disso, é bom lembrar que Obina não é um atacante muito confiável. Sem querer cornetar, mas é verdade: sua passagem no Flamengo mostra que ele é um jogador de altos e baixos, que pode ter uma fase em que marca muitos gols (como foi sob comando de Ney Franco) ou pode viver uma verdadeira “seca” dos mesmos (como neste ano ou em partes de 2007 e 2008). Os camisas 10 e 11 do Fla são muito mais confiáveis e constantes do que o “Anjo Negro”, que ainda luta contra o estigma de ter um “prazo de validade”.

Não renegue seu passado, rubro-negro. Você gostava dessa época...

Porém, não há como negar que Obina faz falta no quesito folclore. O baiano obviamente tinha e tem suas limitações, mas seu carisma, sua simplicidade e sua combinação de lances bizarros com gols decisivos criaram uma divertida mística principalmente nas arquibancadas que poucas vezes foi e será vista na história do clube. Nesse aspecto, não há gols de Adriano e Emerson que superem o mito criado em torno do atual camisa 9 do Palmeiras.

Mas como não se pode ter tudo...

Foto: 1ª - www.lancenet.com.br/ 2ª - desciclo.pedia.ws

domingo, 26 de julho de 2009

Uns tentam ressurgir, outros continuam caindo


Depois do susto que o acidente “meio bizarro” de Felipe Massa deu em todos no treino de ontem, a F-1 tentou voltar a normalidade com a corrida na Hungria. Uma prova que tinha tudo para ser extremamente chata, como as últimas duas disputadas em Hungaroring. Até que no final das contas ficou a sensação de que poderia ter sido pior: afinal, houve muitas perseguições na pista e um certo clima de indecisão devido a erros nos boxes e abandonos de alguns dos principais pilotos. Porém, devido ao baixo número de ultrapassagens, a qualidade da prova ficou muito, mas muito longe daquelas disputadas no final dos anos 80 e começo dos anos 90, quando o ponto de ultrapassagem no final da reta principal era bem mais utilizado.

E o que se viu no circuito húngaro foi uma reedição do que acontecia até o ano passado: pilotos das principais e mais tradicionais escuderias da F-1 nas primeiras posições. Numa temporada marcada pelo domínio dos carros da Brawn e da RBR, um surpreendente Lewis Hamilton terminou na primeira posição, seguido por Kimi Raikkonen. O outro piloto da Mclaren, Heikki Kovalainen, ainda terminou na 5ª posição; a Ferrari só não pontuou com outro piloto por causa do acidente de Massa, mas o brasileiro já estava classificado para o Q3 e poderia até terminar numa boa posição hoje.

Lewis Hamilton comemora sua surpreendente vitória. Surpreendente porque poucos esperavam uma vitória de um piloto da Mclaren ainda em 2009

Aliás, alguém esperava que a Mclaren ainda vencesse uma prova nessa temporada? Estariam Mclaren e Ferrari voltando ao seu devido lugar, de principais potências do grid da categoria? O resultado de hoje pode até ser um indício disso, já que a escuderia italiana vinha evoluindo nas últimas provas (é o terceiro pódio da equipe no ano), assim como o novo pacote que a Mclaren deu a seus dois pilotos hoje fez ambos mostrarem um desempenho muito melhor do que aquele das últimas corridas.

Porém, é importante dizer que houve alguns fatores que permitiram o bom resultado de Mclaren e Ferrari. Os pilotos da RBR, por exemplo, tiveram o desempenho de sempre e poderiam incomodar, mas foram prejudicados: Mark Webber teve problemas no pit stop e perdeu a segunda posição para Raikkonen. Vettel teve um dia para se esquecer: se perdeu na largada e ainda teve que abandonar. Além disso, o KERS nunca foi tão fundamental como hoje e mostrou que não deve ser totalmente desprezado: Raikkonen fez uma ótima largada devido a este equipamento, assim como Hamilton, que também o utilizou para ultrapassar o vice-líder do campeonato voltas depois. Como talvez algumas condições que ajudaram as equipes hoje talvez não ocorram no futuro, é bom esperar mais um pouco para conferir a evolução de ambas. Mesmo assim, é inegável que o que foi mostrado hoje dá esperanças às duas para a fase final do campeonato.

Mas se a corrida na Hungria permitiu tirar conclusões de algo, foi que a Brawn GP precisa reagir urgentemente. O clima de Budapeste favorecia a equipe, mas Button e Barrichello foram muito mal, fato que também favoreceu Hamilton e Raikkonen. O brasileiro, que chegou em 10º, ainda tem a desculpa dos problemas no treino que o tiraram do Q3, mas a corrida do inglês, que se classificou mal e lutou contra o carro durante toda a corrida, mostra que a equipe está perdendo em relação as outras no quesito evolução. Tudo que o time inglês conseguiu foi um 7º lugar chorado com o líder do campeonato. O saldo seria muito pior se a RBR também não tivesse problemas hoje; por outro lado, Webber fez outra prova muito regular e cada vez mais assusta.

Por último, menção ao espanhol Jaime Alguersuari, que fez uma corrida correta. Não causou problemas na largada, não fez besteiras, e ainda se aproveitou de um erro do companheiro Buemi para não amargar a última posição na sua primeira prova na categoria. O tempo pode até mostrar que não merece uma vaga por lá, mas hoje não mereceu críticas. Aliás, não entendi porque Galvão Bueno reclamou tanto do espanhol durante todo o fim de semana: ora bolas, a F-1 sempre teve pilotos que claramente não tinham condições de estar lá – o último que me lembro foi Sakon Yamamoto - , como os famosos pay drivers e os que trazem um belo “paitrocínio”; então, porque atacar justo o novato da STR? Será que ele disse o mesmo quando Pedro Paulo Diniz, um piloto que não conquistou quase nada nas categorias menores, entrou na F-1? Deixa pra lá...

A largada, o único bom momento de Fernando Alonso na corrida. O espanhol abandonou depois de um pit stop desastroso que o deixou sem uma roda no meio do circuito. É bom dizer que Alonso talvez não teria um bom resultado hoje, porque até entrar nos boxes não havia aberto uma boa vantagem em relação aos demais para fazer valer sua estratégia de largar com o tanque quase que vazio

Nico Rosberg novamente conseguiu um ótimo resultado e terminou em 4º. O alemão vai fazendo um excelente campeonato depois de corridas iniciais decepcionantes

Curiosamente, numa corrida em que o KERS foi essencial, a BMW, equipe que melhor desenvolveu o equipamento, teve novo desempenho pífio: Heidfeld terminou em 11º, e Kubica, em 13º

Fotos: 1ª/2ª - www.gpupdate.net
3ª/4ª - www.motorsport.com