segunda-feira, 29 de junho de 2009

Quem disse que não haveria teste?

Lúcio, junto com Luis Fabiano, foi o salvador da pátria, ao marcar o gol da virada brasileira

Muitos ficaram extremamente decepcionados quando souberam que a final da Copa das Confederações seria disputada entre Brasil e EUA. Afinal, todos esperavam uma partida entre a seleção canarinho e a temida Espanha, para que a força real da equipe brasileira fosse finalmente testada, algo que parecia que não aconteceria num encontro com a seleção norte-americana. Só parecia...

Um surpreendente início da equipe dos Estados Unidos complicou a tarefa do Brasil e quase fez com que o mundo visse a maior surpresa numa competição de futebol desde que a Grécia conquistou a Euro 2004 ao abrir 2 a 0 em 27 minutos. A Seleção não vinha jogando mal até então; digamos que a atuação era regular. Mas os adversários marcaram através de um gol em que faltou uma marcação mais forte em cima de Dempsey e outro em que provou do seu próprio veneno: um contra-ataque mortal finalizado por Donovan, com direito a belo corte em Ramires.

O primeiro gol norte-americano não desestabilizou o Brasil, mas o segundo sim. Era visível que o golpe havia sido sentido. E se o teste contra a forte e concisa seleção espanhola não veio, a equipe de Dunga havia ganho outro: marcar no mínimo 2 gols furando o forte sistema defensivo dos EUA. Justo o ponto fraco da equipe do jovem treinador.

No primeiro tempo a seleção brasileira não conseguiu fazer isso. A melhor arma eram os chutes de fora da área, mas Howard estava muito seguro. Os cruzamentos tentados eram inúteis, ainda mais com o Fabuloso sozinho na área. Kaká e Robinho estavam discretos, e os outros que tentavam apoiar não estavam bem. Mas no segundo, com uma atuação quase que heróica, conseguiu.

Luis Fabiano fez o que era preciso: marcou o mais rápido possível – em menos de 1 minutos, para ser mais preciso - , para acalmar um pouco os ânimos. O Brasil partiu de forma mais ousada para o ataque (até mesmo deixando espaços na defesa, algo que era preciso no momento), chegou bastante na área adversária, acertou o pé nos cruzamentos e martelou até empatou através de Luis Fabiano, novamente. A virada veio com uma cabeçada de Lúcio, já quase na casa dos 40 minutos. A fama de não conseguir furar times bem armados defensivamente, foi para o espaço desta vez. E desta vez não foi preciso contra-ataques para marcar. Ganhou de uma seleção fraca? Talvez sim. Mas o problema era passar por cima de times que tinham um forte bloqueio, não é mesmo?

Uma vitória em que não houve realmente grandes destaques individuais, a não ser Luis Fabiano, pelos seus 2 gols decisivos e extremamente importantes. Mas isso não quer dizer algo ruim. A seleção brasileira jogou como um grupo unido, sem muito individualismo, e partiu em busca de uma grande vitória, conquistando-a de maneira merecida. Assim como em todo o campeonato, em que nenhum jogador realmente se sobressaiu aos demais. O Brasil saiu com um saldo positivo da Copa das Confederações - claro que persistiu com algumas falhas, mas os acertos foram maiores -, assim como seu técnico e seu elenco e time titular. Mas isso já é papo para outros posts, que espero publicar no decorrer da semana.

Foto: www.lancenet.com.br

sexta-feira, 26 de junho de 2009

As consequências de uma eliminação

Um excelente retrato do jogo: um espanhol inesperadamente caído diante de um norte-americano

- Mas você não falou que a Espanha era a melhor seleção do mundo?

Essa foi uma das frases que tive que ouvir no mesmo dia, assim como no seguinte, da eliminação da Fúria da Copa das Confederações, na última quarta-feira. Uma derrota inesperada, pois muitos já davam como certa a presença da equipe espanhola na final da competição.

Pelo que li e pelo pouco que pude ver, tudo não passou de um dia atípico, em que a Espanha teve a chance de vencer a partida mas acabou vacilando e caindo diante de uma equipe muito disciplinada taticamente e aguerrida. Por mais que o resultado tenha sido decepcionante, nem mesmo essa derrota será capaz de apagar o belo trabalho feito pelos atuais campeões da Eurocopa desde após a Copa de 2006 até agora. Como o critério para se avaliar quais as melhores equipes do mundo é a sua performance naquele momento e não a sua história e tradição, ainda acredito que a Fúria pratica o melhor e mais convincente futebol na atualidade.

Porém, não se pode fechar os olhos para as más consequências que esta derrota trará para a Espanha. Certamente a fama de “amarelão” voltará (na verdade, há aqueles que não se convenceram com a conquista da Euro 08 e se deliciaram com o que aconteceu anteontem): se ela provavelmente retornaria caso o Brasil a derrotasse, imagine perdendo para uma zebra como os EUA, e pior, sem não ter conseguido chegar às finais da competição? Desconfiança será uma palavra que novamente será ligada a seleção espanhola daqui para a frente.

Com a volta da fama, a pressão em cima dos jogadores espanhóis poderá aumentar, principalmente em eventuais jogos decisivos pela Copa do Mundo. É quase impossível pensar que Xavi, Torres e seus compatriotas entrarão em campo numa partida contra equipes tradicionais como Brasil, Itália ou Alemanha sem o peso a mais de provar que não são apenas “queridinhos” da crítica muito menos “amarelões”. Não tem jeito, não haverá como fugir disso justo na competição mais importante do mundo, em que todos os holofotes do planeta estão sobre aqueles 22 atletas que estão em campo. Sem contar que a pressão é maior para quem precisa ajudar sua seleção a ganhar o primeiro título do que para aqueles que jogam por outras já consagradas, campeãs e tradicionais.

Uma vitória na Copa das Confederações seria muito importante para que evitassem tocar neste assunto nos próximos meses que antecedem o maior torneio de futebol do mundo. Já que ela não veio, será essencial que os espanhóis não se abatam, amadureçam com essa derrota fora do script e continuem confiando que ainda formam uma das melhores equipes da atualidade (sem soberba, claro, somente a confiança que cada um deve ter em si mesmo). Caso contrário, todo o trabalho que vem sendo construído pelo menos nos últimos três anos irá por água abaixo em menos de um mês. E então, dá-lhe “Fúria amarelona” de novo...

Foto: gazetaonline.globo.com

domingo, 21 de junho de 2009

O show deve continuar na F-1

OBS: Devido a falta de tempo ( = final de período na faculdade), só volto a atualizar o blog na sexta-feira, falando algo sobre a Copa das Confederações (não vi o jogo da Espanha e nem poderei ver o do Brasil, nem mesmo por VT, por causa de imprevistos). Também não poderei visitar os blogs amigos neste tempo.

No último álbum do Queen com Freddie Mercury (Innuendo), o finado vocalista cantava The Show Must Go On (O Show Deve Continuar, em português), música que contém uma letra que pode ser vista como uma alusão aos seus últimos momentos de vida. Da mesma maneira, num ambiente tenso e marcado pela expectativa de uma brusca ruptura da categoria – embora muitos acreditem que isso não acontecerá – a F-1 continuou seu espetáculo manchado nos últimos dias pela briga FOTA x FIA com o GP da Inglaterra, disputado em Silverstone. No mesmo lugar onde começou, a F-1 pode ter iniciado o seu fim. Bom, vamos deixar esse clima fúnebre de lado e falar da corrida em si.

Corrida perfeita de Sebastian Vettel hoje, premiada com hat-trick: pole, vitória, e melhor volta da corrida.

Ao contrário do que vinha ocorrendo nas últimas corridas, dessa vez não deu Button, nem mesmo entre os três primeiros. Porém, o vencedor de hoje já tinha ganho uma prova em 2009, pois Sebastian Vettel já havia triunfado na China. Portanto, tivemos apenas “meia-novidade” no lugar mais alto do pódio, completado por Mark Webber e Rubens Barrichello.

Na verdade, a referência toda a show feita no início do texto vai por água abaixo se analisarmos a corrida. Muito monótona, com mudanças de posições somente nos boxes e sem disputas no pelotão da frente, restritas apenas aos pilotos que brigavam pela décima-num sei o que posição. Assim fizeram durante toda a prova Hamilton, Alonso, Heidfeld, Kubica e Nelsinho.

Os carros da Red Bull simplesmente sobraram em Silverstone. Vettel e Webber foram imbatíveis todos os dias, e o passeio de ambos hoje foi apenas uma prova disso. O alemão levou vantagem porque conseguiu largar a frente de seu companheiro e porque o australiano perdeu muito tempo atrás de Barrichello até a primeira parada, quando ultrapassou o brasileiro nos boxes e assumiu a 2ª posição. Mas aí já era tarde demais pra tirar a gigante diferença que tinha para o menino prodígio.

Já os carros da Brawn não tiveram o mesmo desempenho de outras corrida. Rubens não conseguiu ser superior às RBRs, além de sempre ser ameaçado de perto por Rosberg e Massa. Jenson Button teve uma corrida decepcionante: largou mal e caiu de 6º para 9º. Reclamando de problemas no carro e sem conseguir pressionar seus adversários durante boa parte da prova, ficou no lucro ao chegar em 6º e conseguir 3 pontos. Mas a verdade é que poderia ter conseguido algo melhor se não falhasse na largada e não tivesse ido mal no Q3. Acabou não repetindo as performances perfeitas de outrora e não indo ao pódio pela primeira vez na temporada justamente em casa.

Fim de semana para o piloto da casa Lewis Hamilton esquecer: largou em 19º após ver sua última volta rápida no Q1 abortada por causa de uma bandeira vermelha e chegou em 16º. Para sua sorte, Button também não conseguiu o desempenho esperado

A Ferrari novamente viu seus dois pilotos pontuarem. Felipe Massa fez ótima largada após sair de 11º para 8º, se deu bem ao apostar num trecho mais longo antes do primeiro pit stop e terminou numa excelente 4ª posição. Pena que as ultrapassagens foram feitas no boxes, o que tira um pouco do brilho desses pilotos que vão bem na corrida por ganharem posições por causa da estratégia nos pits – pelo menos para mim. Raikkonen terminou na 8ª posição, decepcionante por ter feito uma largada tão boa quanto a de Massa, pulando de 9º para 5º; como ele aconteceu o inverso do que ocorreu ao seu companheiro, pois apostou numa primeira parte mais curta e pagou por isso.

Nico Rosberg conseguiu fazer boa corrida e chegou na 5ª posição, levando sua equipe a uma posição decente em casa. Seu companheiro Kazuki Nakajima foi prejudicado por ir aos boxes cedo e não conseguiu pontuar ao chegar em 11º. Má sorte tremenda do japonês, que chegou a andar em 4º nas primeiras voltas

Mais um fim de semana decepcionante para a Toyota: depois de largar em 4º com Trulli e em 8º com Glock, viu o italiano terminar apenas em 7º e o alemão, em 9º

A vitória de Vettel e o fato de Button ter conquistado apenas 3 pontos abre a discussão: será que o inglês não é tão invencível assim? Não é bem assim. Foi a primeira vez que o inglês teve uma atuação abaixo da média, coisa que Vettel já teve em Monaco, na Turquia e nos pontos perdidos de bobeira na Austrália. Rubinho ainda não reagiu. A diferença ainda é muito confortável, e da mesma maneira que o piloto da equipe de Ross Brawn pode perder mais alguns pontos importantes, ele pode administrar bem a vantagem, que é de 23 para seu companheiro, de 25 para o alemão e de quase 30 para Webber. A esperar os próximos capítulos...

De novo, no quase: Fisichella surpreendeu ao fazer uma boa corrida, ter um rendimento consistente e terminar na 10ª posição, depois de uma boa largada

Fotos: www.gpupdate.com

Mudar, talvez não. Ajudar, sim

O texto está sendo publicado depois da ideia do blogueiro Breiller Pires de comemorar o Dia Universal Olímpico com um post sobre o seguinte tema: "o esporte é capaz de transformar o mundo e a sociedade em que vivemos".

É difícil pensar num mundo sendo mudado pelo esporte. Ainda mais quando se percebe a sua condição atual: quantias absurdas cada vez mais gastas em salários astronômicos e sedes de instituições luxuosas, ingressos para assistir torneios pessoalmente cada vez mais caros, altos investimentos para se iniciar uma carreira em determinadas modalidades...ao afastar os mais desfavorecidos e “peneirar” como seguidores aqueles de melhor situação econômica, o esporte se torna cada vez mais outro meio de exclusão. A preocupação com os interesses financeiros de cada um parece se sobrepor cada vez mais a ideia de ver o esporte como instrumento de transformação social.

Além disso, embora seja capaz de unir classes diferentes em eventos grandiosos como a Copa do Mundo e as Olimpíadas, ainda não foi capaz de resolver muitas diferenças históricas. As diferenças entre católicos e protestantes na Escócia e as de origem sócio-econômica entre torcedores de Roma e Lazio, entre outras, nunca foram amenizadas pelo futebol; pelo contrário, por ele foram são ainda mais alimentadas. Assim, acabam criando sentimentos de ódio e agem de maneira violenta ao considerar outros como rivais, fazendo do esporte uma guerra.

Porém, o cenário não é tão negativo. Não há como não perceber o sucesso, por exemplo, dos projetos sociais. No Brasil, são implantados em comunidades carentes, como forma de entreter os jovens que lá moram e ajudá-los a se afastarem dos perigos e problemas que tanto assolam essas áreas. Um projeto de destaque é o do judoca Flávio Canto, medalha de bronze nas Olimpíadas de Atenas-2004, que, após criar o Instituto Reação, leva o esporte que pratica aos jovens de alguns lugares mais pobres do Rio , tendo sucesso na sua tarefa – a campeã mundial júnior de judô em 2008, Rafaela Lopes, saiu de um desses projetos. Com a ajuda de patrocinadores e com uma boa estrutura ao seu redor – o projeto também oferece, dentre outras coisas, aulas de inglês e reforço escolar, dá a chance a pessoas mais necessitadas de crescer na vida e alcançar uma posição na sociedade melhor no futuro.

Infelizmente, ações como essas ainda são isoladas e sem o devido apoio não só no nosso país, mas no mundo todo. Por isso o esporte sozinho ainda não foi nem é capaz de causar mudança neste planeta em que vivemos. Porém, pode se tornar um fator muito importante nessa tarefa, como esse projeto de Flávio Canto e de tantos outros, a partir de outras modalidades, provam, principalmente quando se alia à educação (como foi feito em Cuba) e a outros instrumentos que ajudam os indivíduos a crescerem na vida e a viverem como plenos cidadãos.

Foto: oglobo.globo.com

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Fim de linha

Depois de muito tempo no cargo, Muricy Ramalho foi demitido do São Paulo. Mesmo tendo um ótimo desempenho, o fato de não ter conquistado o tão esperado título na Libertadores em quatro oportunidades pesou. Isso para não falar de um certo desgaste com jogadores...

Não é segredo para ninguém que a cada ano que se inicia o São Paulo estabelece como meta a conquista da Libertadores. Enquanto todos os outros clubes do país lutam pelo título do Campeonato Brasileiro, o tricolor paulista, que monopolizou a principal competição nacional ao vencê-la nos últimos três anos, aposta todas as suas fichas no torneio continental.

É inegável que o clube paulista possui uma estrutura fantástica, a melhor do país, provavelmente. Além disso, se esse ano, ao contrário dos anteriores, não possui o melhor elenco do país, com certeza está no grupo dos cinco melhores. E ainda tinha um dos técnicos mais badalados do Brasil. Ou seja, tudo do bom e do melhor para alcançar seus principais objetivos.

Muricy Ramalho, o tal treinador badalado, tinha total consciência disso. Da mesma maneira, devia saber que estava devendo na competição que seu clube tanto quer ser campeão. Mesmo com o maior tempo do mundo para treinar sua equipe – até porque ficou diversos dias sem jogar após ser eliminado do Campeonato Paulista -, falhou pela quarta vez seguida. E o pior: em todas as ocasiões foi eliminado por uma equipe brasileira, mesmo sendo do mesmo nível ou até mesmo superior ao adversário – o que ocorreu na maioria das vezes.

Muricy sempre compensou a eliminação na Libertadores conquistando o Brasileiro; conseguiu isso treinando a equipe a ponto de torná-la praticamente imbatível no segundo semestre. Não duvido que isso poderia acontecer novamente em 2009, embora o nível da competição seja bem mais alto agora. Porém, o objetivo do clube está bem explícito, assim como certamente ficará no ano que vem. A instituição São Paulo não poderia esperar mais 10 anos até o técnico finalmente levar seu time ao título da mais importante competição das Américas. Então, mesmo sabendo que perdeu um técnico muito competente e que fez um excelente trabalho, não chegou a ser equivocada a decisão do time paulista; afinal, o clube precisa de alguém que seja no primeiro semestre tão bom quanto no segundo. E talvez uma renovação no cargo, desde que eficiente, talvez até faça o futebol da equipe são-paulina melhorar, já que o que foi mostrado nas últimas partidas foi bem insatisfatório...

Foto: www.espn.com.br

quinta-feira, 18 de junho de 2009

Desta vez sem sufoco

Na manhã de hoje, o Brasil derrotou os EUA por 3 a 0 pela Copa das Confederações. Diferentemente do que aconteceu no jogo contra o Egito, foi uma vitória sem sufoco e mais fácil do que se pensava. Tudo só não foi perfeito porque a Itália foi derrotada por Zidan e cia mais tarde, fazendo com que a seleção canarinho não conseguisse a classificação antecipada para as semifinais da competição.

A tarefa se tornou muito mais fácil pelo fato de a Seleção já feito 2 a 0 com 20 minutos de jogo. Aliás, os dois primeiros gols mostraram ao mundo quais são as principais jogadas do Brasil no momento. O primeiro, logo aos 7 minutos, saiu através da bola parada: Maicon bateu falta para o meio da área e Felipe Melo cabeceou para as redes. Já o segundo foi marcado depois de um contra-ataque, eficiente desde os primórdios da era Dunga: depois de um escanteio mal batido pelo adversário, Ramires carregou a bola até a área adversária e tocou na hora certa para Robinho mandar para as redes.

A partir daí, o Brasil fez o certo: apenas administrou o jogo, desta vez sem dar muitas chances para o adversário encostar no placar. Passou a não brilhar em campo, mas soube segurar a bola e atacar no momento certo. E dessa maneira ainda marcou o terceiro, após forte chute de Maicon.

Ramires não se intimidou em campo, participou de dois gols e foi um dos melhores jogadores em campo

Dunga foi muito feliz ao entrar em campo com uma equipe mista: manteve seus principais jogadores no time, como Kaká, Robinho, Luis Fabiano e Lucio e poupou outros para dar uma chance àqueles que já mereciam uma oportunidade na equipe principal, algo que precisava fazer há algum tempo. Dessa maneira, o técnico não teve uma equipe desfigurada em campo e ainda pode ver excelentes atuações de alguns reservas. Ramires participou dos dois últimos gols, foi muito participativo e deu uma bela ajuda a Maicon na direita, não deixando ninguém com saudades de Elano. Já o lateral da Inter de Milão, que já começava a perder seu espaço para Dani Alves, também entrou muito bem, e, tirando proveito da sua excelente condição física, fez talvez sua melhor partida na Seleção, coroada com um gol.

Quanto aos dois outros suplentes que entraram como titulares, não há muito o que dizer. Miranda e André Santos tiveram pouco trabalho e tiveram atuações não mais do que discretas. O lateral, em quem se depositava muita expectativa pelo fato de poder roubar a vaga de Kléber, não apareceu tanto, nem mesmo no ataque, até porque as jogadas se concentraram mais pelo lado direito. Portanto, é cedo para julgar se o corintiano deve assumir a vaga de titular.

Mesmo atuando contra um adversário que decepcionou (esperava-se muito mais da seleção norte-americana, principalmente por causa da sua usual eficiente marcação), não se pode deixar de elogiar a boa atuação da seleção brasileira, que convenceu principalmente durante os minutos em que a diferença no placar ainda não era confortável. Assim, a equipe ganha ainda mais confiança para os próximos jogos, e apaga a má impressão deixada pelo ocorrido no segundo tempo do jogo contra o Egito. E acima de tudo, Dunga agradece.

Foto: www.lancenet.com.br

terça-feira, 16 de junho de 2009

A culpa é de quem?

No meio de uma temporada repleta de altos e baixos, o Flamengo volta a se encontrar em crise. Duas derrotas humilhantes no Campeonato Brasileiro, em partidas em que time de Cuca esbanjou ineficiência e falhas defensivas, foram suficientes para que o clima tenso voltasse a Gávea. Só que desta vez o sinal de alerta pisca com maior intensidade. Afinal, o time ainda não conseguiu convencer este ano, nem quando conquistou o Carioca, e a paciência do torcedor já está se esgostando.

Time/elenco, técnico, dirigentes...praticamente todos no clube estão cometendo alguns deslizes no momento que no conjunto da obra comprometem o rendimento do Flamengo e campo. Por que então estão atrapalhando tanto a performance do time?

O momento atual de Juan e Bruno mostram que as coisas não vão nada bem no Flamengo. Antes cotados até mesmo para serem convocados para a seleção brasileira, os dois estão em má fase, bem longe de seus melhores momentos com a camisa rubro-negra

Time/ Elenco – A queda de produção da equipe rubro-negra recaiu sobre todos os setores, sem exceções. A começar pelo gol: Bruno não é o mesmo que esteve em ótima forma nas finais do Carioca: dos últimos 9 gols que sofreu, falhou em pelo menos 4. Na zaga, Airton e Willians se destacam mais pela violência e o garoto Wellinton faz partidas desastrosas quando começa como titular. Ronaldo Angelim, como esperado, sente a ausência de Fábio Luciano. Ao lado do agora aposentado zagueiro, o camisa 4 subiu de produção absurdamente; agora, embora não comprometa tanto, não vem tendo o mesmo rendimento.

O Flamengo também sofre com a má fase de duas de suas principais peças ofensivas. A queda de rendimento de Léo Moura não parece ter fim: o lateral direito peca por carregar demais a bola e ser ineficiente com ela nos pés, raramente chegar a linha de fundo e se descuidar da marcação. Juan, que parece cada vez mais desinteressado em campo, também vai mal. Assim, a responsabilidade de armar as jogadas cai nos pés de Ibson, que até tenta, mas não consegue fazer tudo sozinho. Dessa maneira, a bola pouco chega ao ataque, o que acarreta nas atuações de Adriano e Josiel dignas de papel entre Gasparzinho e sua turma.

Além disso, o banco de reservas não está conseguindo dar o suporte necessário ao time principal: Jonatas e Zé Roberto só fazem número no banco e não parecem se esforçar para serem titulares. Everton e Erick Flores pecam pela inexperiência e irregularidade e Everton Silva, embora sempre entre com muita vontade, não passa de um lateral limitado. Já Maxi...

Treinador – Embora seus jogadores não correspondam em campo, Cuca também é culpado pelo momento atual do Flamengo. O treinador insiste no manjado desde o ano passado esquema de três zagueiros e dois volantes para que os laterais tenham liberdade para atacar. Porém, mesmo com tantos jogadores de características defensivas, a defesa possui buracos, e com a má fase dos alas e conseqüente falta de criatividade da equipe, os atacantes ficam isolados. Ainda que os problemas persistam desde o começo do ano, o ex-técnico do Botafogo pouco mexeu na formação, e quando fez isso, não houve mudanças significativas.

O zagueiro Wellinton pode até já ter participado de competições com a seleção brasileira sub-20, mas vem se queimando no Flamengo com atuações ruins e falhas infantis . Porém, isso não é suficiente para que Cuca preserve o garoto; pelo contrário, o jovem zagueiro continua entrando regularmente na equipe, e volta e meia compromete a equipe

Isso sem contar que vem insistindo demais em alguns jogadores que não rendem. Por exemplo, mesmo sendo visível que Wellinton comete erros infantis pela sua inexperiência, sempre o coloca para jogar, prejudicando seus sistema defensivo e queimando o jovem zagueiro. Antes, insistia tanto em Obina que parecia colocá-lo em campo somente por ter pena do atacante. Resultado: prejudicava o time com sua a chuva de gols perdidos. Também insiste nos laterais que não vem bem. Porém, essa questão foge dos seus poderes, como será dito a seguir.

Dirigentes – Que a maioria dos dirigentes do Fla são verdadeiros fanfarrões todo mundo já sabe. Só que agora estão com o péssimo agravante de passar a mão na cabeça dos jogadores. Adriano, por exemplo, claramente recebe regalias no clube, falta aos treinos, e não é punido. Juan já brigou com o preparador físico, arrumou confusão em treinos, fez cara feia ao ser bem substituído e chiou. Mas também ninguém fez nada. Além disso, Kléber Leite e cia não dão o suporte necessário para Cuca fazer algumas mudanças (= barrar jogadores). Respaldo ao treinador parece passar longe na Gávea.

Depois dos dois últimos vexames, todos prometeram que as coisas vão mudar. Mas sem vontade dos jogadores (a de muitos parece ter ido para o espaço), sem mudanças do treinador (talvez precise de algumas até mesmo radicais) e sem a ajuda significativa dos dirigentes, pouca coisa vai mudar. No momento, todos precisam se unir, entender seus erros, e, com sinceridade e atitude e não somente com discursos da boca para fora, treinar (é treinar mesmo, não fazer recreativo) e conseguir resultados expressivos.

O problema é que o Flamengo é o time do oba-oba. Uma vitória contra um Internacional com a cabeça na Copa do Brasil no próximo domingo e já vão achar que tudo está bem...

Fotos: 1ª - www.lancenet.com.br/ 2ª - www.flamengo.com.br