segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

Azar de novato


E já faz uma semana que a Renault apresentou seu novo carro e sua nova dupla de pilotos para 2010. Pouco se falou sobre Robert Kubica, muito se falou sobre Vitaly Petrov, muito se falou sobre a nova pintura do carro da equipe (aliás, pintura belíssima, até porque acaba com a monotonia do excessivo uso da cor branca nos carros da F1 atual)...mas o que se falou sobre Romain Grosjean?

Pois é. O franco-suiço parece ter sido “expulso” da escuderia sem a menor cerimônia. Mas vamos ser sinceros: já parecia bem claro que Grosjean não permaneceria na equipe. Os boatos de que seria substituído já no GP do Brasil do ano passado e o fato de seu nome praticamente não ser lembrado pela própria Renault quando questionada sobre quem seria o companheiro de Kubica evidenciavam isso.

É verdade que seu desempenho na F-1 não colaborou para que o piloto tivesse seu talento reconhecido. Em 7 corridas, tudo o que conseguiu foi posições de largada muito ruins, momentos pífios na pista e causar temor nos outros pilotos, pois volta e meia se envolvia em confusões; além, é claro, de ter sua habilidade questionada e virar chacota após bater no mesmo lugar em que Nelsinho Piquet detonou seu carro em Cingapura. Enfim, um desempenho nada elogiável.

Romain Grosjean numa típica cena no ano passado...

Mas é estranho ver que Grosjean teve tão pouco sucesso na F-1 mesmo tendo tido um currículo de respeito até chegar à maior categoria do automobilismo. Foi campeão da F-3 Europeia e fez duas temporadas muito boas na GP2, com corridas de muito destaque. Mostrava ser um bom piloto e era bem agressivo, embora fosse um pouco estabanado, algo que ficou muito visível ao mundo todo no ano passado. Ou seja, não era tão mal piloto para se sair tão mal na F-1.

Mas há algo que parece ter sido determinante para seu fracasso em 2009: Grosjean foi estrear na categoria justo em um carro extremamente difícil de guiar. Um carro que somente um excelente piloto – Fernando Alonso, talvez o melhor da atualidade –, conseguia guiar (e mesmo assim precisando de todo o suporte possível da equipe). Um carro que quase queimou Heikki Kovalainen e que queimou Nelsinho Piquet, dois pilotos de muito destaque também na GP2. E por que, não, um carro que por pouco não queimou Lucas Di Grassi: isso só não ocorreu porque ele não chegou a pilotá-lo em corridas oficiais, mas o brasileiro reconheceu que era um bólido muito instável, que aumentava as chances dos pilotos cometerem erros e que talvez tenha sido bom não ter pego aquela verdadeira bomba justo para estrear na categoria.

É verdade que Grosjean, mesmo tendo um bom currículo que o creditasse a ter sucesso na F-1, poderia ter tido o mesmo pífio desempenho caso estreasse por outra equipe mediana. Poderia ter sido o mesmo desastre numa Williams, numa Toyota ou numa Toro Rosso. Porém, a já reconhecida fama dos últimos carros da Renault de queimar (ou pelo menos tentar queimar) pilotos iniciantes, justamente pelos seus carros difíceis de serem domados, mostra que a grande causa insucesso do franco-suiço deve ter sido por bomba que era o primeiro carro que pode dirigir. Embora bom piloto, Grosjean era um piloto muito suscetível a erros: logo, pilotar um carro que dava margem a erros era uma combinação bem perigosa justo no seu primeiro ano. E foi.

Infelizmente, a F-1 não costuma reparar injustiças. Nelsinho Piquet comeu o pão que o diabo amassou e está tentando reconstruir a carreira na Nascar. Romain Grosjean vai ter que se virar para provar que uma injustiça cometida contra ele também. Só não sei como.


Ameaça tripla – O escolhido para o lugar de Romain Grosjean, como já foi dito, é o russo Vitaly Petrov. Porém, talvez não esteja sendo muito bem visto pelos fãs da categoria: o novato chegou com 15 milhões de euros no bolso, fato que facilmente remeteu à época dos famosos “paydrivers”. Além de pagar para pilotar, geralmente eram bem fracos.

Vitaly Petrov ao lado de Romain Grosjean e Lucas Di Grassi, quando corriam na GP2, no pódio do GP de Monaco de 2009 (obs: viu que o Grosjean ganhava mesmo corridas por lá...)

Coisa que, pelo que mostrou nos dois últimos anos na GP2, não é. Depois de dois anos sem muito brilho, Petrov foi um dos que mais cresceu na categoria, sendo o vice-campeão da temporada passada. Foi um dos poucos que provaram que poderiam entrar na F-1, sendo facilmente batido por Hulkenberg mas batendo nomes como Lucas Di Grassi, Álvaro Parente, Pastor Maldonado e Kamui Kobayashi (esse, surpreendentemente, teve passagem nula por lá) com certa tranquilidade.

Porém, como qualquer um, terá de provar que tem condições de permanecer na categoria. Para isso, terá de domar uma Renault que ninguém sabe como está – talvez continue pronta para queimar novatos –, e terá de superar a desconfiança de todos. Mas antes fosse só isso. Todos sabemos que há um certo narrador em terras brasileiras que adorar pegar no pé de certos pilotos. E Petrov parece uma isca perfeita: um novato que certamente entrou porque tinha muito dinheiro. A princípio, típico estereótipo de um piloto fadado ao fracasso.

Não quero nem ouvir as primeiras críticas se já cometer um erro grave no Bahrein…

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010

Sob outra ótica


Nos últimos tempos – mais precisamente desde o ano passado – estamos presenciando um fenômeno curioso: a volta cada vez maior, assim como cada vez mais prematura, das grandes estrelas brasileiras que se encontravam no exterior. Um fenômeno que começou a se intensificar com a ida de Ronaldo para o Corinthians e chegou às raias do impensável na última semana.

Com a volta de Robinho para o Santos (quem te viu, quem te vê...), temos agora os quatro atacantes quem foram para a Copa do Mundo de 2006 defendendo a seleção brasileira (Ronaldo, Adriano, Robinho e Fred) de volta ao país de origem justo no ano da Copa seguinte àquela disputada na Alemanha. Algo no mínimo curioso e que suscita diferentes interpretações.

Volta de Robinho é positiva para o futebol brasileiro, mas também é cercada de aspectos negativos típicos dos jogadores brasileiros

A positiva é óbvia: a volta dos jogadores “infelizes” – desculpa padrão dada pelos brasileiros para voltar ao país natal – aumenta o nível dos campeonatos aqui disputados. Jogadores bem mais talentosos disputam torneios em terras brasileiras e os deixam muito mais atraentes aos torcedores, que até se sentem mais motivados não só a assistí-los pela tv como a ir aos estádios somente para acompanhá-los.

Mas obviamente há a negativa. E ela não só pode, como é bem cruel. Como já foi discutido aqui, isso só mostra uma cada vez mais típica falta de profissionalismo dos jogadores brasileiros quando se encontram em situações adversas. Uma característica que cada vez mais queima o filme dos jogadores daqui.

O caso dos brasileiros citados anteriormente ilustra muito bem isso: Fred voltou com 25 anos e Robinho e Adriano, com 26. Todos com com muito tempo para jogar lá fora, serem contratados e brilharem por grandes times e conquistarem a Liga dos Campeões, ponto alto de qualquer jogador que joga na Europa. Só não incluo Ronaldo neste grupo porque já havia passado mais de 10 anos jogando em grandes clubes europeus, e, mesmo tendo alguns momentos de menor sucesso, fez bem o seu papel por lá– só não conseguiu conquistar a UCL.

E por que voltaram? Por motivos bem bobos. Desentendimentos com treinadores e companheiros de equipe, falta de oportunidades no time titular – sejam elas injustas ou não –, saudades do Brasil (assim como das farras e regalias só aqui vistas), inadaptação ao clima local…todos esses motivos e mais outros que no final se resumem a tal “infelicidade” já citada anteriormente. Ao invés de lutarem por um lugar no time principal, reverterem o jogo e conquistarem a confiança do treinador, entendendo essas dificuldades como algo que faz parte da caminhada para o sucesso no exterior, fazem justamente o contrário: batem o pé como se fossem crianças até conseguirem seus objetivos, criando situações extremamente frustrantes para os donos de clubes. Afinal, pensem no presidente da Internazionale tendo de liberar Adriano após apostar por dois anos na recuperação de uma ex-estrela da equipe? Ou no dono do Manchester City perdendo Robinho por um tempo depois de contratá-lo com status de estrela principal do time? Complicado, não?

Não quero passar a imagem de que sou totalmente contra a volta dos jogadores ao Brasil; de certa forma, é bom tê-los de volta, pois saem tão cedo que muitas vezes nem mostraram aos brasileiros o que podem render. O objetivo é ser contra a sua volta prematura e que se dá por motivos bobos, que sugerem falta de profissionalismo que cada vez mais caracteriza os brasileiros lá fora. E infelizmente isso é algo que não deve acabar tão cedo; na verdade, a volta tão cedo destes quatro atletas consagrados mostra que é até mesmo piorar.

terça-feira, 26 de janeiro de 2010

Um resultado que serve de alerta


Sempre percebemos fenômenos curiosos no início de temporada aqui no Brasil, onde os Estaduais sempre são disputados antes do campeonato nacional. Se um time começa de forma arrasadora, logo se apressam em dizer que o momento vivido por tal time pode ser enganador, já que este é um momento em que muitos times ainda estão se encontrando; se começa mal, as críticas logo começam a pipocar por todos os lados. Se fazer colocações deste tipo é justo ou não, eu não sei, mas é um assunto que deve ser discutido em outra oportunidade. Fato é que, se uma equipe com um mínimo de tradição começa mal, ela deve abrir o olho – ainda mais quando se perde para um arquirrival pelo placar de 6 a 0.

Se o Botafogo, por não ter convencido nos jogos que disputou contra Macaé e Friburguense, ainda era visto com desconfiança pelos seus torcedores, imagine após a goleada sofrida para o Vasco no domingo. O que se viu em campo não era um time, mas sim um bando. Uma equipe completamente desorganizada, que não sabia colocar a bola no chão, apelava para os chutões e não conseguia acertar sua marcação nem nos momentos em que o adversário tirava o pé do acelerador. E nem adianta colocar a culpa exclusivamente em Eduardo: embora tenha sido expulso muito cedo, a equipe alvinegra já perdia por 1 a 0 e já dava sinais de que estava completamente bagunçado em campo. Enfim, foi um resultado que expôs os problemas do alvinegro carioca até este momento.

De qualquer maneira, não adianta mais lamentar pelo resultado trágico; resta somente pensar no que fizeram de errado até agora e trabalhar para que isso não aconteça. Ainda há muito tempo para isso, nem que se tenha que esquecer o Carioca e pensar já no Brasileiro ou na Copa do Brasil. A diretoria já tentou se mexer demitindo o técnico Estevam Soares.

Sim, é verdade que pode ter sido uma atitude injusta; na verdade, até mesmo uma atitude da diretoria mostrando que não aceita mais vexames, quando o certo seria apoiar o treinador e reconhecer que todos foram muito mal no clássico contra o Vasco, e não pegá-lo como bode expiatório. Porém, não é um dos maiores pecados do mundo demití-lo: mesmo não tendo um elenco muito bom em mãos, Estevam teve uma passagem não mais que razoável, sem muito brilho, pelo clube e até mesmo nos deixou perguntando se não era melhor terem mantido Ney Franco em meados do ano passado.

Resta agora ao novo técnico, Joel Santana, figura clássica no cenário carioca, assumir o comando da equipe. E ele já terá muito trabalho, e provará com isso que demitir o técnico não era a única solução. Isso porque, em míseros três jogos, o Botafogo já mostrou que possui um elenco fraco – talvez pior do que o do ano passado. Parece que o clube não aprendeu a lição do ano passado e ainda não conseguiu os reforços necessários para montar um bom time. Herrera, Antonio Carlos, Renato e Somália até parecem ser úteis, mas não serão suficientes. E depositar todas as fichas em “El Loco” Abreu, um jogador consagrado na seleção uruguaia mas que nunca se firmou em clube algum na Europa, é uma atitude arriscadíssima, ainda mais quando a torcida o eleva ao status não só de ídolo como também de craque da equipe.

Aliás, o Botafogo precisa fazer uma análise profunda do seu elenco. Há jogadores que estão extremamente desgastados no clube e que não rendem mais nada – se é que já renderam. Alessandro não joga bem há tempos e cada vez mais é vaiado pela torcida; o lateral não consegue mais se acertar no clube assim como Lúcio Flávio, que também não é visto com bons olhos pela torcida e não consegue reeditar as boas atuações de 2006 e 2007, estando muito longe daquele que já foi considerado o maestro do time. Fahel é um volante que não faz nada de útil em campo, a não ser muitas faltas. E não entendo como a diretoria ainda não cansou de dar chances ao volante-zagueiro-lateral-mas que não faz nada de útil Eduardo.

Joel Santana deve estar rezando para o Botafogo conseguir bons reforços. Porque se não conseguir...

Diante de tantos problemas, o ex-treinador da África do Sul terá que quebrar a cabeça para montar uma boa equipe. Deverá ter como missão não só arrumar o time como também acertar o sistema defensivo da equipe, o que parece uma questão de honra para o clube no momento, já que é o setor fragilizado após a goleada sofrida no domingo. Talvez este não seja um grande problema para o comandante, já que é conhecido justamente por arrumar sua defesa para depois pensar no ataque. O problema maior talvez será conseguir reforços; não qualquer um, mas sim de qualidade. Isso porque o Botafogo vem adotando desde o ano passado uma política de reforços baratos. Uma política até louvável, mas perigosa e que quase rendeu ao clube sua segunda queda para a segunda divisão. Se o clube continuar adotando tal medida e só pechinchar no mercado, pode acabar tendo um destino pior em 2010, já que o elenco atual, em poucas partidas, já mo strou que não é bom o suficiente para fazer uma boa temporada.

Foto: esportes.terra.com.br

domingo, 20 de dezembro de 2009

Um até logo

Não, eu não desapareci. Ainda estou vivo. Mas reconheço que fiquei sem tempo (e também sem vontade) para postar no blog nas últimas semanas. O mesmo blog que esteve muito perto de acabar.

Alguns já sabem, principalmente aqueles que me seguem no Twitter, que eu estudo para passar em um concurso público. Desde outubro, quando me formei, intensifiquei ainda mais os estudos – e nessa mesma época percebi que estava começando a participar cada vez menos da blogosfera. E agora que surgiram alguns concursos atraentes, dedico praticamente todo meu dia aos estudos: além de estudar em casa, estou frequentando dois cursos.

Quando entrei nessa nova rotina, botei na cabeça que deveria acabar com o blog, já que não teria mais muito tempo para me dedicar a ele tanto no presente quanto no futuro – a tendência daqui para a frente é estudar quase o dia todo mesmo. Cheguei até a comentar isso com alguns colegas no MSN. Mas pensei melhor e fiquei com medo de me arrepender depois. Então, decidi dar um tempo, parar por aqui nesse ano e voltar a escrever somente em janeiro.

Porém, esta página não será como antigamente. Postarei apenas uma vez por semana – com alguma sorte, duas vezes. Como mantenho o blog sozinho, essa foi a maneira que achei para mantê-lo, embora eu não tenha gostado muito da ideia inicialmente – para falar a verdade, achava que isso era quase o mesmo que deixá-lo às moscas; sem contar que, do mesmo jeito, teria pouco tempo para visitar os blogs amigos. Mas como ainda gosto de escrever por aqui, vou tentar me adaptar a essa nova rotina.

De qualquer maneira, desejo boas festas a todos e um muito obrigado a todos que acompanham desde fevereiro de 2008. Sem citar nomes, do mesmo jeito que fiz no ano passado, porque eu tenho medo de ser injusto com alguém. Quem participou da história deste blog sabe que está incluso neste grupo.

Nos vemos em 2010. Não da maneira que eu queria, mas do único jeito possível para manter o blog vivo.

Ateh!

OBS: Nunca é tarde para dizer isso: ainda aceito os parabéns por ter sido campeão do Brasileirão 2009. E um parabéns a todos os meus amigos rubro-negros Wilson Herbert, Leandro Montianele, Marcos Antônio, Marcelonso e Tati Coimbra. E claro, uma menção honrosa ao Bruno Santos, que, no fundo, é rubro-negro.

segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Sem um finalizador nato, a tarefa pode ser mais difícil

Quando Emmanuel Adebayor resolveu deixar o Arsenal rumo ao Manchester City, achei que a diretoria do clube londrino estava cometendo um erro. Liberando o togolês, além de perder um dos seus principais atacantes, Arsene Wenger estaria perdendo o seu principal homem de área.

Pois bem, naquela época estava decidido a escrever um post sobre isso. Porém, ao navegar no site da BBC, onde sempre procuro por notícias e análises do futebol inglês, fiquei confuso. Os torcedores do Arsenal não estavam tão preocupados com a saída do atacante: primeiro, porque não gostavam tanto de sua personalidade; segundo, porque achavam que tinham atacantes a altura para substituí-lo. Entendi o primeiro motivo, mas não engoli muito bem o segundo: o outro homem de área da equipe, Nicklas Bendtner, não é dos mais confiáveis, e os outros da mesma posição me davam a impressão de que o ataque do time ficaria leve demais. Ainda assim, me deixei levar por aquelas opiniões e resolvi não dedicar um post à saída de Adebayor sem a devida reposição – embora estivesse um tanto intrigado com isso.

Na Premier League, Adebayor marcou 5 vezes, 2 a menos do que o artilheiro do Arsenal na competição, o holandês Van Persie. Ainda assim, o togolês faz falta na equipe de Arsene Wenger

É…mas estou cada vez mais convicto de que deveria ter escrito aquele post. Ainda mais depois da partida entre Arsenal x Chelsea. Em pleno Emirates Stadium, os Gunners foram derrotados pelo justo placar de 3 x 0. O Chelsea aproveitou suas chances e a fragilidade do setor mais fraco do rival – a defesa – para vencer o clássico londrino. E os donos da casa, o que fizeram? Tentaram ir para o ataque a todo custo, mas sem referências na área (Bendtner estava machucado), rodava a bola, chegava até a grande área adversária e lá não conseguia penetrar, tampouco finalizar – tanto que Cech pouco trabalhou.

Acompanhando a partida, deu para perceber que a saída de Adebayor tirou uma forte opção de jogo da equipe de Arsene Wenger: o ataque do Arsenal ficou leve demais, como eu já temia. Arshavin, Walcott e Vela jogam pelas pontas e van Persie, que vem atuando mais centralizado, não é o homem ideal para atuar nessa faixa do campo, até porque, como os outros já citados, não possui porte físico para encarar o jogo lá dentro da área. Eduardo poderia ser o substituto ideal, mas, apesar de ser um atacante útil, não me parece o jogador certo e confiável para grandes jogos – jogos contra Man Utd e Chelsea, por exemplo, para os quais o Arsenal já perdeu nessa temporada. Já Bentdner não vem sendo tão usado (e inclusive já foi usado como ponta, onde – pasmem – se saiu bem). E vamos combinar uma coisa: ainda “verde”, o dinamarquês gosta de perder gols…

Não que a venda de Adebayor tenha sido um desastre. O número de gols marcados pelo Arsenal mostra isso: em 12 jogos na Premier League, marcaram 36 vezes; por causa dessa marca, possuem o melhor ataque da competição. Os seus vários placares elásticos provam que o ataque, agora muito habilidoso, continua tinindo. Mas a saída do agora jogador do Manchester city, ainda mais sem reposição, pode ter prejudicado sim o time. E o fato de ter perdido as três partidas que disputou na Premier League contra equipes superiores ou do mesmo nível – contra Man Utd, Chelsea e Man City – pode ser uma prova disso. Atuando contra defesas mais fortes e tendo um ataque talentoso mas sem um homem tipicamente finalizador e de maior força física, este setor dos Gunners encontra mais dificuldades para entrar na defesa adversária, finaliza pouco e ajuda o time a perder o jogo – claro que também por ter outros problemas, como ter um time jovem demais e sem tantas opções no banco.

Ainda há como Arsene Wenger resolver isso, mas talvez ele não encare tal coisa como um dos principais problemas de sua equipe; na verdade, talvez nem encare isso como um problema. Contratar alguém deve ser a melhor solução, porque talvez não se encontre um jogador promissor com essas características na base. E é aí que a situação fica crítica: o treinador francês não é daqueles que costuma abrir a carteira para fazer grandes contratações, ainda mais na metade da temporada. Faria ele isso agora? Eu acho que não.

Foto: www.guardian.co.uk

quinta-feira, 26 de novembro de 2009

E agora, Fluminense?

O Fluminense até poderia esperar um resultado negativo no Equador, mas não uma goleada de 5 a 1. Por isso o abatimento é compreensível

A fase do Fluminense era maravilhosa. O tricolor carioca não perdia desde o começo de outubro e vinha conseguindo uma reação improvável no Campeonato Brasileiro. Antes decretado rebaixado, já se imaginava até ver a equipe das Laranjeiras fora da zona da degola, ainda mais após vitórias heróicas contra times poderosos como Palmeiras e Cruzeiro. Quem diria...

Enquanto isso, a campanha vitoriosa e não menos improvável na Sul-Americana servia como combustível para o clube carioca. Sem perder e conseguindo alguns resultados inesperados, a boa fase vivida na competição continental só servia para aumentar a auto-estima dos jogadores.


Só que ontem o time perdeu para a LDU. E não foi uma derrota qualquer. Se perdendo em campo a cada gol tomado, como se estivesse rezando para a partida terminar, o Flu perdeu por 5 a 1 fora de casa e agora vê o título do torneio bem distante – é verdade que a equipe vem se destacando por conseguir reverter placares de maneira épica, mas tirar uma diferença de quatro gols não será fácil mesmo.


E agora fica a pergunta: qual será a reação do Fluminense depois dessa derrota? Antes, o clube via a conquista da competição como um bônus para a sua recuperação no Campeonato Brasileiro; ou seja, não era (e nem é) a prioridade dos tricolores, mas engrandeceria ainda mais uma possível milagre no Brasileirão. Deixaria a novela tricolor com roteiro de cinema.


Mas agora o resultado obtido na Sul-Americana pode surtir efeito contrário ao que vinha fazendo ultimamente. A derrota foi tão pesada e decepcionante que pode abalar a moral do elenco – é verdade que era um jogo de outra competição, mas a goleada interrompeu uma série de nada menos do que 13 partidas sem perder. Isso certamente deixa a equipe no mínimo incomodada, ainda mais uma formada por muitos jovens. E eu ainda tenho minhas dúvidas de como um técnico como Cuca fará para recuperar a moral de seus jogadores...


Só iremos saber como o elenco reagirá a essa derrota no próximo domingo, em outra partida decisiva pelo Brasileirão, contra o Vitória no Maracanã. O apoio da torcida, assim como a atitude dos líderes da equipe, será fundamental, para que o time não se sinta abandonado neste momento delicado. Mas uma coisa é certa: por mais essa dificuldade na sua árdua luta contra o rebaixamento, o Fluminense não esperava.

Foto: www.lancenet.com.br

segunda-feira, 23 de novembro de 2009

Qual Corinthians enfrentará o Flamengo?

O Flamengo certamente teve a sua grande chance de assumir a liderança do Campeonato Brasileiro, mas não conseguiu aproveitá-la. O time parece ter sentido a pressão de ter que ganhar o Goiás num Maracanã lotado após o Botafogo derrotar heroicamente o São Paulo; fez um mal primeiro tempo, não conseguiu marcar o gol salvador no segundo e acabou tendo um empate frustrante com a equipe de Hélio dos Anjos.

Estando agora a um ponto do ainda líder São Paulo, o Flamengo precisa, na próxima rodada, derrotar o Corinthians fora de casa - um empate pode deixar o time carioca numa situação complicada caso o tricolor paulista vença o Goiás no Serra Dourada. Porém, a pergunta que fica é: qual Corinthians a equipe rubro-negra enfrentará dia 29?

Assim como o Goiás, que já conseguiu complicar a vida do Fla, o Corinthians é um time que não tem muito o que fazer no Brasileirão - já está classificado para a Libertadores do ano que vem e entendeu que não possui chances de título há um bom tempo. Isso faz com que o time jogue sem a obrigação da vitória, o que é bom pelo fato do time jogar mais leve e sem tanta pressão, mas que também é ruim por deixar o time descompromissado (no sentido negativo da palavra) em campo.

É difícil saber qual Corinthians entrará em campo. Há vezes em que a equipe de Mano Menezes sofre derrotas inesperadas - como quando perdeu em casa para Atlético-PR e Náutico por 3 a 1 e 3 a 2, respectivamente. Porém, também é capaz de conseguir resultados positivos quando menos se espera, como quando derrotou o Vitória por 1 a 0 fora de casa ou quase arrancou uma vitória do Palmeiras. Ora a equipe entra motivada, ora não. E há também as ocasiões em que o treinador resolve fazer várias experiências e entra em campo com um time bem diferente do normal.

O antes rubro-negro Ronaldo pode acabar com o sonho dos ainda torcedores do Flamengo

Por ser um time tão previsível, o Flamengo precisa tomar muito cuidado para não se complicar ainda mais nessa reta final. O Corinthians tem time para dificultar a tarefa dos comandados de Andrade - principalmente se Ronaldo jogar não que ele vá atuar bem por querer responder às provocações dos torcedores rivais, mas porque é bom mesmo). Portanto, a equipe rubro-negra não pode cair no papo de que o Corinthians vai tirar o pé do acelerador porque não tem mais o que fazer na competição - o Goiás também não tinha e olhe só o que fizeram com o Fla...

Foto: esportes.terra.com.br