quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Novos protagonistas?


Foi só chegar a reta final do Brasileirão que várias pessoas começaram a fazer previsões para as últimas rodadas pegando a tabela de alguns times – eu mesmo fiz isso com Cruzeiro e Flamengo recentemente. Uns acham legal e curioso fazer isso, outros acham uma verdadeira bobagem, já que o melhor é esperar os jogos acontecerem e as surpresas aparecerem.

De certo modo, concordo com ambas as opiniões. Mas ainda assim dei uma olhada na tabela de vários clubes e constatei que há dois que poderão ser a pedra no sapato dos seis times que brigam pelo título (sim, eu considero o Cruzeiro candidato, embora azarão). Nas próximas sete rodadas, Goiás e Grêmio enfrentarão quatro dos seis que lutam pelo título do Brasileirão. E por isso, poderão decidir o título, “ajudando” ou atrapalhando aqueles que ainda lutam para ser campeão.

Depois de fazer pouco pelo Goiás até agora, pode ter chegado a hora de Fernandão realmente começar a ajudar seu clube. E ajudar ou atrapalhar outros também

A equipe de Paulo Autuori receberá São Paulo e Palmeiras e deixará o Sul para enfrentar Cruzeiro e Flamengo. Já os comandados de Hélio dos Anjos viajarão para jogar contra Palmeiras e Flamengo e disputarão partidas em casa contra Atlético-MG e São Paulo – embora em certas ocasiões a equipe que chega no Serra Dourada como visitante se sinta em casa.

Na verdade, outras equipes farão o mesmo papel das duas equipes citadas acima: o Sport enfrentará quatro das seis equipe deste “G6” e Botafogo, Barueri, Corinthians e Fluminense enfrentarão três. Porém, por causa do momento particular de cada uma destas equipes, não creio que elas serão um grande empecilho para os candidatos ao título, já que não estão entre os adversários mais fortes no momento – alguns são os mais desesperados, isso sim.

Porém, Grêmio e Goiás ainda poderão incomodar bastante. Primeiro, porque o maior trunfo de ambos é que ainda surgem pelo menos como azarões a uma vaga no G4 e provavelmente farão de tudo para conseguir alcançar este objetivo, já que o título parece distante – mais para os gaúchos do que para os goianos. E segundo, porque são difíceis de serem batidos: o Grêmio é fortíssimo em casa, enquanto o Goiás geralmente faz jogos duros – tanto que foi assim que surpreendeu e fez belíssima primeira metade de campeonato.

O que joga contra é que o primeiro tem um desempenho pífio fora de casa (a esta altura do campeonato, se Flamengo e Cruzeiro não vencerem o Grêmio em seus domínios, irão se complicar feio), e o segundo vem tão mal atualmente que, se apenas o segundo turno fosse considerado, estaria na zona de rebaixamento. E o pior de tudo é que o time vem jogando mal no Serra Dourada: lá, não vence desde 27 de setembro. De lá para cá, perdeu para Botafogo e empatou para Sport e Fluminense. Todos na zona de rebaixamento...

Por isso que, como disse no começo do texto, deve-se esperar os jogos para ver quais serão os resultados. Da mesma maneira que podem dificultar a vida de alguns times, Goiás e Grêmio podem não causar empecilho algum aos times do “G6” (desculpe se você achou horrível, mas não achei outro termo melhor). Mas que parecem ser o que mais podem atrapalhar, isso parece ser verdade.

Foto: esportes.terra.com.br

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

Mais dois na briga


Há dois meses, Marquinhos Paraná e Fierro não sabiam que seus clubes estariam brigando por uma vaga na no G4 e, pasmem, pelo título do Campeonato Brasileiro

Na 20ª rodada do Campeonato Brasileiro, no dia 20 de agosto, Flamengo e Cruzeiro se enfrentaram no Maracanã. Ambos lutavam por posições intermediárias na tabela, sem muita perspectiva de brigar por uma vaga no pelotão da frente: os cariocas, porque ainda não haviam achado a formação ideal e contavam com vários desfalques; os mineiros, porque não tinham se recuperado da perda da Libertadores. Os visitantes venceram a partida por 2 a 1 e pularam para a 13ª posição, justamente um posto atrás do clube rubro-negro.

11 rodadas depois, o panorama mudou para muito melhor. Flamengo e Cruzeiro conseguiram emplacar uma excelente sequência de resultados positivos e no momento brigam não só por uma vaga na Libertadores como também pelo título da competição. Algo improvável há dois meses, mas agora possível por causa dos inúmeros e incríveis vacilos daqueles que dominavam a parte de cima da tabela.

Enquanto os líderes tropeçavam – caracterizando este Brasileirão como aquele em que ninguém quer ser campeão, Flamengo e Cruzeiro foram se recuperando até chegarem aonde estão. A equipe rubro-negra contou com o bom trabalho feito por Andrade, a ótima fase de Adriano e Petkovic e o reforço no sistema defensivo após as chegadas de Maldonado e Álvaro para vencer os agora concorrentes diretos São Paulo e Palmeiras e assumir a 5ª posição. Já o Cruzeiro aproveitou os reforços que chegaram após a Libertadores e de mansinho acumulou bons resultados para chegar à 6ª posição. Desde aquele jogo no Maracanã, o clube carioca conquistou 22 dos 33 pontos disputados, enquanto a equipe mineira abocanhou 24 dos 36 pontos que disputou.

Estando numa fase tão boa, é preciso saber se ambos terão fôlego para manter o impressionante ritmo mostrado ultimamente. E mais do que saber se Petkovic, Adriano e a coesa equipe cruzeirense irão se continuar rendendo, é importante analisar a tabela para ver se os dois “emergentes” podem sonhar com vôos mais altos no Brasileirão.

No caso do Flamengo, a tabela não foi muito grata: dos próximos 7 jogos, apenas 3 serão em casa. No Maracanã, enfrentará Goiás e Grêmio, que dependendo das circunstâncias poderão estar brigando por uma vaga no G4; fora, irá encarar Atlético-MG, um Corinthians que ninguém sabe como irá se comportar e um Náutico desesperado para deixar a zona de rebaixamento. A sorte é que terá a chance de tirar pontos de concorrentes diretos; porém, esta sorte poderá se tornar azar caso o resultado final das partidas seja negativo.

Já o Cruzeiro terá uma sequência surpreendente tranquila. Além de atuar 4 vezes em casa, só 1 dos 7 times que irá enfrentar está entre os 10 primeiros: o Grêmio, sendo que este jogo será no Mineirão (lembre-se que o desempenho dos gaúchos é pífio fora de seus domínios). De resto, jogos aparentemente fáceis contra Santo André e Fluminense em casa e outros não tão árduos contra Coritiba (também em casa) e Atlético-PR e Santos (fora). O jogo que tem tudo para se tornar difícil é contra o Sport, já que será disputado no péssimo gramado da Ilha do Retiro contra uma equipe lutando contra o rebaixamento.

Ainda assim, não se pode negar que enfrentar 6 clubes na parte de baixo da tabela, a essa altura do campeonato, é excelente negócio. Isso pode fazer até com que seja mais favorito do que o Flamengo para terminar o campeonato na posição dos sonhos de qualquer um. Aliás, mais favorito do que qualquer um, já que nenhum dos outros times que está a frente dos cruzeirenses terá uma tabela tão tranquila quanto a dos comandados de Adilson Batista. Se mantiver a sequência de resultados positivos, o campeão desse Brasileirão pode ser uma zebra...

De qualquer maneira, é preciso esperar para ver o que acontecerá daqui para a frente. Fato é que Flamengo e Cruzeiro conseguiram colocar ainda mais fogo nessa briga pelo título ou por uma vaga no G4.

E depois ainda reclamam que este campeonato não tem emoção...

Foto: www.lancenet.com.br

sábado, 24 de outubro de 2009

Clássico com ares de decisão


No final da temporada passada, o Liverpool goleou o Manchester United em pleno Old Trafford por 4 a 1. Passando por um momento difícil, os Reds correm o risco de sofrer a revanche quando precisam desesperadamente de uma vitória

Esse fim de semana não será um de jogos decisivos apenas aqui no Brasil. No domingo, um grande jogo será disputado em território inglês: Manchester United x Liverpool. Um clássico que ganhou ares de decisão principalmente para o time da cidade dos Beatles.

O começo de temporada não poderia ser mais desastroso para o Liverpool: após 9 rodadas, os Reds se encontram num decepcionante 8º lugar. Está a 7 pontos dos Red Devils, líderes do campeonato. Mas o que apavora e melhor retrata o início vacilante é o número de derrotas: já foi batido 4 vezes na atual campanha – sendo que uma delas foi em casa, para o Aston Villa. Na última temporada, manteve-se invicto em casa e só perdeu 2 vezes na Premier League.

Rafa Benitez tem suas desculpas para explicar o momento ruim do Liverpool – que também vem mal das pernas na Liga dos Campeões. O time, mais precisamente o meio campo, ainda não se encontrou após a saída de Xabi Alonso – Aquilani ainda não estreou, Lucas está apagado e o Manchester City foi mais rápido na tentativa de contratar Gareth Barry, sonho de consumo do técnico espanhol. Fernando Torres, assim como Steven Gerrard, não pôde atuar em algumas partidas, o que é um verdadeiro tormento para o treinador: o abismo de El Niño para Ngog e Voronin é grande.

Ainda assim, o desempenho do Liverpool no momento poderia ser melhor, até porque há elenco para ficar tranquilamente a frente de Aston Villa e Sunderland na tabela. Além disso, Benitez deveria ter considerado a possibilidade de baixas no elenco com melhores ações na janela de transferências. Algo que nunca foi o seu forte.

De qualquer maneira, é preciso pensar no momento atual, que é crítico. Ainda mais se for lembrado que o clube está sedento por um campeonato nacional, algo que não conquista desde a longínqua temporada 1989-90 – nessa época, o Campeonato Inglês nem havia sofrido a sua tão bem sucedida reformulação. Na temporada passada, o título bateu na trave. Pelo andar da carruagem, na temporada atual a tentativa de gol foi para bem longe.

Uma derrota para o líder, por mais que o campeonato ainda esteja começando, fará com que o clube se distancie mais ainda do sonho de título. Poderá ser o estopim de uma crise que começou a se projetar com duas derrotas seguidas na Premier League e a inesperada derrota em casa (e de virada) para o Lyon na UCL. Para piorar, poderá gerar uma tensão ainda maior entre Benitez e os investidores do clube George Hillet e Tom Hicks, que nunca se deram bem.

Enfim...dependendo do resultado de domingo, a bomba vai estourar em Anfield Road. É esperar para ver.

Foto: www.guardian.co.uk

terça-feira, 20 de outubro de 2009

Quem esperava isso dele?


Uma foto que mostra perfeitamente o momento do Flamengo: o líder Petkovic a frente de seus coadjuvantes

Você se lembra da sua reação ao saber que Petkovic havia sido contratado pelo Flamengo neste ano? Não lembro da minha exatamente, mas recordo que fiquei surpreso ao mesmo tempo em que torci o nariz. E pode ter certeza que muitos fãs de futebol criticaram a contratação do meia, assim como aproveitaram o fato para criticar a incompetência da diretoria do clube.

Depois de recuperar a forma física, como quem não queria nada, o sérvio foi lentamente entrando em algumas partidas até Andrade, pressionado pelos resultados ruins de sua equipe, colocar em seus pés a responsabilidade de criar as principais jogadas do Fla – algo antes feito pelos laterais. Parecia uma loucura. Mas foi aí que começou a brilhar. A ponto de deixar de brilhar apenas nas partidas no Maracanã contra adversários não mais que medianos para decidir jogos contra bichos-papões do Brasileirão – como São Paulo e Palmeiras.

Agora, todos os que criticaram Petkovic se arrependem de ter feito tal coisa. Alguns perdem perdão, outros aplaudem a sua ressurreição, assim como há os se limitam a dizer que queimaram a língua. Mas, sinceramente: quem criticou a contratação tinha seus motivos para fazer isso.

O herói de um dos tricampeonatos carioca do clube não atuava desde meados de 2008: ou seja, estava completamente fora de forma quando retornou ao Fla. Não atuava bem desde 2005, quando estava no Fluminense; depois disso, teve passagens muito ruins no Santos, Goiás e no Atlético-MG, dando mais a impressão de ser um jogador em decadência do que um que poderia acrescentar algo ao elenco. E ainda tinha a fama de mal-humorado e até mesmo de ser um jogador um pouco marrento, o que poderia tumultuar ainda mais o já conturbado clima na Gávea.

Mas o agora camisa 43 do Fla se superou. Não quer saber de confusão – tanto que não brigou para ter a 10 que é de Adriano, como já fez algumas vezes; assumiu o papel de líder do elenco; não vem tendo problemas físicos; e vem se entregando em campo como nunca se viu. A partida contra o Palmeiras foi um exemplo disso: além de marcar dois belos gols, puxou vários ataques importantes do time com maestria e ainda ajudou na defesa.

Fale com sinceridade agora: você esperava que ele fizesse tudo isso? Meu amigo, isso ele não fez nem na época em que era tratado como rei no Rio, logo após aquela cobrança magistral de falta no fatídico 27 de maio de 2001.

E é por isso que se criticava tanto a contratação do sérvio, inclusive este que escreve o texto: sabendo-se do seu passado, era muito mais fácil esperar o fracasso do que o sucesso de Petkovic na sua nova passagem no Flamengo. Ninguém cogitava a possibilidade dele fazer de tudo para superar as expectativas, até porque fazer muito esforço nunca foi a dele.

Mas quem antes criticou agora sabe elogiar. E digo: Petkovic está jogando muito. E se continuar assim e levar o Flamengo a Libertadores, será sério candidato a melhor do campeonato. É só querer.

Foto: www.lancenet.com.br

Participação em podcast


Esse post é só para deixar o link da minha participação no podcast do blog Futebol Inglês: Ortodoxo e Moderno. Agradeço ao Daniel Leite e ao André Vince pelo convite, que até me fizeram (tentar) aprender a mexer no Skype. Aqui vai o link: http://ortodoxoemoderno.blogspot.com/2009/10/podcast-ortodoxo-e-moderno-rodada-9.html

Mais uma vez, muito obrigado pelo convite e estou esperando a minha camisa do glorioso Charlton!

domingo, 18 de outubro de 2009

Azar, sorte e competência criam novo Interlagazzo


Novamente estragaram a festa brasileira em Interlagos. Se em 2007 Felipe Massa teve que entregar uma vitória quase certa para Kimi Raikkonen e em 2008 o mesmo perdeu o título na última curva, agora foi a vez de Rubens Barrichello ser vítima de um Interlagazzo. Depois de largar na pole, não venceu, não chegou no pódio e ainda viu seu companheiro Jenson Button conquistar o título.

Rubens Barrichello largou muito bem, mas não conseguiu manter um bom ritmo e ainda foi atrapalhado pelo azar

O azar novamente cruzou o caminho de Barrichello: o fato de, após o primeiro pit stop, voltar no meio do tráfego minou suas chances de vitória; e o pneu furado já no fim da prova acabou com suas chances de pelo menos chegar ao pódio. Azar que se tornou trágico para o brasileiro, já que Sebastian Vettel chegou em 4º e assumiu a vice-liderança do campeonato. Rubens terá que se superar em Abu Dhabi para recuperar um vice-campeonato que parecia estar em suas mãos mas que agora está prestes a perder.

Mas é bom que se diga uma coisa: Rubinho outra vez esteve apagado e não conseguiu imprimir um bom ritmo de corrida. Não sei se foi culpa de ter um carro não tão potente ou se foi uma falha sua de não conseguir ser tão rápido em certos momentos – tanto na hora de abrir vantagem para Webber e Kubica quanto na hora de buscá-los. Fato é que deveria ser mais veloz durante toda a prova, e assim como no Japão e em outras provas durante a temporada, não conseguiu. Nesse quesito, ele decepcionou.

Jenson Button fez bela prova até conseguir as ultrapassagens das quais tanto precisava. Depois disso, apenas administrou sua vantagem.

Mas o que Rubens teve de azarado e de apagado, Button teve de sortudo e de brilhante. Sortudo porque foi ajudado pelos incidentes na largada para pular para 9º. Brilhante porque fez ultrapassagens arrojadas e corretas até assegurar uma posição segura e apenas administrar sua confortável situação.

Aliás, o inglês poderia muito bem ter feito uma prova mais conservadora e esperado por erros de outros pilotos, como em Suzuka. Mas depois da péssima qualificação, sabia que precisava buscar no braço algumas ultrapassagens, e foi muito feliz a fazer todas com competência; destaque por não ter se afobado na tentativa de bater o surpreendente Kobayashi, que fez jogo duro para cima do campeão. No final das contas, fez uma de suas melhores – se não a melhor – corridas no campeonato e conquistou o título.

E pelo que fez na temporada, um título merecido. Mas isso fica para outro post.

OBS: Deixemos a vitória de Mark Webber de lado, foi irrelevante hoje. E sem graça demais.

OBS 2: Muito legal ver Robert Kubica finalmente no pódio nesse ano. Seria injustiça um ótimo piloto como ele ter um ano apagadíssimo.

OBS 3: Kobayashi fez uma estreia surpreendente. Fez ultrapassagens arrojadas e teve um momento de glória ao segurar Button por tanto tempo. Até mudei minha opinião em relação a ele.

OBS 4: Não sei por que Trulli ficou tão nervoso. Se Sutil teve culpa de algo, foi de tirar Alonso da corrida. Na verdade, o italiano foi bem mais culpado do que o alemão na saída dos dois.

Fotos: www.motorsport.com

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Sobre a possível volta do mata-mata


Ultimamente, saiu na imprensa a informação de que a Rede Globo propôs a abolição do campeonato de pontos corridos e a volta do mata-mata; isso não só como uma resposta negativa a proposta de mudança de calendário feita pelos clubes em agosto, mas também colocando seus interesses publicitários em jogo.

Acompanhando na internet a discussão sobre o tema entre brasileiros fãs de futebol, notei que muitos aprovavam a ideia da emissora. Segundo eles, tal medida traria de volta a emoção que se perdeu desde 2003, quando o Campeonato Brasileiro adotou a fórmula de pontos corridos. Eu, sinceramente, não voltaria com a antiga fórmula usada até 2002.

O principal motivo é um que todos já estão cansados de saber: o sistema de pontos corridos privilegia aquele que foi o melhor durante todo o campeonato, e por isso teve a maior pontuação e foi o campeão, o que é muito justo com aquele que conseguiu ser mais regular. É um tipo de campeonato que privilegia o clube que tem melhor planejamento e que tem competência suficiente para se manter na ponta. Simples assim, como todos já sabem.

Sim, até certo ponto você é culpado por muitos não gostarem do sistema de pontos corridos

Mas é aí que caímos no problema da emoção. Os críticos ferrenhos do campeonato de pontos corridos dizem que esta fórmula não traz emoção. Ora, como não? Pode não ser aquela ansiedade angustiante de uma partida de mata-mata, mas tem sua emoção sim, principalmente quando é bem disputado. Ou vai dizer que a briga que vimos no ano passado, com cinco times lutando pelo título até o fim, foi entediante? Enfim, acho que os irritantemente feios e eficientes times de Muricy Ramalho traumatizaram e ainda traumatizam muita gente; mas vamos deixar essa discussão para outro dia...

Bom, mas o povão quer mesmo emoção. Aquela do mata-mata, que te deixa tremendo o jogo inteiro e com um soro já preparado do seu lado. Aquela que vemos nos Estaduais, na Champions League ou na Libertadores. Ora, então a Copa do Brasil serve para quê? Para passar o tempo? Não! É ela a competição que vai trazer o mata-mata que o pessoal tanto quer ver. É nela que devemos ver quais são os times de chegada, aqueles que crescem em decisões, aqueles que podem contar com torcida como um 12º jogador, etc.

O problema é que a Copa do Brasil é muito mal aproveitada. É curta demais. Não temos tempo de saboreá-la correta e devidamente. Deveriam arranjar uma maneira desta competição durar mais tempo, de preferência começando junto com o Brasileirão e terminando perto ou junto deste. Assim teríamos ao mesmo tempo a competição de pontos corridos, que privilegia a melhor equipe no geral, e a competição de mata-mata, que privilegia aquela que tem os nervos no lugar na hora certa e permite zebras e papelões a vontade. Teríamos dessa maneira a vencedora fórmula adotada na Europa, que vem dando certo há um bom tempo. Para ficar completo, só se a CBF usasse sua força política para fazer com que Libertadores e Sul-Americana durassem uma temporada inteira.

O problema é que para isso o calendário teria que ser totalmente mudado. Os Estaduais teriam que ser reduzidos para que houvessem mais datas para o Brasileirão e a Copa do Brasil. Na verdade, isso seria a tão sonhada mudança do calendário para muitos, exceto para a Globo, que já se mostrou contra isso - tanto que voltou com a ideia do mata-mata. Como a emissora global manda no nosso futebol, é bem capaz que a tal sugestão seja estudada com carinho e seja aceita. Perdemos a chance de fazer uma bela mudança e vamos perder uma fórmula que estava dando certo para quem soubesse se adaptar a ela. Uma pena.

Foto: globoesporte.com