sábado, 31 de janeiro de 2009

Objetivo: não deixar a peteca cair

Com a volta da Bundesliga após a parada de inverno que durou um mês, o Hoffenheim volta a ser o centro das atenções de todos que acompanham o futebol europeu, e principalmente e obviamente o campeonato alemão. Todos querem saber se a equipe manterá o ótimo retrospecto que mostrou no primeiro turno.

Junto com o Hull City, da Inglaterra, a equipe que conta com o brasileiro Carlos Eduardo, ex-Grêmio, foi a grande surpresa da Europa no começo da atual temporada. Enquanto o caçula inglês surpreendeu ao se colocar entre os grandes (com destaque para a vitória em cima do Arsenal na casa do adversário) e alcançar a terceira posição na classificação geral, o caçula alemão não deixou por menos e também logo alcançou as primeiras posições.

Mas o clube que conta com os investimentos do bilionário Dietmar Hopp (que começou a investir pesado na equipe quando ela ainda estava na segunda divisão) fez mais do que isso: dono do melhor ataque e do maior número de vitórias da competição, terminou o primeiro turno como líder, empatado com o Bayern de Munique em número de pontos (35) mas ganhando no saldo de gols, e ainda ofereceu ao campeonato o artilheiro da competição, o bósnio Vedad Ibisevic, que marcou 18 gols. Enquanto isso, o Hull City perdeu o fôlego e vai despencando na tabela da Premier League: até o jogo de hoje contra o West Brom, vinha de 6 derrotas consecutivas, não vencia há 7 jogos e já havia caído para a 10ª posição, a apenas 6 pontos da zona de rebaixamento.

O brasileiro Carlos Eduardo (à direita, nº 33) se transferiu para o Hoffenheim quando o clube ainda estava na segunda divisão e, após ser taxado de louco, é uma das estrelas da sensação alemã no momento

Resultado: enquanto o clube inglês, visivelmente limitado e não passando de um time bem arrumado (que, curiosamente, possui uma das piores defesas do campeonato), já não é mais surpresa para ninguém e começa a se contentar em não cair, o clube alemão, dono de um futebol ofensivo, de um elenco promissor e que já possui até jogador convocado para a seleção alemã (o zagueiro Marvim Compper), inicia o returno sonhando com vôos bem altos para quem acabou de subir para a primeira divisão, como conseguir uma vaga em alguma competição européia.

Sim, uma vaga em uma competição européia. Isso porque, por mais que o time tenha feito uma excelente campanha no primeiro turno, ainda é inexperiente na Bundesliga e isso poderá resultar em alguns tropeços que façam com que o time perca algumas posições na tabela. O fato de carecer de nomes mais tarimbados e experientes pode pesar daqui para a frente. Além disso, a equipe viu o já citado artilheiro Ibisevic romper o ligamento cruzado anterior do joelho direito num amistoso neste mês e não poderá mais contar com o atacante nesta temporada.

O Hoffenheim, ciente de que o elenco ainda precisa de melhorias, contratou o bom mas sumido goleiro Hildebrand e o atacante Sanogo, escolhido para suprir a ausência de Ibisevic. No seu primeiro jogo do returno e na estreia do novo estádio, o promissor clube derrotou o Energie Cottbus por 2 a 0. Resta saber se nas próximas 16 rodadas a surpresa alemã irá manter o ritmo e terminar a temporada numa posição privilegiada na classificação final ou se irá seguir o caminho do Hull City, que hoje empatou com lanterna West Brom em casa por 2 a 2 e continua caindo pelas tabelas da Premier League.

Foto: www.daylife.com

quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Até que há um fundo de verdade...

O meia Ramires, do Cruzeiro, no mínimo polemizou ao dizer o seguinte sobre a última convocação da seleção brasileira, que não teve um jogador atuando no Brasil chamado: "É importante olharem até pela questão da motivação dos jogadores brasileiros. Cada vez que convocam mais os caras de fora, aí é que todo mundo quer sair mesmo para chegar à Seleção. Então o trabalho que a gente está fazendo aqui não está valendo de nada para chegarmos à Seleção"

O que Ramires disse é algo que deve ser discutido com cuidado, até porque é relativa a questão sobre atuar no Brasil ou não: logo que um jogador que atua por aqui é convocado para a Seleção, ele pode atuar míseros 5 minutos com a amarelinha que vários times europeus pretenderão contratá-lo. Logo, o jogador que atua em terras brasileiras, por mais mediano que seja, logo se transfere para um clube europeu, dos mais medíocres e obscuros para os mais poderosos.

Talvez essa tenha sido uma declaração inoportuna de Ramires, pois o mesmo implica que Dunga não olha muito para o que acontece no Brasil. É verdade que não são muitas as vezes em que vemos jogadores como o próprio cruzeirense, Hernanes, Juan, Alex, Miranda e Nilmar convocados (quando são escalados então, é quase motivo para festa), mas também é verdade que o técnico da Seleção disse na última segunda-feira que preferiu não chamar nenhum jogador em atividade por aqui pelo fato de todos ainda não estarem no melhor da sua forma física, já que acabaram de sair de uma curta pré-temporada; ou seja, foi uma justificativa até válida e, se perguntarem a Dunga o que ele acha do que Ramires disse, ele logo repetirá (provavelmente com seu jeito rude e mal-educado) tal justificativa. E como forma de mostrar quem manda na Seleção, pode até mesmo não convocar o jogador do Cruzeiro futuramente (o que seria uma retaliação ridícula, mas que pouco importa, pois ele nunca convoca o volante mesmo...).

De fato, até que o argumento de Dunga para não convocar os jogadores brasileiros desta vez não foi dos piores, já que os que atuam por aqui realmente não estão no melhor de sua forma (embora eu ache que, até o dia do amistoso, eles já estarem em condições bem mais satisfatórias). Mas então, como explicar a convocação do zagueiro Thiago Silva, agora no Milan, que chegou há pouco tempo no clube italiano após ficar vários dias parado em razão das férias depois do término do Brasileirão e que mal disputou um mísero amistoso este ano, tendo talvez treinado menos do que muito jogador que fez pré-temporada no Brasil?

Nesse caso, começo a pensar que tenho que dar um pouco de razão ao Ramires...

quarta-feira, 28 de janeiro de 2009

Somente agora...

...se lembra que o 4º colocado do Campeonato Brasileiro não está totalmente classificado para a Libertadores, tendo que passar por um breve mata-mata para continuar na competição. Se derrotar o adversário, tudo bem, pode continuar a festa de estar na maior competição das Américas; se for derrotado, pode se preparar para as críticas porque o vexame não passará em branco por imprensa e torcedores.

E dessa vez é o Palmeiras que é obrigado a passar pelo risco de deixar a Libertadores mais cedo do que se pensava. O adversário, o Real Potosí, da Bolívia, a princípio não oferece muitos riscos, assim como os times da terra de Evo Morales. O que oferece riscos mesmo é a tão temida altitude que precisará ser encarada pela equipe de Luxa no jogo de volta.

Em 2007, Renato Augusto foi um dos jogadores do Fla que sofreu com a altitude de Potosí, precisando receber oxigênio enquanto a bola ainda rolava

Não é preciso ter memória de elefante para se lembrar das dificuldades enfrentadas pelos times brasileiros recentemente em Potosí. Tendo que encarar os efeitos da altitude, já que o estádio do time boliviano fica a praticamente 4000 metros acima do nível do mar, o Flamengo sofreu para empatar por 2 a 2 em 2007, num jogo em que o time carioca conseguiu o empate quase por milagre, e o Cruzeiro foi goleado por 5 a 1 no ano passado; em ambos os jogos vários jogadores das equipes brasileiras se sentiram (muito) mal, e não era incomum ouvir dos jogadores que jogar em tal lugar era algo desumano.

Por sorte, o alviverde paulista jogará sua primeira partida em casa, na quinta-feira; por azar, não entrará em campo 100%, já que jogou ontem pelo Campeonato Paulista, logo não terá tempo suficiente para descansar. Mesmo assim, o Palmeiras precisa se doar ao máximo em campo e garantir um bom resultado que permita ao time jogar com maior tranqüilidade fora de casa, sem a obrigação de conseguir um ótimo resultado, pois a altitude de Potosí já se mostrou uma grande inimiga dos adversários que não estão acostumados com tal situação e pode ser um peso a mais caso a equipe precise de um bom resultado. O Palmeiras não pode nem pensar em ficar sem essa vaga na Libertadores: além de virar alvo de críticas, teria o primeiro semestre muito prejudicado, sem disputar nem a Libertadores nem a Copa do Brasil, tendo que se contentar apenas com o Paulistão, que cá para nós, dentro das circunstâncias seria no máximo um prêmio de consolação.

Foto: globoesporte.com

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

A primeira escolha não foi das melhores

O único atacante de ofício do Fla no jogo de ontem, Obina, ficou boa parte do tempo isolado no ataque, como em diversos momentos do ano passado

É verdade que é cedo para tirar conclusões sobre um time baseado apenas no primeiro jogo da temporada, até porque a maioria dos times estão em fase de experiências. Mas a escolha de Cuca pela manutenção do criticado esquema usado pelo Flamengo em 2008 talvez não tenha sido das melhores e deixou muita gente insatisfeita.

Muitos odiavam o esquema do ano passado e inclusive diziam que uma das causas da não classificação para a Libertadores era a já manjada e às vezes defensiva formação usada para Caio Jr. Não acho que esse tenha sido o principal problema da equipe, mas é verdade que era um esquema limitado, sem variação e com a falta de um 10 no time; por isso esperava algo diferente nesse ano, principalmente com a contratação de um técnico ofensivo e até meio maluco como Cuca. Mas tudo estava lá novamente: time super dependente dos laterais, 3 zagueiros e 3 volantes, Marcelinho Paraíba jogando no ataque, mesmo após já declarar inúmeras vezes que prefere jogar no meio, e o único centroavante do time muitas vezes isolado no meio dos zagueiros adversários.

Creio que a formação do Flamengo não precisava de grandes mudanças. Mas com a manutenção do esquema, ficou a mesma sensação de que havia um volante que muitas vezes tinha pouca coisa a fazer (Willians), de que faltava um homem de maior criatividade no meio (já que Marcelinho estava no ataque e, pela idade, pouco se movimenta) e principalmente que, se o treinador deseja um volante que proteja bem a zaga, fica difícil Ibson e Kléberson jogarem juntos. Ambos possuem características muito parecidas: marcam razoavelmente bem, sabem sair jogando muito bem mas não possuem características ofensivas que façam com que pelo menos um deles assuma o papel de criador de jogadas no meio campo, como um camisa 10. Dessa maneira, o time perde um pouco de criatividade e ambos não rendem tudo o que podem (é como se um atrapalhasse e limitasse o outro), assim como Marcelinho Paraíba, que dos titulares é quem mais pode criar mas, deslocado para o ataque, não joga tudo o que pode.

Com a entrada de Zé Roberto nos próximos jogos, o time deve ganhar um pouco mais de criatividade, com Marcelinho jogando um pouco mais recuado e dividindo a armação de jogadas no meio com o ex-botafoguense. Não acredito que um sairá para a entrada do outro, logo o esquema de ontem deverá no máximo durar mais algumas partidas. Dessa maneira, Ibson ou Kléberson deve sair da equipe, até porque Cuca parece decidido a manter na equipe um jogador no meio com características mais defensivas e este jogador é mesmo Willians, que parece ter agradado o técnico, embora não tenha feito uma boa partida ontem (começou o jogo muito travado e falhando em lances capitais para quem protege a zaga). Como o camisa 7 do Fla está numa melhor fase desde o ano passado, ele deverá permanecer na equipe, e assim talvez a equipe ganhe mais equilíbrio, não sendo muito ofensiva nem tão defensiva como ontem, numa cena que com certeza muitos não querem ver de novo, até porque o Flamengo tem elenco para outros esquemas e o de 2008 já deu o que tinha que dar.

Foto: www.lancenet.com.br

domingo, 25 de janeiro de 2009

Muito trabalho pela frente

Com seus elencos em reformulação, exceção do Flamengo, a primeira rodada do Campeonato Carioca não foi muito boa para os grandes quatro times do Rio. Se antes do começo do torneio os times já sabiam que teriam muito trabalho pela frente, principalmente porque precisam entrosar as equipes, algumas agora viram que terão mais trabalho do que pensavam.

René Simões e Dorival Jr devem estar quebrando a cabeça nesse momento para consertar os erros de suas equipes. Fluminense e Vasco, equipes que comandam, entraram em campo com 6 e 8 jogadores novos em relação ao ano passado e acabaram perdendo suas partidas para Cabofriense e Americano por 3 a1 e 2 a 0, respectivamente. Destaque negativo para o time de São Januário, que teve uma atuação tão ruim a ponto do treinador já deixar a Taça Guanabara de lado e pensar na Taça Rio. O Botafogo também mostrou certa dificuldade por estar com um elenco novo, mas conseguiu derrotar o Boavista por 2 a 1 com gol nos acréscimos; porém, também mostrou que precisa melhorar bastante.

O Flamengo encontra-se numa situação diferente dos outros três porque não mexeu muito no elenco, mantendo a base do ano passado. Porém, os problemas de 2008 continuam e a equipe, que jogou mal, penou para vencer o Friburguense pelo magro placar de 1 a 0, contando com uma ajuda clamorosa do bandeirinha, que invalidou um dos gols mais legítimos da história do futebol. Cuca, que conta com muitas peças mas ainda possui muitas dúvidas quanto a quem escalar, terá trabalho para achar a formação ideal do time, que aliás foi o mesmo criticado esquema usado em 2008 (Marcelinho Paraíba no meio? Esquece...).

E é importante lembrar que em 2009 os 4 grandes voltam a enfrentar os pequenos fora de casa, ao contrário do que ocorreu no ano passado, quando todos os seus jogos foram no Maracanã, Engenhão ou São Januário. Isso pode ser um ingrediente a mais no campeonato, já que os times grandes têm mais chances de serem derrotados, como já aconteceu com o Fluminense hoje, que perdeu jogando em Cabo Frio. Mais situações como essa poderão acontecer, e o campeonato (que infelizmente, continua inchado) não ficará na mesmice de 2008, quando os 4 grandes se classificaram para as semifinais da TG e da TR de maneira tão fácil que beirava o ridículo.

Como os elencos das principais equipes do Rio mudaram bastante e todos ainda estão a procura da equipe ideal, não será surpresa ver mais alguns tropeços pelo menos nas próximas rodadas. Os torcedores devem ficar pacientes e se lembrar que este ainda é um campeonato que permite uma série de testes, já que o torneio mais importante ainda é o nacional; e esse pensamento vale ainda mais para os vascaínos, que não parecem ter um elenco muito bom e talvez precisem de ainda mais tempo para serem competitivos.

quinta-feira, 22 de janeiro de 2009

Rumo ao tri?

Pelo andar da carruagem, não será surpresa alguma ver o Manchester United repetindo esta cena no fim da temporada

Assim como a última edição do Campeonato Brasileiro, a atual temporada da Premier League pode não conhecer um campeão diferente dos dois últimos anos, já que, mesmo numa das temporadas mais disputadas ultimamente na terra da rainha, o Manchester United parece superior aos rivais e favorito a se tornar campeão.

É verdade que as últimas performances do time não são nada de tirar lágrimas dos olhos. Se o time não perde há 10 jogos, em 6 venceu pelo magro placar de 1 a 0. Isso sem contar os 2 empates sem gols contra Tottenham e Aston Villa fora de casa. Porém, é a equipe mais consistente do campeonato, que inclusive possui a melhor campanha em casa: 9 vitórias e 1 empate; somente o atual vencedor da UCL e o Liverpool não perderam em seus domínios.

Além disso, os tropeços do Manchester United são aceitáveis, nada considerado inesperado: por exemplo, as duas únicas derrotas da equipe de Sir Alex Fergunson foram para os grandes Liverpool e Arsenal. Três dos quatro empates da equipe fora de seus domínios foram para equipes perigosas e que brigam pelas primeiras posições (Chelsea, Aston Villa e Everton), e o outro foi para o Tottenham, que tem uma equipe muito boa mas que não consegue se acertar por vários motivos. Se o Manchester não possui uma campanha tão boa fora quanto a dos outros clubes que estão nas 5 primeiras posições, também não possui das piores: dos cinco melhores da Premier League até agora, apenas o Arsenal conseguiu menos pontos fora de casa, conseguindo 18; os Red Devils conquistaram 19 e Chelsea, Liverpool e Aston Villa, no mínimo 24.

Enquanto o Manchester United conquista o máximo de pontos possíveis e não dá muita chance às zebras, seus concorrentes diretos fazem o oposto. O Liverpool, que liderou por um bom tempo o campeonato, aproveitando o fato dos Red Devils estarem com dois jogos a menos, perde muito pontos para times pequenos: por exemplo, empatou os 2 jogos contra o Stoke e também só conquistou um ponto em casa contra equipes como o Hull City e Fulham. O Chelsea foi muito mal nos clássicos, todos disputados em casa, tendo perdido 2 e empatado 1, e também empatou em pleno Stamford Bridge para West Ham e Newcastle; isso para não lembrar dos vários jogadores que não rendem nada no momento. O Arsenal tem um elenco jovem e talentoso, mas desfalcado e que perde muitos pontos bobos, principalmente quando não consegue controlar um jogo que já estava em suas mãos: isso aconteceu em dezembro contra o Aston Villa fora de casa, quando venciam por 2 a 0 e, após darem a impressão de que poderiam até golear, foram surpreendidos e empataram em 2 a 2. E esse mesmo Aston Villa parece ter atingido o seu potencial máximo e não deve fazer mais do que tirar a 4º vaga da UCL de algum grande (o que já é muito).

Com uma campanha elogiável e tendo grandes jogadores a disposição, como o melhor do mundo Cristiano Ronaldo e Rooney, que vem sendo muito elogiado como um dos melhores da temporada, o time possui grandes chances de vencer a Premier League novamente. Porém, como sempre, há obstáculos no caminho: o elenco começa a ter vários jogadores contundidos (só no jogo contra o Derby County pela Copa da Liga três se machucaram) e o time tem pela frente confrontos duríssimos contra a Inter de Milão pela UCL. Se o elenco for pequeno nos momentos decisivos, as coisas podem se complicar para Fergunson, já que não poderá promover muitos rodízios e os jogadores ficarão ainda mais sujeitos a contusões. Mas como ultimamente tem surgido até brasileiro bom que nem nós sabíamos que existia, pode haver alguma surpresa caso a praga das contusões ataque Old Trafford...

Foto: www.guardian.co.uk

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Sobre a decisão de Kaká

A escolha de Kaká fará com que seja ainda mais querido pelos torcedores do Milan

O que era esperado desde que a proposta milionária foi feita pelo Manchester City na semana passada se confirmou: Kaká resolveu ficar no Milan, para alegria dos fanáticos rossoneri e daqueles que não concordavam com os extravagantes valores incluídos na negociação.

Quem sai ganhando com isso é o próprio jogador, que permanece numa equipe forte e de tradição que briga por títulos. Além disso, vai virar mais do que ídolo: todos sabem que Kaká só iria para o Manchester City por dinheiro; e, na verdade, isso serviria mais um consolo, já que o brasileiro não chegou a dizer que gostaria de deixar o Milan, clube com o qual já possui uma grande identificação e onde pretende seguir por um bom tempo, alcançado até a condição de capitão. Com a recusa do meia de se transferir diante da possibilidade de se enriquecer ainda mais (algo que não é preciso, pois o salário que ganha já é altíssimo), o camisa 22 do Milan será ainda mais idolatrado pelos torcedores do clube; num tempo em que lealdade é palavra cada vez mais rara no dicionário do futebol, os rossoneri poderão bater no peito e dizer que possuem mais um jogador que realmente gosta do clube e se sente bem lá.

Na corrente contrária, estão os dirigentes do Milan, que saem dessa novela como vilões. Os dirigentes do rubro-negro italiano pouco se esforçaram para manter o meia em Milão e, diante de uma quantia tão grande de dinheiro, jogaram a batata quente nas mãos de Kaká, numa tentativa de lavar as mãos caso o brasileiro saísse, com o argumento de que a proposta era excelente tanto para o maior rival da Internazionale quanto para o meia da Seleção. É verdade que o dinheiro oferecido possibilitaria ao clube contratar outros grandes jogadores, mas só a possibilidade de vender um jogador que ultimamente faz a diferença e é um dos melhores do mundo obviamente deixou os torcedores do clube muito irritados. Uma prévia disso foi o ocorrido no jogo contra a Fiorentina no último sábado, quando houve muito protesto antes e durante a partida.

E o Manchester City nessa história toda? Bem, a falha na contratação de Kaká não chega a ser uma humilhação, como disse o jornal inglês Daily Telegraph. Porém, lembra ao primo pobre do Manchester United que dinheiro não compra tudo, e que tradição ainda conta; afinal, o meia brasileiro também deve ter se lembrado que o City ainda tem um elenco bem mediano e está longe de brigar por títulos atualmente, tendo que contratar e muito bem para montar equipes fortes nas temporadas seguintes. Agora, o clube inglês pode gastar a quantia oferecida a Kaká para se reforçar com jogadores que não sejam “top” mas que, juntos, possam formar uma equipe capaz de incomodar os grandes. Porém, parece que primeiro precisam contratar pessoas que entendam de futebol, porque dormir sonhando com Kaká e acordar com Bellamy ao lado, quando contratações bem melhores poderiam ser feitas, não é um bom começo...

Foto: www.telegraph.co.uk