sábado, 14 de março de 2009

Desprezados

Em semana de convocação para a seleção brasileira, algo que sempre traz discussões sobre quem deveria ou não ser convocado, dois jogadores chamaram a minha atenção por serem desprezados por diferentes motivos. Coincidentemente, ambos são laterais-esquerdos, posição carente na atual Seleção.

Fábio Aurélio comemora seu gol pelo Liverpool em cima do Manchester United; até quando o lateral vai ficar sem receber uma oportunidade na seleção de Dunga?

Se há outro jogador que não entendo porque não é convocado além dos volantes esquecidos por Dunga, como Denilson, Ramires e Hernanes, esse jogador é o lateral-esquerdo Fábio Aurélio. Se o técnico da Seleção diz que assiste todos os campeonatos e está de olho nos que se destacam mundo afora, como não perceber as boas atuações do camisa 12 do Liverpool? Defende e ataca com eficiência, pega muito bem na bola, o que resulta em ótimos passes e cruzamentos para seus companheiros, e ainda é uma ótima opção nas bolas paradas, como mostrou no jogo de hoje do seu clube contra o Manchester United, quando marcou um belo gol de falta e sepultou qualquer chance de reação do adversário. Está atuando com maior regularidade nessa temporada, livre das frequentes contusões que volta e meia atrapalham sua carreira, e acima de tudo está em boa forma há um bom tempo, ao contrário de Kléber, que só voltou a jogar bem agora (segundo Dunga, porque confesso que não sei como está jogando no Internacional).

Assim como Fábio Aurélio, Gustavo Nery é um outro jogador desprezado; porém, esse está em pior situação, pois mal consegue se firmar em um clube. E não sem razão. Depois de se destacar na campanha vitoriosa do Corinthians no Brasileirão de 2005, seu rendimento caiu assustadoramente, o que lhe rendeu a não convocação para a Copa do Mundo de 2006 e passagens pífias pelo próprio Corinthians, Zaragoza, Fluminense e uma apagada pelo Internacional. Agora, está saindo do clube gaúcho e se transferindo para o Santo André. Mas enquanto não voltar à velha forma e continuar desligado em campo, se transferir para clubes de menor tradição, com todo respeito ao Ramalhão, será uma constante na carreira do atleta daqui para a frente. Do jeito que está, pode ficar bem longe da Seleção mesmo...

Foto: globoesporte.com

quinta-feira, 12 de março de 2009

Predomínio inglês

Ibrahimovic e seus companheiros da Inter caíram diante do Manchester United de Ferdinand e cia e contribuiram para o sucesso inglês e o fracasso italiano na atual edição da UCL

É quase impossível não perceber o poderio inglês ao observar a lista de classificados para as quartas de finais da Liga dos Campeões. Dos oitos times que passaram para essa fase, metade é proveniente da Terra da Rainha; ou seja, os quatro clubes ingleses que entraram na competição ainda estão vivos na luta pelo título, ao lado de dois espanhóis (Barcelona e Villarreal), um português (Porto) e um alemão (Bayern de Munique).

É bom lembrar que nenhum dos quatro times da Inglaterra, teoricamente, teve moleza nas oitavas de finais. O Liverpool teve a tarefa mais fácil porque encarou a tradicional mas decadente na UCL Real Madrid, conseguindo não só vencer fora como golear em casa. Enquanto isso, Chelsea, Arsenal e Manchester United tiveram duros confrontos contra os italianos Juventus, Roma e Internazionale, mas alcançaram a tão sonhada classificação. E o time de Alex Ferguson derrotou uma equipe que, no momento, é considerada uma das melhores da Europa, assim como os próprios Red Devils e o Barcelona.

Nesse cenário, não será nenhuma surpresa vermos algo parecido com o que aconteceu na temporada passada, quando três ingleses estavam nas semifinais da UCL e a final foi totalmente inglesa. O único inglês que havia ficado no meio do caminho havia sido eliminado justamente por um clube do mesmo país (no caso, o Liverpool eliminou o Arsenal, num dos melhores jogos daquela edição da Liga dos Campeões).

Porém, enquanto os clubes ingleses dão show na maior competição da Europa, a seleção inglesa ainda tenta evoluir, depois de uma campanha ruim na última Copa do Mundo e a não classificação para a Euro 08. Ao mesmo tempo em que os clubes ingleses montam fortes equipes, a seleção do país sofre para montar uma eficiente e com reservas a altura dos titulares; talvez atrapalhe muito o fato do campeonato nacional estar recheado de estrangeiros, a ponto das grandes equipes (principalmente o Arsenal, devido a sua política de priorizar jogadores jovens, não importa de onde eles sejam) muitas vezes atuarem apenas com dois, um, ou até nenhum inglês na formação titular, o que acaba por impedir a formação de novos talentos. Isso para não falar que o técnico contratado para dar um jeito no English Team também é estrangeiro.

E contra a maré vem o futebol italiano. Nenhum nenhuma equipe da Itália está entre as oito melhores da Europa no momento; além disso, equipe tida como a grande força do país, a Inter, não conseguiu ser superior ao Manchester em Old Trafford. As pessoas perdem cada vez mais o interesse pelo campeonato local, os clubes de lá cada vez mais tem menos sucesso na UCL, exceto as ótimas campanhas do Milan que fizeram com o que o clube rossonero chegasse a duas finais nos últimos 4 anos, e a Azzurra também vem mal das pernas, ainda tentando se recuperar e se reformular após uma pífia campanha na Euro 08.

Foto: www.bbc.co.uk

OBS: Pessoal, este blog às vezes tende a ficar meio desatualizado quando volto às aulas da faculdade. Porém, mais uma vez estou envolvido com concurso público; o problema é que dessa vez a situação é mais séria, pois acabei entrando num cursinho. Ou seja, passo quase o dia todo fora de casa, dividindo meu tempo entre faculdade, cursinho e estudos em casa. Como continuarei nesse ritmo até começo de maio, talvez as atualizações não sejam tão constantes quanto deveriam ser, mas tentarei postar algo sempre que puder.

domingo, 8 de março de 2009

Basta querer

Parecia até um sonho. O primeiro gol de Ronaldo com a camisa do Corinthians, logo na sua segunda partida pelo clube, foi feito em cima do Palmeiras, aos 47 minutos do segundo tempo, e ainda salvou seu time de sua primeira derrota no Campeonato Paulista. Além disso, foi feito de cabeça, considerado seu ponto fraco pelo próprio atacante. Se não era sonho, era no mínimo digno de final de filme de Hollywood.

Confesso que não sou um dos maiores fãs de Ronaldo. Tenho muito mais a imagem do atacante que quis ganhar com o nome que tinha a vaga de titular no Real Madrid nos seus últimos anos no clube espanhol e daquele que, fora de forma, não se preparou corretamente para a Copa do Mundo de 2006. Perdi parte do respeito que tinha por ele depois disso.

Mas mesmo assim o acho um jogador diferenciado, ainda mais por tudo que fez na carreira; quando quiser jogar e estiver no melhor da sua forma física, poderá dar muito trabalho. E acredito que isso já pôde ser visto no jogo contra o Palmeiras. Mesmo jogando apenas durante 30 minutos, estando visivelmente longe da melhor forma física e tocando pouco na bola, foi responsável por três lances de destaque: deu um belo chute de fora da área que foi parar no travessão, criou uma boa jogada e fez um cruzamento que resultou num escanteio para sua equipe e no final do jogo deixou sua marca.

Ainda acho cedo para dizer frases do tipo “Ele voltou”; ainda precisa recuperar a velha forma, não aguenta jogar 90 minutos e definitivamente não está pronto para ser titular, por mais que Souza tenha um desempenho ruim no ataque. É preciso ter paciência e esperar pela recuperação total do atacante. Porém, momentos como os vividos na tarde de hoje certamente dão esperanças de sucesso para o duas vezes campeão do mundo esse ano; talvez não terá mais aquela velocidade de outras épocas (que em parte até já se perdeu), mas terá o mesmo talento e poder de finalização à sua disposição. Em 2002, já deu provas de que pode se recuperar de situações totalmente adversas. Se continuar se esforçando nos treinos, entrar em forma e finalmente cuidar corretamente do seu corpo (o que fez poucas vezes), Ronaldo poderá voltar aos velhos tempos e ser chamado de “Fenômeno”. Basta querer.

Pelo amor de Deus, Ronaldo, da próxima vez, cuidado com o alambrado...

Foto: www.lancenet.com.br

sexta-feira, 6 de março de 2009

Hora de trabalhar, Rubens


E o recorde de maior número de participações em GPs na F-1 será ainda mais difícil de ser batido por outro piloto. Rubens Barrichello, detentor da marca por ter corrido em 267 grandes prêmios até o momento, ganhou a disputa com Bruno Senna e será o piloto da ex-Honda, a Brawn GP, ao lado do inglês Jenson Button.

Acreditava que a escolha de qualquer um dos dois seria boa. Não seria nenhum pecado se o escolhido fosse o sobrinho de Ayrton Senna: Rubinho já fez muito na categoria após entrar nela em 1993; na F-1, a fila também anda e poderia ser perfeitamente substituído por alguém mais novo. Por mais que seja um bom piloto, não é um mito que deve ficar eternamente na maior categoria do automobilismo. Porém, o momento difícil pede alguém experiente para controlar um dos carros da equipe de Ross Brawn, e Rubinho é mesmo uma ótima escolha dentro das opções possíveis atualmente; atuações como as que teve no Canadá e na Inglaterra no ano passado provaram que ainda pode se destacar nas corridas e ajudar no desenvolvimento da equipe.

Infelizmente, Barrichello tem um grande histórico de frases precipitadas. E talvez tenha dito outra, ao falar que “o carro será rápido e terá um baita motorzão Mercedes por trás”. Ao ler isso, acredito que o duas vezes vice-campeão de F-1 está animado demais por ter conseguido a vaga que tanto queria. Afinal, está entrando numa equipe que testou bem menos que as outras, o que pode ter afetado o desenvolvimento do carro, embora Ross Brawn tenha dito que não pararam de trabalhar nele durante o período de incertezas. Mesmo que a pré-temporada não esteja dando muitas dicas de como cada equipe se comportará em 2009, a tendência é que, a princípio, a Brawn GP brigue mesmo pelas últimas posições do grid, por todos os problemas que passou até agora.

Depois de até ter exagerado ao quase implorar por uma vaga na categoria (embora após um certo tempo tenha se calado e esperado a definição do caso), seria uma situação bem chata vê-lo reclamando horrores do carro caso ele não renda bem durante a temporada. Então, muita sorte ao brasileiro para essa temporada e que ele já tenha em mente que talvez esse seja mais um ano muito duro e que demandará muita dedicação e luta, porque pelo menos a situação inicial de sua equipe não é das melhores.

Foto: globoesporte.com

quinta-feira, 5 de março de 2009

Pontapé para a reação

Fred foi um ótimo reforço para o ataque do Fluminense, mas os outros setores da equipe, se não precisam de contratações, precisam mostrar melhorias em relação ao apresentado na TG

Não há dúvidas de que o Fluminense fez um ótimo negócio ao contratar o atacante Fred. É artilheiro nato, teve uma boa passagem no Lyon e poderia estar na Seleção se não tivesse sofrido tanto com contusões nos últimos tempos. Enfim, uma das melhores contratações brasileiras para essa temporada, se não a melhor. Porém, mais do que um reforço para seu time, sua aquisição pode e deve servir como o pontapé, uma motivação para a reação do Flu, clube que novamente decepcionou na Taça Guanabara: desde 2005 o clube das Laranjeiras é eliminado precocemente, sem ao menos chegar à final.

O Fluminense foi um time que, a exemplo do Flamengo, teve vários defeitos nos primeiros jogos da temporada. O setor em que Fred entrará, o ataque, sofreu com o mau desempenho de Leandro Amaral e Roger, os dois reforços que chegaram para a posição este ano. Os problemas só não foram mais graves porque Maicon, Everton Santos e Tartá geralmente corresponderam quando entraram em campo; porém, são atacantes mais leves e deixam o time sem referência alguma no ataque. A chegada do ex-Cruzeiro possibilitará a formação de um ataque em que um completa o outro, com Fred ao lado de um jogador mais veloz e habilidoso; isso se não apostarem em um mais goleador com Fred e Leandro Amaral juntos, o que também não seria uma má ideia: entretanto, só poderá ser posta em prática daqui a um mês, quando o ex-Vasco voltar de contusão.

Mas como o ataque não foi o único problema do Flu na TG, as mudanças neste setor precisam vir acompanhadas de mexidas em outras faixas do campo. No meio, o tricolor carioca possui ótimas opções: Thiago Neves, Conca e Diguinho poderiam ser titulares em diversas equipes do país, por exemplo. Porém, os três oscilaram demais durante a TG, resultando na barração dos dois últimos, pelo menos para o jogo de hoje, contra o Nacional-PB. É verdade que René tem boas peças que merecem ser testadas, como os Leandros Domingues e Bonfim. Porém, vou dar uma de chato (vou me contradizer, inclusive): concordo com a idéia de que quem não está jogando bem deve ir para o banco por uns jogos, mas no caso do Flu apostaria mesmo em um meio com Thiago Neves, Conca, Diguinho e Fabinho (que não vem comprometendo até agora). Seria um meio de muita qualidade (dois ótimos armadores, um volante que sai bem para o jogo e outro que protege bem a zaga) e com jogadores diferenciados; se não estão jogando bem, é bom lembrar que a Taça Rio é uma excelente oportunidade para entrosar estes jogadores para as próximas competições, mais importantes do que o Estadual.

Na defesa, as coisas são mais complicadas, principalmente no seu miolo. Como era de se esperar, o time está sentindo a falta de Thiago Silva; além de ser um excelente zagueiro, um dos melhores do país, dava maior segurança à zaga e até ajudava Luis Alberto a ter um melhor rendimento. Não acho Edcarlos um defensor ruim, mas obviamente não está a altura do “Monstro”. Talvez fosse hora de testar também outros que chegaram esse ano, como Xandão e Cássio, que atuou bem nas duas partidas em que entrou de titular. Além disso, os laterais não estão muito bem, tanto no ataque quanto na defesa. Destaque para Leandro, que ainda não se achou no time: o jogador não consegue utilizar o que tem de melhor, que é sua chegada no ataque que resulta em bons passes e cruzamentos para os companheiros. O técnico do Flu precisa encontrar uma melhor maneira de aproveitar o seu potencial, talvez dando maior liberdade a ele e colocando algum volante para proteger suas subidas; seus cruzamentos seriam um ótima arma ofensiva, já que poderiam ser bem aproveitados por Fred, bom cabeceador.

Mas é bom lembrar que, no meio de tantas mudanças e reações que precisam ser efetivadas, René Simões precisa cuidado. Parte da imprensa já especula sua saída do Flu, dizendo que inclusive já procuram um substituto para seu lugar. Não fez nada de muito importante esse ano para que tenha seu trabalho defendido, sobrevivendo pela ótima campanha que fez no Brasileirão ano passado. Se bobear, corre o risco de ver o time subir de produção nas mãos de outro treinador.

Foto: globoesporte.com

terça-feira, 3 de março de 2009

Chateado com toda a razão

Ele preferiu não ficar calado. Cuca não gostou nem um pouco das provocações feitas pelos torcedores do Botafogo no último domingo, ao gritarem “Vice é o Cuca”, e já prometeu vingança.

É fácil entender o motivo da brincadeira dos torcedores. Era um momento de muita euforia para eles; coisa típica de torcedor mesmo, que muitas vezes age mais com a paixão do que com a razão. Além disso, o grito provavelmente foi incentivado pelo fato do técnico ter ido para o Flamengo (como disseram os jogadores Leandro Guerreiro e Alessandro), com quem o clube alvinegro tem criado uma rivalidade cada vez mais ferrenha nos últimos anos.

Da mesma maneira, é muito fácil entender a irritação de Cuca, e acredito que tenha motivos para se sentir injustiçado, por mais que tudo tenha sido uma brincadeira. Afinal, o técnico fez um bom trabalho no Botafogo entre 2006 e 2008, que se não foi coroado com títulos teve seu auge ao conquistar a Taça Rio em 2007 e 2008 (esta após uma dura decisão contra o Fluminense). Taça Rio essa que, assim como a Taça Guanabara ganha nesse ano, é equivalente à conquista de um dos turnos do Carioca e dá vaga à decisão do Estadual.

O que os torcedores comemoravam, que na verdade não é um título (não é questão de desmerecer, mas realmente não é um título), Cuca também conseguiu. O trabalho de reformulação feito esse ano por Ney Franco também foi feito, talvez em menor escala, pelo agora técnico do Flamengo no ano passado, quando este se viu sem seus antes titulares Juninho, Joilson, Zé Roberto e Dodô e foi obrigado a apostar em Andre Luis, Alessandro, Zé Carlos e Wellignton Paulista e mais outros vistos com certa desconfiança.

Seria bom que tudo não passasse mesmo de uma brincadeira, já que o treinador, que levou o alvinegro carioca a duas semifinais de Copa do Brasil, em 2007 (quando perdeu pela displicência de seu time) e em 2008 (quando encontrou um time de nível igual e perdeu nos pênaltis), fez muito pelo Botafogo e merece um pouco mais de consideração. Por sorte, Cuca não pode jogar para descontar sua frustração em campo; o máximo que pode fazer é treinar bem sua equipe para que chegue à final do Estadual e derrote seu rival. E nisso ainda precisa melhorar, pois seu desempenho no Flamengo não vem sendo dos melhores, embora esteja num clube recheado de problemas que interferem no seu trabalho.

OBS: O irônico é que o agora aclamado Ney Franco era criticado em meados de 2007 pela torcida do Flamengo, mesmo após ter conquistado o Estadual. Quem muitos queriam? Cuca, justamente por fazer um bom trabalho no Botafogo mesmo sem conquistar um título, levando a equipe à liderança do Brasileirão por um bom tempo...

OBS 2: “Aumentou meu amor pelo Flamengo”, Cuca? Menos, menos...

segunda-feira, 2 de março de 2009

Sem dar sopa ao azar

Sem fazer barulho, Ney Franco levou uma equipe desacreditada à conquista da Taça Guanabara, tornando-se um dos maiores responsáveis por essa conquista

O Botafogo não quis saber de vacilar diante de um adversário de menor tradição e conquistou o primeiro turno do Campeonato Carioca, mais precisamente a Taça Guanabara, ao derrotar o Resende por 3 a 0. Com isso, já está garantido na final do Carioca e poderá se concentrar por um tempo na Copa do Brasil e no acerto do time.

Os comandados de Ney Franco fizeram o Resende se lembrar que, mesmo chegando à final, é um time limitado e que inclusive chegou às semifinais graças à punição sofrida pelo Vasco. O time dirigido pelo bom técnico Antônio Carlos Roy, provavelmente nervoso, não soube explorar os espaços dados pelo adversário enquanto o placar não havia sido aberto e ainda cedeu dois gols após verdadeiras lambanças de seus jogadores.

Aos 34 minutos da etapa inicial, Reinaldo aproveitou um erro do zagueiro Breno, que, ao tentar tirar a bola de sua área, jogou nas costas de um companheiro, e pegou a sobra para marcar o primeiro gol da partida. Já o terceiro, já aos 41 do segundo tempo, saiu após o goleiro Cléber e o meia Beto, numa cena digna de filme pastelão, se trombarem na área, deixando a bola sobrar livre para Maicosuel apenas tocar para o fundo do gol. É bom lembrar que o segundo gol do alvinegro carioca saiu numa falha do mesmo Beto, já que o apagado Lucas Silva, após belo passe de Juninho, passou por detrás do jogador do Resende, driblou o goleiro e tocou para o gol vazio.

Mas o objetivo, ao citar as falhas cruciais do Resende, não é desmerecer a conquista do Botafogo, até porque o time dominou a partida,. Depois dos primeiros minutos, após levar alguns sustos com os avanços de Bruno Meneghel nas costas de Thiaguinho, resultando em cruzamentos para a área mal aproveitados pelos seus companheiros, a equipe vitoriosa assustou bastante, principalmente com jogadas pelas laterais ou com as chegadas de Maicosuel ou Leandro Guerreiro. O primeiro gol deu calma ao time e o segundo desanimou o adversário, que veio para cima no começo do segundo tempo, fazendo com que Ney Franco fizesse duas substituições logo no início da etapa derradeira para frear o ímpeto inicial da zebra carioca. Para sorte do técnico, Lucas Silva, um dos escolhidos para sair mais cedo, marcou no seu último lance em campo.

Com o gol de Lucas Silva, Roy fez duas substituições ousadas e colocou os atacantes Hiroshi e Viola (sim, o veterano mesmo). Tudo bem que sua equipe precisava buscar o empate, mas a troca acabou por desarrumar o Resende, que ficou com três atacantes em campo e, sem qualidade, ou fazia uma inútil ligação direta ao ataque ou simplesmente não conseguia sair de seu campo (uma boa lição aos comentaristas que acreditam que simplesmente colocando mais atacantes em campo um time será mais ofensivo). A bola mal chegava nos atacantes ou era roubada facilmente e o Botafogo teve inúmeras chances de marcar; o Maracanã só não presenciou uma goleada pela displicência mostrada em várias jogadas, principalmente por Maicosuel, que virou um verdadeiro fominha após sua equipe abrir 2 a 0 no placar, querendo driblar meio time do Resende. Mas vinha jogando bem, marcou o último gol e escapou de receber um caminhão de críticas.

A vitória do Botafogo premiou a equipe que, se não brilhou, foi a que teve o melhor desempenho entre os grandes do estado: desacreditada e ciente de suas limitações, foi determinada e esteve bem arrumada em campo; méritos a Ney Franco por isso. Ainda não é um dos grandes do país, mas com reforços principalmente no setor ofensivo, que ainda carece de habilidade e criatividade (e como perde gols!), pode surpreender esse ano. E já dá esperanças à diretoria do clube, que pode ver sua política de pés no chão dar certo nesse ano.

Edit - 10:15 - OBS: Já vi muitos rubro-negros dizendo que não acreditavam como o Resende pode ter ganho o Flamengo e ter sido derrotado tão facilmente pelo Botafogo. Simples: o Fla jogou muito mal na semifinal, foi lento e pouco criativo no ataque e deu muitos espaços na defesa; prova disso foi que Bruno Meneghel perdeu dois gols feitos quando o jogo ainda estava 0 a 0 e no segundo gol Hiroshi carregou a bola desde o meio campo sem ser incomodado. Bem diferente do Botafogo, que dominou a partida e procurou não dar espaços ao adversário.

Foto: globoesporte.com