quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Fazendo a devida reposição

Diguinho foi uma das melhores aquisições feitas pelo Fluminense para esta temporada

Se os torcedores do Fluminense tinham motivos para ficarem assustados com a saída de jogadores importantes do elenco como Washington, Arouca, Júnior César e Thiago Silva, agora já podem ficar mais tranquilos com a reposição que vai sendo feita pelo clube.

Para o lugar de Washington, veio Leandro Amaral. Se Leandro não possui o estilo raçudo do Coração Valente, pelo menos não é de desperdiçar gols incríveis como o agora jogador do São Paulo costumava fazer. O novo atacante do Flu tem se mostrado confiável e goleador desde que foi contratado pelo Vasco em 2006 e deverá recompensar o esforço da diretoria em contratá-lo. Curiosamente, dos “Três Tenores” que desembarcaram nas Laranjeiras no início de 2008, o único que iniciará a atual temporada no clube será aquele que mal jogou pelo Flu no ano passado, já que Leandro Amaral foi obrigado a retornar ao Vasco ainda em abril.

Diguinho provavelmente fará com que a torcida não sinta muitas saudades de Arouca, embora este seja um jogador jovem e promissor. Enquanto uma das recentes crias de Xerém a algum tempo já não mostrava o excelente desempenho que fez com que se tornasse um dos destaques do Flu em 2005, voltando a se destacar mesmo apenas com a chegada de René Simões, Diguinho vem de duas temporadas muito bem sucedidas no Botafogo. Como marca com muita eficiência e sabe jogar com a bola nos pés, deve ser uma das principais peças do meio campo da equipe.

Outra grande contratação do time foi o lateral esquerdo Leandro, que preencherá muito bem a vaga deixada por Júnior César. O ex-lateral do Palmeiras e do Cruzeiro aparece muito bem no ataque e não compromete na defesa (algo difícil, pois os bons laterais brasileiros atualmente são muito mais alas do que laterais, apoiando muito bem mas sem marcar com a mesma eficiência), faz bons cruzamentos e passa bem a bola. Se bobear, terá um desempenho melhor do que o de Júnior César este ano.

Substituir Thiago Silva é uma tarefa complicadíssima. No Brasil, talvez apenas Miranda seria um nome a altura, já que o Monstro já era zagueiro a nível de seleção. Com a saída do excelente jogador para o Milan, resta apostar as fichas em Edcarlos, reserva no ano passado; se não é o melhor nome, também não deve comprometer, pois não é ruim. Provavelmente formará uma zaga segura ao lado de Luis Alberto.

Além disso, o Fluminense fez outras contratações que não são de muito destaque mas que podem surpreender com o decorrer da temporada, como os zagueiros Xandão (ex-Guarani) e Cássio (ex-Avaí), o lateral direito Mariano, os meias Leandro Domingues e Jaílton (não é dos melhores, mas pelo menos é melhor do que Romeu e Ygor) e os atacantes Válber (ex-Avaí) e Roger (ex-Sport e São Paulo). Além disso, o time conseguiu manter o meia Conca, que foi muito bem no ano passado. O clube das Laranjeiras, sem fazer muito barulho, vai formando um bom elenco para esse ano. Só falta aproveitar melhor os jogadores da base que possui, coisa que o clube não vem fazendo muito bem ultimamente. Não adianta ter Xerém e uma excelente categoria de base e não aproveitá-la devidamente.

Foto: globoesporte.com

segunda-feira, 5 de janeiro de 2009

Carlos Alberto e Vasco: esse casamento pode dar certo?

O blog ficou um tempo parado, mas o mercado de transferências no Brasil continuou ativo. Entre as contratações de impacto anunciadas nos últimos dias, destaque para a ida quase certa de Carlos Alberto para o Vasco; o clube carioca espera apenas uma liberação do Werder Bremen para concretizar a negociação.

Carlos Alberto pode reclamar do que quiser, menos de que não recebeu chances no futebol. Isso porque mais um clube aposta suas fichas no jogador, que ultimamente vem se destacando mais por manchar seu currículo do que por mostrar um bom desempenho em campo.

Carlos Alberto brigando com Sanogo no Werder Bremen: talvez o único momento marcante do meia no clube alemão

Talento todos sabem que ele tem. Quem se lembra das partidas dele no Fluminense, logo que surgiu para o futebol, e no Porto, quando ajudou o clube português a conquistar a Liga dos Campeões e marcou até um gol na final contra o Monaco, sabe disso. O problema é que há muito tempo Carlos Alberto não mostra todo seu potencial. Para piorar, sempre está envolvido em confusões. Brigou com a diretoria do Porto para se transferir para o Corinthians, onde não obteve muito sucesso e amargou a reserva por um bom tempo. Ainda no Corinthians, discutiu feio com Leão logo após ser substituído. Pagou mico no Werder Bremen, tornando-se a transferência mais cara do clube mas jogando apenas duas partidas e sendo lembrado apenas por brigar feio com o atacante Sanogo num treinamento. No ano passado, tumultuou o ambiente do São Paulo após brigar com Fábio Santos e ser afastado. Para terminar, após voltar a ter certo destaque nos campos jogando pelo Botafogo, foi acusado de liderar um racha na equipe e de ter disputado uma pelada mesmo estando supostamente machucado enquanto o Botafogo jogava pela Sul-Americana. Com um currículo desses em tão pouco tempo (o meia tem apenas 24 anos), fica difícil prever melhorias no comportamento do jogador.

E é justamente por isso que sua contratação é um risco para o Vasco. Para um clube que tem como objetivo principal a promoção para a Série A, ter como líder e craque do time um jogador que ultimamente se destaca muito mais por estar envolvido em confusões do que por ter um bom desempenho em campo pode não ser uma boa idéia. Além disso, Carlos Alberto possui um salário muito alto (e que não condiz com o que vem mostrando nos campos, diga-se de passagem), o que pode dar uma dor de cabeça das grandes para os cofres vascaínos, principalmente se não render tudo o que se espera dele.

Se a negociação se concretizar, que Carlos Alberto finalmente agarre a chance de voltar a jogar bem. A mancha em seu currículo aumenta cada vez mais, e já está na hora de corresponder as expectativas depositadas nele; daqui a um tempo, se continuar decepcionando, poucos serão os que confiarão no seu potencial. E que o Vasco também tenha sorte nessa contratação: se o jogador mostrar um bom futebol, as chances de sucesso do time na Série B serão grandes; isso não quer dizer que o contrário ocorrerá caso o jogador não tenha sucesso, mas no mínimo a diretoria terá de aguentar uma enxurrada de críticas, pois não foram poucos os que torceram o nariz quando souberam da possível contratação do meia.

Foto: www.estadao.com.br

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

OFF: Agora, só em 2009

Pessoal, Leandrus escreve para lhes comunicar que o post sobre o Flamengo foi o último de 2008. Agora, o blog só será atualizado no ano que vem, muito provavelmente no dia 5 de janeiro.

Então, este é o momento de desejar a todos vocês que visitam este espaço um Feliz Natal e um ótimo 2009, com muita paz, saúde, sucesso, dinheiro e o que mais vocês quiserem de bom. E também aproveito para agradecer a todos que acompanharam este blog, que fará um ano em fevereiro do ano que vem. Não quero citar alguns nomes para não ser injusto com alguém; por isso agradeço de coração a todos aqueles que leram e comentaram em meus posts, desde aqueles que passaram por aqui quando esta página ainda estava engatinhando até os que começaram a visitá-la no meio ou no final do ano. Agradeço também aos que me adicionaram no msn e/ou no orkut e se comunicaram comigo através de e-mails. A força e a ajuda de vocês foram muito importantes para que eu prosseguisse com este blog; e sinceramente, por mais clichê que seja falar isso, nem achei que ia gostar mesmo de escrever sobre futebol e F-1 e até mesmo fazer novos amigos virtuais.

Então, nos vemos no ano que vem! Como diria Téo José, “um forte abraço e cuide-se bem!” Ateh!

segunda-feira, 22 de dezembro de 2008

Fim de ano com um gosto amargo

Para o Flamengo, 2008 pode ser visto de duas maneiras: uma delas, mais otimista, é a de um clube que voltou a figurar entre os grandes do Brasil; a outra, mais melancólica, é a de um time que colecionou vexames que certamente ficarão marcados na história do clube.

Se em 2006 e em 2007 o Flamengo voltou a ser destaque nacional de maneira positiva com a conquista da Copa do Brasil e a 3º posição no Brasileirão, respectivamente, 2008 foi o ano em que o Flamengo voltou a ser considerado um dos melhores times do Brasil. Após manter a base de ano anterior e reforçar o elenco nas posições consideradas carentes, o Flamengo não só foi considerado um dos favoritos ao título do Carioca como também do Campeonato Brasileiro, além de estar no grupo dos que prometiam chegar longe na Libertadores. É necessário lembrar que rebaixamento foi uma palavra que, diferentemente dos últimos anos, não foi dita na Gávea durante toda a temporada, já que o time sempre esteve brigando pelas primeiras posições no campeonato nacional. Por último, o rubro-negro carioca teve sua melhor pontuação no Campeonato Brasileiro desde que a fórmula de pontos corridos foi adotada: com os 64 pontos conquistados, terminou na 5º posição.

Porém, provavelmente isso será esquecido por todos quando 2008 for lembrado na história do Flamengo. Isso porque, embora o clube tenha conquistado mais um Estadual e tenha se juntado ao Fluminense como o maior vencedor da competição, este, de certa maneira, foi um ano decepcionante para o clube. A equipe rubro-negra falhou em diversos momentos decisivos, e poderia ter tido melhores resultados na temporada não fosse alguns tropeços históricos.

A derrota para o América-MEX em pleno Maracanã entrou para a galeria de vexames da história do Flamengo

Pior do que ter tropeçado em momentos decisivos foi ter falhado na maioria das vezes em pleno Maracanã, ou seja, diante de uma torcida que nunca abandonou o time durante o ano. Como esquecer o tropeço homérico do time na Libertadores, quando perdeu diante de 50 mil rubro-negros para o América-MEX por 3 a 0 (Maracanazzo? Oba-oba? Apagão?), dias após a conquista do Carioca e podendo perder por 2 gols, acarretando na eliminação do clube ainda nas oitavas de finais? E como esquecer a campanha do time no Campeonato Brasileiro, quando o time perdeu diversos pontos em casa? Tudo bem, perder para São Paulo, Cruzeiro e Vitória chegou a ser aceitável, já que os três estavam numa boa fase; mas empatar para a Portuguesa na zona de rebaixamento, empatar com o Goiás quando antes o Fla vencia por 3 a 0 e perder para um irregular Atlético-MG por 3 a 0 no jogo em que a torcida bateu recorde de público, com ingressos esgotados dias antes do jogo, foi inaceitável para um time que brigava pelo título. Se em 2007 o Flamengo era quase imbatível em casa, em 2008 houve momentos em que era mais fácil esperar um tropeço do time quando jogava no Maracanã.

A saída do artilheiro Marcinho em julho seguida da falta de reposição prejudicou o desempenho do Fla no Campeonato Brasileiro

Além desses insucessos que deixaram um gosto muito amargo na boca dos rubro-negros, o clube passou por diversas turbulências no ano. Por exemplo, a venda de jogadores de ataque no meio do Brasileiro (principalmente Marcinho), quando o Fla era líder disparado da competição, seguida da falta de reposição, fez com que o time caísse bruscamente de produção e conquistasse míseros 2 de 21 pontos possíveis; isso fez com que houvesse forte revolta da torcida, com direito a invasão de alguns torcedores em pleno treinamento. Some-se isso a suposta agressão a prostitutas numa festinha particular promovida por alguns jogadores, um técnico (Caio Jr.) fortemente pressionado pela torcida e não muito bem aceito por alguns jogadores, reforços que não renderam o esperado (Jônatas, Fierro, Josiel e até mesmo Kléberson) e declarações inoportunas do presidente Márcio Braga e será possível entender porque muitos rubro-negros passaram boa parte do ano de cabeça quente.

Num ano de altas expectativas, os tropeços, e por quê não, vexames na Libertadores e no Brasileirão fizeram com que o Flamengo terminasse o ano sem uma vaga na maior competição das Américas e sendo extremamente criticado por torcedores e imprensa. Tudo bem, comparado a anos anteriores, o Fla mostrou uma ótima evolução (um 5º lugar no Campeonato Brasileiro seria muito comemorado em outras épocas), tanto que o clube voltou a ter jogadores convocados para a Seleção: Léo Moura foi convocado para um amistoso em fevereiro e Juan, para dois jogos das Eliminatórias; mas, por ter tido tantas decepções, principalmente durante o 2º semestre, o que predomina é uma visão negativa do ano e de que o desempenho do time poderia ter sido melhor.

Fotos: 1ª e 2ª - globoesporte.com/ 3ª - esporte.ig.com.br

sexta-feira, 19 de dezembro de 2008

Um ano de altos e baixos

Se 2008 prometia ser um grande ano para Renato Gaúcho, o mesmo valia para o Fluminense. O clube das Laranjeiras havia se recuperado de um 2006 decepcionante com a conquista da Copa do Brasil e a 4º posição no Campeonato Brasileiro em 2007, e finalmente voltaria a disputar a Libertadores, motivo de muito orgulho para seus torcedores. Com o término da temporada, pode-se dizer que foi um ano tanto de alegrias quanto de decepções para os tricolores.

O Fluminense, junto com o Flamengo, era o favorito para conquistar o Carioca, já que havia mantido seus melhores jogadores e havia se reforçado muito bem, com destaque para as contratações do argentino Conca e do chamado “Três Tenores”, como foi apelidado o novo trio de ataque formado por Washington, Dodô e Leandro Amaral. Porém, o desempenho tricolor foi frustrante: Renato Gaúcho passou a competição toda tentando achar a formação ideal da equipe, principalmente porque não conseguia encaixar os três atacantes juntos em campo. Quando percebeu que isso não era possível, já havia sido eliminado da Taça Guanabara. O treinador ainda teve a vida facilitada pela volta forçada de Leandro Amaral para o Vasco, mas ainda assim não levou o time à final da competição. De positivo, a goleada por 4 a 1 em cima do Flamengo na TG e o fato de a competição ter servido como teste para a Libertadores.

O gol da classificação para as semifinais da Libertadores marcado por Washington já nos acréscimos pode ser considerado um momento marcante na campanha do Fluminense neste ano

E foi mesmo na Libertadores que o Fluminense teve seu grande momento no ano. Embora tropeçasse de vez em quando no Carioca, o time dava show no torneio continental. Enquanto o rival Flamengo era campeão estadual e logo depois eliminado vergonhosamente do principal torneio das Américas, o Fluminense comemorava vitórias épicas e históricas em cima de São Paulo e Boca Juniors, que colocaram o clube na final do torneio e em evidência internacionalmente depois de um bom tempo.

O adversário da final era a LDU, clube para o qual o Flu não havia perdido na fase de grupos. O time perdeu por 4 a 2 no Equador e venceu por 3 a 1 no Rio, mas acabou sendo derrotado nos pênaltis diante de um Maracanã lotado e mesmo após sensacional exibição de Thiago Neves em ambos os jogos. No geral, o Flu jogou melhor, mas prejudicou e muito a atuação do time nos primeiros 45 minutos no jogo na casa da LDU, quando o tricolor carioca foi para o intervalo já perdendo por sonoros 4 a 1. Um triste fim após uma campanha tão bela e marcante feita pelo time, que, embora não tenha terminado como os torcedores desejavam, não pode ser facilmente esquecida.

Restou ao time disputar o Brasileirão. Mas como encará-lo com um elenco abatido pela perda do título, um técnico criticado pelas suas declarações infelizes antes da final do torneio continental e pela discutível decisão de colocar o time reserva enquanto o clube disputava a Libertadores, o que deixou o time quase na última posição? Conseguindo apenas resultados medianos, Renato Gaúcho foi demitido. Cuca foi colocado em seu lugar, o que se mostrou uma péssima decisão desde o início: o treinador estava tão abatido quanto Renato em virtude de seus insucessos em 2008 e só piorou a situação do time. Este período, entre julho e setembro, foi o pior do clube no ano, quando poucos jogavam bem, Thiago Neves e Cícero haviam se transferido, Dodô, brigado com todos, já havia ido embora, e o time se via cada vez mais próximo do rebaixamento.

Mas René Simões trouxe a paz de volta às Laranjeiras. O técnico, que assumiu o time em outubro sob muita desconfiança, fez um excelente trabalho, recuperou a auto-estima do time e foi essencial na recuperação de jogadores como Arouca, Tartá, Maicon e Romeu. Dos 30 pontos possíveis, 18 foram conquistados, com destaque para o empate com o São Paulo em pleno Morumbi na penúltima rodada que quase botou água no chope do tricolor paulista. O time, único carioca a terminar o campeonato em festa, salvou-se do rebaixamento e ainda se classificou para a Sul-Americana (o que não é motivo de tanto orgulho, mas...).

Enfim, foi um ano de altos e baixos para os tricolores, que tiveram de conviver com diversos sentimentos durante 12 meses. O time, merecidamente, manteve René Simões no cargo, mas já perdeu peças importantes, como Thiago Silva, que finalmente se transferiu para o exterior, e Júnior César e Washington, que foram para o São Paulo (os “Três Tenores” foi literalmente dissolvido). Luis Alberto e Arouca também devem deixar o clube. Mais do que nunca, com a ajuda de seus parceiros, o Fluminense terá de reconstruir bem o seu elenco para não sofrer como durante boa parte do segundo semestre.

Fotos: 1ª - globoesporte.com/ 2ª e 3ª - esporte.ig.com.br

quinta-feira, 18 de dezembro de 2008

A síndrome continua

O objetivo era acabar com a fama de “time do quase”; porém, isso não foi possível. Assim como em 2007, o Botafogo foi vice do Carioca, caiu nas semifinais da Copa do Brasil, ficou perto de conquistar uma vaga na Libertadores e foi eliminado na Sul-Americana por um time argentino. Novamente se viu envolvido em algumas polêmicas e terminou o ano em séria crise.

Havia muita desconfiança no início do ano por uma série de fatores: o time havia perdido peças importantes como Dodô, Zé Roberto, Juninho e Joílson; a diretoria havia formado uma equipe mais barata, com jogadores que estavam meio sumidos como Zé Carlos, Wellington Paulista e André Luis, outros desconhecidos, como Edson e Fábio, e até mesmo alguns renegados pela torcida, como Alessandro. Além disso, apostava em jogadores estrangeiros de qualidade duvidosa, como Castillo, Ferrero e Escalada.

Para quem passava por uma reformulação na equipe, o Botafogo foi muito bem no Carioca. O time se acertou rapidamente, conquistando belas vitórias nos dois turnos da competição. Wellington Paulista e Lúcio Flávio comeram a bola no campeonato. Chegou à final do Estadual e perdeu para o Flamengo nos dois jogos, mas mostrando muita disposição e luta. Porém, o que irá ficar marcado é a reclamação do clube após a derrota por 2 a 1 para o Fla na final da Taça Guanabara, com direito a entrevista coletiva com todos os jogadores reunidos sem terem tomado banho e renúncia de Bebeto de Freitas.

Cena marcante no ano: a revolta alvinegra após a derrota para o Fla na final da Taça Guanabara

O que isso trouxe para o Botafogo? Nada de bom. O alvinegro carioca tinha um belo desempenho no ano até então, e manchou boa parte do que tinha feito ao reclamar exageradamente da arbitragem. Seria mentira falar que não houve erros que prejudicaram o time de Cuca naquele 24 de fevereiro. Mas é bom lembrar que alguns dos erros apontados por jogadores e dirigentes não aconteceram e que também houveram erros que prejudicaram o Flamengo. Só restou mesmo a fama de time chorão, que agora permanecerá por um bom tempo.

Ainda restava a Copa do Brasil no 1º semestre. Mas o Botafogo não fez uma campanha tão boa. Tudo bem, chegou à semifinal, mas sem convencer muito e tropeçando fora de casa contra times inferiores como River-PI e Portuguesa. Mesmo lutando muito, perdeu para o Corinthians na decisão por pênaltis diante de um Morumbi lotado.

O clube só voltou a ter destaque nas páginas policiais, quando André Luis foi preso após uma grande confusão no jogo contra o Náutico no Estádio dos Aflitos. O clube só voltou a se destacar nas páginas esportivas quando Ney Franco assumiu a equipe, após o fracasso de Geninho, que não substituiu Cuca a altura após a eliminação do clube da Copa do Brasil. O treinador, que havia pego o time quase na zona de rebaixamento, levou-o a incríveis 11 jogos sem perder no Brasileirão. O Botafogo, muito bem armado em campo, chegou a estar ma 4º posição no campeonato e parecia ser um sério candidato a uma vaga na Libertadores. Só parecia, pois o time começou a perder pontos preciosos para times que estavam na parte de baixo da tabela, como Náutico, Portuguesa, Vasco e Santos e foi caindo pelas tabelas. Dessa maneira, a Copa Sul-Americana passou a ser priorizada.

Talvez o dia 1 de outubro tenha sido um dos mais importantes do Botafogo esse ano. Foi quando o time enfrentou o América de Cali pela Sul-Americana em casa e o derrotou por 3 a 1, conseguindo a classificação para a próxima fase após suportar forte pressão do adversário nos minutos finais; se o time colombiano marcasse um gol, o time carioca seria eliminado da competição. Isso provou que a dolorosa eliminação na edição anterior da Sul-Americana estava superada.

Mas não teve jeito; o Botafogo voltou a ficar marcado negativamente numa edição da competição continental sem ao menos ter chegado na final do torneio. Tudo por causa da cena ridícula de André Luis no jogo que eliminou o time carioca da competição, quando o zagueiro tomou furiosamente o cartão amarelo das mãos do juiz. No mínimo, um lance bizarro, que só serviu para reafirmar a já famosa frase: “Tem coisas que só acontecem com o Botafogo”...

O que restou no final do ano foi um time novamente sem títulos e pior, afundado numa crise financeira que atrasou absurdamente o salário dos jogadores e tirou o foco da equipe no Brasileirão, fazendo com que o time perdesse vários jogos, dos mais fáceis até os mais difíceis. Como consolo, o Botafogo ainda derrotou o Palmeiras em pleno Palestra Itália na última rodada e terminou o campeonato na 7º posição, a melhor do clube desde 1995. Mas isso de pouco adiantou, já que o fantasma do “quase” continua atormentando o clube. Pelo menos não se viu em campo um time sendo eliminado das competições de forma humilhante: o botafoguense dessa vez pelo menos teve um pouco mais de dignidade.

Quanto aos jogadores: Lúcio Flávio, Túlio, Diguinho (que conseguiu jogar ainda melhor do que em 2007), Renato Silva (que subiu demais de produção) e Wellington Paulista foram os destaques do ano. Castillo e Renan finalmente deram segurança ao gol alvinegro. Thiaguinho foi a surpresa do ano. Carlos Alberto conseguiu mostrar um bom futebol e ajudou a equipe em certos momentos, mas, como sempre, saiu do clube pela porta dos fundos. As contratações estrangeiras acabaram não vingando, sendo Castillo a exceção e Escalada, a piada. Mas as contratações infelizes não foram só essas: Túlio Souza e Gil também decepcionaram. Mas esse último já não engana mais ninguém mesmo...

Fotos: 1ª e 4ª - globoesporte.com/ 2ª - www.estadao.com.br/ 3ª - www.lancenet.com.br

sábado, 13 de dezembro de 2008

Chances de ouro

Tendo poucas opções no mercado e visando o início do planejamento para 2009, Vasco e Flamengo já decidiram quem serão seus comandantes no próximo ano (pelo menos inicialmente): Dorival Júnior treinará a equipe de São Januário e Cuca, a da Gávea.

A escolha do Vasco foi excelente; como o Corinthians, contratou um técnico para treinar um time na Série B quando este poderia perfeitamente comandar uma equipe da Série A. Um dos melhores nomes da nova geração de técnicos, Dorival se saiu muito bem no São Caetano, Cruzeiro e Coritiba, por exemplo, e levou alguma de suas equipes a um patamar que poucos esperavam. Já mostrou que pode fazer ótimos trabalhos de reformulação, justamente o que o Gigante da Colina precisa depois de um ano tão trágico como 2008.

A contratação do Flamengo já é mais arriscada. Cuca fez bons trabalhos até 2007, mas 2008 foi um ano negro em seu currículo: não foi mal no Botafogo, mas teve um desempenho decepcionante no Santos e no Fluminense, deixando ambos os times em péssima situação no Campeonato Brasileiro. Ou seja, pelo seu retrospecto nesse ano, terminar o ano como o escolhido para comandar o Fla no ano que vem foi um verdadeiro presente de natal. Pesa também o fato de ainda não ter conquistado um título como treinador e ter sérios problemas no aspecto psicológico. Mas se saiu muito bem no Goiás em 2003 e só não foi campeão com o alvinegro carioca em 2007 porque, como diz o ditado popular, tem coisas que só acontecem com o Botafogo...

Com certeza tanto Dorival Júnior quanto Cuca receberam chances de ouro; o primeiro pode ficar marcado como o técnico que levou o Vasco de volta à Série A, e o segundo pode ser lembrado como o treinador que colocou o Flamengo de volta aos trilhos e que compensou o decepcionante 2008 que o clube teve. De qualquer maneira, ambos terão muito trabalho pela frente, e já devem começar a trabalhar nos próximos dias, analisando e adiantando as contratações, dispensas e renovações de que suas equipes necessitam.