2007 foi um ótimo ano para o Renato Gaúcho: o ex-jogador conquistou seu primeiro título como treinador ao conquistar a Copa do Brasil com o Fluminense, assegurando dessa maneira uma vaga na Libertadores do ano seguinte, e ainda levou o time à 4º posição do Campeonato Brasileiro, o que também dava direito ao clube de ir à competição continental, mesmo sabendo que o elenco tinha poucas pretensões no torneio nacional. Renato tornou-se muito respeitado e as expectativas para 2008 eram as melhores possíveis. Mas as coisas não saíram como planejadas.
O treinador teve dificuldades para armar o Fluminense no começo do ano e acabou decepcionando no Carioca, não conquistando nenhum dos dois turnos e ficando de fora da final da competição. Porém, fez ótima campanha na Libertadores, ajudou a colocar o nome do clube em evidência fora do país, derrotou os temidos São Paulo e Boca Juniors de forma épica, mas perdeu na final para a LDU na decisão por pênaltis, em pleno Maracanã.
Foi um duro golpe para Renato Gaúcho. O técnico virou motivo de chacota por causa de polêmicas declarações antes dos jogos contra a LDU. Tudo bem, talvez elas tenham sido mal-interpretadas ou não expressaram bem o que o treinador queria dizer, mas a verdade é que foram fortes demais, deixando um ar de provocação no ar, e inoportunas para o momento. Extremamente abatido, o treinador não conseguiu recuperar o Fluminense na competição que lhe restava, o Brasileirão, e foi demitido.
Depois de tanto estresse, talvez a melhor coisa a ser feita fosse mesmo descansar e se preparar para o ano seguinte. Afinal, por maior que fosse a decepção por não ter conquistado a Libertadores, o fato de ter levado o clube à final da competição não poderia ser esquecido; Renato teve os seus méritos e deve ser respeitado por isso. Com certeza teria mercado em 2009 e algum clube forte iria contratá-lo. Mas ele assumiu um risco e aceitou o desafio de comandar um decadente Vasco um mês depois de ser demitido do Flu.
O começo foi difícil, assim como toda a trajetória do clube até a última rodada. O time era limitado, estava visivelmente abatido e, embora Renato tentasse de tudo, demorou a engrenar. Prova disso é que só foi conquistar a primeira vitória na sua sexta partida no comando da equipe, mesmo após boas exibições contra Sport e Flamengo. No final das contas, o treinador até fez um bom trabalho, reagindo no final do campeonato. Mas acabou num cenário parecido com o da Portuguesa: fez boas partidas, mas, prejudicado pelo desespero que bateu no time nos últimos jogos e pelos resultados ruins da era Antônio Lopes e principalmente da era Tita, não resistiu e acabou rebaixado.
Aí fica a pergunta: não seria melhor ter se preservado para 2009? Na verdade, isso já era discutido no momento em que resolveu treinar o Gigante da Colina. Talvez sim, justamente por ter agora seu nome associado à tragédia que ocorreu ao clube e ter se desgastado mais ainda. Mas é importante lembrar que era uma ótima chance do técnico se recuperar, e ele quase conseguiu isso; mas, por inúmeros fatores, como limitação do elenco e tropeços em São Januário, não foi possível se salvar do descenso.
A verdade é que, em um ano, Renato Gaúcho foi do céu ao inferno. Cada um ficará com uma impressão diferente sua, mas ele não pode cair no esquecimento por causa das decepções que teve esse ano, como não deverá acontecer (comenta-se que o Grêmio deseja contratá-lo caso Celso Roth não renove), pois também mostrou ser um ótimo treinador e que tem muito futuro. O certo é que deve pensar nos erros que cometeu, principalmente nas suas declarações desastradas, para que cresça como técnico. E por favor, pare de ficar abatido a cada derrota: ninguém vai querer um comandante mais desanimado que os jogadores.
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