quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

Do céu ao inferno

2007 foi um ótimo ano para o Renato Gaúcho: o ex-jogador conquistou seu primeiro título como treinador ao conquistar a Copa do Brasil com o Fluminense, assegurando dessa maneira uma vaga na Libertadores do ano seguinte, e ainda levou o time à 4º posição do Campeonato Brasileiro, o que também dava direito ao clube de ir à competição continental, mesmo sabendo que o elenco tinha poucas pretensões no torneio nacional. Renato tornou-se muito respeitado e as expectativas para 2008 eram as melhores possíveis. Mas as coisas não saíram como planejadas.

O treinador teve dificuldades para armar o Fluminense no começo do ano e acabou decepcionando no Carioca, não conquistando nenhum dos dois turnos e ficando de fora da final da competição. Porém, fez ótima campanha na Libertadores, ajudou a colocar o nome do clube em evidência fora do país, derrotou os temidos São Paulo e Boca Juniors de forma épica, mas perdeu na final para a LDU na decisão por pênaltis, em pleno Maracanã.

Foi um duro golpe para Renato Gaúcho. O técnico virou motivo de chacota por causa de polêmicas declarações antes dos jogos contra a LDU. Tudo bem, talvez elas tenham sido mal-interpretadas ou não expressaram bem o que o treinador queria dizer, mas a verdade é que foram fortes demais, deixando um ar de provocação no ar, e inoportunas para o momento. Extremamente abatido, o treinador não conseguiu recuperar o Fluminense na competição que lhe restava, o Brasileirão, e foi demitido.

Apenas uma das inúmeras brincadeiras feitas com Renato após a perda do título da Libertadores

Depois de tanto estresse, talvez a melhor coisa a ser feita fosse mesmo descansar e se preparar para o ano seguinte. Afinal, por maior que fosse a decepção por não ter conquistado a Libertadores, o fato de ter levado o clube à final da competição não poderia ser esquecido; Renato teve os seus méritos e deve ser respeitado por isso. Com certeza teria mercado em 2009 e algum clube forte iria contratá-lo. Mas ele assumiu um risco e aceitou o desafio de comandar um decadente Vasco um mês depois de ser demitido do Flu.

O começo foi difícil, assim como toda a trajetória do clube até a última rodada. O time era limitado, estava visivelmente abatido e, embora Renato tentasse de tudo, demorou a engrenar. Prova disso é que só foi conquistar a primeira vitória na sua sexta partida no comando da equipe, mesmo após boas exibições contra Sport e Flamengo. No final das contas, o treinador até fez um bom trabalho, reagindo no final do campeonato. Mas acabou num cenário parecido com o da Portuguesa: fez boas partidas, mas, prejudicado pelo desespero que bateu no time nos últimos jogos e pelos resultados ruins da era Antônio Lopes e principalmente da era Tita, não resistiu e acabou rebaixado.

Aí fica a pergunta: não seria melhor ter se preservado para 2009? Na verdade, isso já era discutido no momento em que resolveu treinar o Gigante da Colina. Talvez sim, justamente por ter agora seu nome associado à tragédia que ocorreu ao clube e ter se desgastado mais ainda. Mas é importante lembrar que era uma ótima chance do técnico se recuperar, e ele quase conseguiu isso; mas, por inúmeros fatores, como limitação do elenco e tropeços em São Januário, não foi possível se salvar do descenso.

A verdade é que, em um ano, Renato Gaúcho foi do céu ao inferno. Cada um ficará com uma impressão diferente sua, mas ele não pode cair no esquecimento por causa das decepções que teve esse ano, como não deverá acontecer (comenta-se que o Grêmio deseja contratá-lo caso Celso Roth não renove), pois também mostrou ser um ótimo treinador e que tem muito futuro. O certo é que deve pensar nos erros que cometeu, principalmente nas suas declarações desastradas, para que cresça como técnico. E por favor, pare de ficar abatido a cada derrota: ninguém vai querer um comandante mais desanimado que os jogadores.

Foto: www.kibeloco.com.br

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Ele não foi o maior culpado

Cena comum nos últimos meses: torcida do Fla desejando a demissão de Caio Jr.

Não teve jeito: Caio Jr. não é mais técnico do Flamengo. A demissão não foi surpreendente, já que sua relação com a torcida do clube estava totalmente desgastada e o time que dirigia não conseguiu a classificação para a Libertadores após ter tido diversas chances para se classificar para a competição.

Em certas ocasiões, até que a torcida teve razão em criticar o treinador. Em alguns jogos, Caio Jr. tomou decisões precipitadas, como na fatídica derrota para o Atlético-MG no Maracanã, quando insistiu em Sambueza jogando na ala esquerda até o fim da partida, não colocando um lateral de origem na posição, e jogando o garoto Erick Flores na fogueira; falhou também ao muitas vezes deixar um irreconhecível Kléberson em campo. Isso para não falar quer era nítido em vários momentos do campeonato que seu time não conseguia jogar quando Juan e/ou Léo Moura não atuavam bem ou eram bem marcados; o ex-técnico do Palmeiras nunca achou uma maneira de desafogar o jogo nas laterais (neste caso, deve-se lembrar que as más atuações de Ibson e Kléberson atrapalharam a sua vida). Para piorar, Caio nunca conseguiu controlar focos de insatisfação na equipe; por exemplo, não conseguiu acalmar os ânimos do já citado Ibson, Cristian e Jônatas quando estes mostravam descontentamento por serem substituídos ou barrados.

Mas Caio não pode ser usado como bode expiatório, pois não foi o culpado da decepcionante campanha do Fla. Se chegou a errar em algumas substituições ou na escalação do time, é verdade que muitos jogadores não corresponderam durante o campeonato. Jogadores como Sambueza, Dininho, Fierro e Josiel não mostraram a que vieram, servindo apenas como meras opções no banco; Kléberson não mostrou todo o seu potencial, Jônatas foi uma piada e Ibson só foi melhorar na reta final do campeonato. Isso atrapalhou e muito a formação de um time durante o Brasileirão. A torcida do Flamengo sempre reclamava das escolhas de Caio Jr., mas se alguém perguntasse a formação ideal do time para 5 ou 7 torcedores, certamente não haveria uma escalação igual, e sim um criticando o outro pelos jogadores escolhidos; isso ocorreria justamente porque foi uma tarefa bem ingrata achar a equipe ideal durante a competição, o que de fato não aconteceu.

Além disso, é importante lembrar: nem sempre a culpa das derrotas do Flamengo em casa foi de Caio Jr. Por exemplo, a derrota para o Cruzeiro ocorreu após desatenção do sistema defensivo do Fla nos dois gols num curto espaço de tempo e contusão de Diego Tardelli após as três substituições já terem sido feitas; na derrota para o Vitória, houve um gol legítimo de Tardelli anulado pela bandeirinha quando o jogo ainda estava 0 a 0. Já no incrível empate contra o Goiás, Jaílton (duas vezes) e Fierro falharam clamorosamente nos gols do adversário.

Por último, ainda teve a famosa janela do meio do ano que levou praticamente o ataque do Flamengo. É verdade que àquela altura do campeonato Souza estava em má fase, mas Renato Augusto vinha bem e Marcinho era o artilheiro do campeonato. A diretoria demorou demais a repor as peças perdidas, Tardelli, eventual substituto dos jogadores vendidos, machucou-se, e o resultado disso foram 2 pontos conquistados de 21 possíveis.

Caio Jr. obviamente não era um treinador perfeito, mas não se pode colocar toda a culpa do que aconteceu no Campeonato Brasileiro em suas costas. É um bom e jovem técnico, que tem suas deficiências mas ainda pode corrigi-las. De qualquer maneira, é bom já pensarem em quem colocar no cargo. A torcida e a diretoria do Flamengo deseja um técnico “top”, mas talvez Luxemburgo não saia do Palmeiras, há poucas peças disponíveis no mercado, nem todas de boa qualidade e Felipão e Muricy, merecidamente elogiados por todos, não irão para o Flamengo, pelo menos neste momento. Contratar um novo técnico não será uma tarefa das mais fáceis; rubro-negros, torçam para que não surja um Júlio César Leal da vida, senão já podem encomendar a faixa “Volta Caio Jr”...

Foto: globoesporte.globo.com

domingo, 7 de dezembro de 2008

Final previsível de um campeonato imprevisível


Este último Campeonato Brasileiro pode ter sido o mais disputado e imprevisível dos últimos anos, mas a última rodada não destinou tantas surpresas. Como esperado, o São Paulo foi campeão, Cruzeiro e Palmeiras asseguraram as duas vagas restantes para a Libertadores e o Vasco realmente foi rebaixado.

O fato desta edição do Brasileirão ter sido a mais disputada dos últimos anos não impediu que o campeão fosse o mesmo do dos últimos dois anos. Com o seu futebol eficiente, o São Paulo tomou a liderança da competição já em novembro para não mais largá-la; assustou seus torcedores empatando com o Fluminense em pleno Morumbi na penúltima rodada, mas não deu sopa ao azar e, embora o gol tenha sido irregular, derrotou tranqüilamente o Goiás por 1 a 0, assegurando assim seu hexacampeonato. Um prêmio merecido para uma equipe que nunca desistiu do título mesmo quando poucos acreditavam que isso pudesse acontecer e que não perde há incríveis 18 jogos. Quando faltou regularidade aos adversários, o time de Muricy Ramalho mostrou uma impressionante, de dar inveja a qualquer um; esperar um tropeço do tricolor paulista era quase impossível na reta final do torneio, e isso foi essencial para que o time conquistasse o torneio. Restou ao Grêmio ficar com o vice-campeonato, que não pode ser desprezado: poucos imaginavam que o por vezes menosprezado time de Celso Roth chegaria em tal posição após ficar de fora da final do Campeonato Gaúcho. Com um time inferior e mais barato no papel, ficou com sobras na frente de Palmeiras e Flamengo, por exemplo, tendo um desempenho mais satisfatório do que ambos durante a competição.

Falando em Palmeiras e Flamengo...bem que o time de Luxemburgo tentou ajudar a equipe de Caio Jr, querendo coroar a última rodada com um resultado imprevisível. O alviverde paulista conseguiu a proeza de perder para um Botafogo que não vencia há 6 jogos (pior, colecionando resultados pífios contra times que lutavam para não cair) em pleno Palestra Itália. Só não houve repeteco do ano passado, quando o time não se classificou para a Libertadores após perder para o Atlético-MG dentro de casa na última rodada, porque o rubro-negro carioca não aproveitou a chance (mais uma dentre milhares), já que perdeu por 5 a 3 para o Atlético-PR (com atuação sofrível do sistema defensivo e de ambos os laterais). Um fim de campeonato melancólico para os times que mais investiram para essa temporada. Pior para o time de Caio Jr., que vai encarar uma forte revolta da torcida nos próximos dias, já que o Flamengo teve todas as chances para se classificar para a maior competição das Américas e sempre jogou a vaga pela janela. Já o Cruzeiro, após tomar um susto ao sair para o intervalo perdendo em casa para a rebaixada Portuguesa por 1 a 0, acabou goleando o adversário: 4 a 1 em cima da Lusa, e vaga assegurada para a Libertadores depois do 3º lugar no Brasileirão. É importante lembrar que o Palmeiras, por ter terminado na 4ª posição, terá de disputar a Pré-Libertadores.

E mais uma vez o Brasileirão foi cruel com um time grande. Depois da era dos pontos corridos rebaixar times grandes como Grêmio e Corinthians, o Vasco foi o novo premiado, caindo para a Segundona; algo que já era esperado, é verdade, mas que ainda era meio difícil de se acreditar. O time perdeu em casa para o Vitória por 2 a 0, mas mesmo se tivesse ganho desceria, pois todos os outros resultados foram contra o Gigante da Colina. Era um castigo que Dinamite não merecia, e o novo presidente vascaíno terá ainda mais trabalho para reerguer o clube; do mesmo jeito que a torcida fez nos últimos jogos, terá de apoiar e muito a equipe no ano que vem, porque a caminhada rumo a Série A será dura. E que não caiam no erro de começarem a louvar a era Eurico Miranda, pois o antigo presidente do clube é um dos maiores responsáveis por essa catástrofe na história do Vasco.

Tristeza tão grande quanto a do Vasco teve a torcida do Figueirense, que viu seu time derrotar o Internacional por 3 a 1 mas mesmo assim ser rebaixado. O rebaixamento do time de Santa Catarina também não foi uma grande surpresa, já que fez uma reta final de campeonato ruim (na era Mário Sérgio, apenas 1 vitória em 10 jogos, vitória essa curiosamente em cima do Vasco), mas ficou um gosto amargo pelo fato do time ter vencido os últimos 3 jogos, sob o comando de Pintado (técnico com 100% de aproveitamento mas ainda assim rebaixado; algo no mínimo curioso). O time dependia, assim como o Vasco, de derrotas do Náutico e do Atlético-PR, mas o primeiro empatou sem gols com o Santos na Vila Belmiro e o segundo, como já citado, derrotou o Fla por 5 a 3. Dessa maneira, ambos se juntam a Portuguesa e a Ipatinga no G-4 maldito.

E assim terminou o melhor Campeonato Brasileiro da era dos pontos corridos. Deixará saudades pela emoção presente a cada rodada que passava e pelos resultados imprevisíveis que deixavam todos boquiabertos. É verdade que o nível técnico da competição não foi dos melhores, mas isso não apaga o bom torneio que assistimos desde maio. Que venham mais campeonatos como esse!

Foto: esporte.ig.com.br

sábado, 6 de dezembro de 2008

Tentando evitar uma tragédia

Domingo, enquanto São Paulo e Grêmio, já garantidos na Libertadores do ano que vem, estiverem disputando o título do Campeonato Brasileiro, Palmeiras, Cruzeiro e Flamengo tentarão salvar o ano conquistando uma das duas vagas para a principal competição das Américas.

Os times não pensam em outra coisa senão conseguir a classificação para o torneio. Vanderlei Luxemburgo, ao falar do jogo do Palmeiras contra o Botafogo, definiu muito bem não só o clima que envolve o jogo do seu time como também o dos seus concorrentes: “é o jogo do ano neste domingo”. Guilherme, atacante do Cruzeiro, foi mais além: segundo ele, seria uma tragédia ficar sem a vaga para a Libertadores.

Talvez o artilheiro do Cruzeiro não esteja exagerando. Os três times deram esperanças de ganhar o título do Campeonato Brasileiro ao conquistarem seus respectivos estaduais, disputaram a primeira posição do Brasileirão durante a maior parte do campeonato e possuem torcedores insatisfeitos com seus técnicos, questionando suas opções a todo o instante. Para quem sonhou em ser campeão, não se classificar nem para a Libertadores é um pesadelo, ainda mais para Palmeiras e Flamengo, que montaram elencos bem caros já planejando a conquista da maior competição nacional.

Falando do lado financeiro, a classificação para a Libertadores não dá apenas o direito a um time de participar de uma competição importante, como também dá maior visibilidade ao clube e traz certo retorno financeiro. O Flamengo, por exemplo, após investir bastante no elenco deste ano, já contava com a classificação para a competição do ano que vem; tanto que o planejamento do clube para 2009 há muito tempo conta com a arrecadação de dinheiro proveniente do torneio continental.

E para desespero de Kléber Leite e cia., é bom o Flamengo já ir arranjando um plano B para o ano que vem. Isso porque a equipe carioca é quem tem a missão mais difícil no domingo. Além de ter de derrotar um preocupado Atlético-PR ainda com chances de ser rebaixado na Arena da Baixada, lugar em que o Fla não vence há um bom tempo, precisa torcer por derrotas ou do Cruzeiro para a já rebaixada Portuguesa ou do Palmeiras para o já em clima de férias Botafogo. Como agravante, os times de Adilson e Luxa irão jogar diante de suas torcidas, o que facilita ainda mais a tarefa dessas equipes.

Se o Fla realmente não conquistar a vaga para a Libertadores, a diretoria que se prepare: a torcida irá ficar bem furiosa e o time vai ter que se recuperar e muito bem no ano que vem; uma novo título estadual não irá amenizar as coisas. E a mesma coisa vale para os outros dois times. O mundo irá literalmente desabar em cima do 5º colocado do Brasileirão, e conquistar a Copa do Brasil no ano seguinte virará praticamente uma obrigação.

quinta-feira, 4 de dezembro de 2008

O campeão de tudo

O resultado final foi como o esperado; mas depois do primeiro jogo, disputado fora de casa, a forma como tudo aconteceu não foi como a esperada. Em uma partida extremamente dramática, o Inter empatou com o Estudiantes por 1 a 1, após gol de Nilmar já no segundo tempo da prorrogação, e se tornou a primeira equipe brasileira a conquistar a Sul-Americana. Agora, o clube gaúcho possui no currículo o Mundial, a Libertadores, a Recopa e a Sul-Americana, sem contar os Brasileiros já conquistados. Não é mentira dizer que o Colorado tem uma das salas de troféus mais invejadas da América.

É necessário dizer que o Inter não atuou tão bem quanto se esperava. Se no primeiro tempo o time foi superior à equipe argentina, o contrário aconteceu na segunda etapa, quando o Estudiantes abriu o placar aos 20 minutos e poderia ter ampliado se tivesse aproveitado melhor o desespero e a desorganização da equipe gaúcha. Isso para não falar do azar de Tite, que colocou Gustavo Nery momentos antes do gol da equipe argentina: a substituição não trouxe benefício algum ao time, já que o (ex?) lateral-esquerdo não fez praticamente nada de útil em campo. Porém, o Inter voltou bem melhor para a prorrogação e não deu chances ao time de Veron e cia.: depois de muito tentar, conseguiu marcar através de Nilmar, aos 8 minutos do segundo tempo, num dos gols decisivos mais chorados dos últimos tempos.

Aliás, muito se fala em Alex nos últimos tempos, mas foi Nilmar o melhor jogador colorado nos dois jogos da final do torneio. No primeiro jogo, mostrou um fôlego invejável durante os 90 minutos mesmo jogando isolado no meio dos zagueiros após a expulsão de Guiñazu, e foi impondo impressionante correria que forçou um pênalti depois bem batido pelo camisa 10 do Inter. Ontem, mesmo estando bem marcado e ao lado de um Alex apagado (tanto que foi substituído por Taison numa tentativa de melhorar o time ainda na 2º etapa do tempo normal) e um D’Alessandro que foi caindo de produção durante a partida, foi muito perigoso e acabou sendo premiado com o gol que deu o título ao Internacional. É um atacante que merece ser convocado para a Seleção, já que é veloz e, mesmo sendo franzino, não tem medo de disputar bolas com os zagueiros nem de partir para cima dos mesmo.

O título veio na hora certa para o Internacional. O time prometia muito para esse ano, mas foi eliminado precocemente da Copa do Brasil e não rendeu tudo que poderia no Brasileirão. E é verdade, só por isso foi dar atenção à Copa Sul-Americana. Mas pelo menos mostrou que essa competição não pode ser desprezada e, se não é um título dos mais sonhados, pelo menos pode servir como um belo prêmio de consolação, já que não deixa de ser uma conquista continental, além de dar uma boa visibilidade ao campeão.

Foto: oglobo.globo.com

terça-feira, 2 de dezembro de 2008

Duplo destaque

Só por jogar contra o time que está prestes a ser campeão, o Goiás já tinha tudo para estar em destaque nos próximos dias. Mas isso parece não ter sido o suficiente: a diretoria do clube resolveu aumentar absurdamente o preço do ingresso para o jogo contra o São Paulo, que será disputado no Bezerrão, mesmo palco do jogo entre Brasil e Portugal dias atrás, alegando que os custos aumentarão por não poderem jogar no Serra Dourada. Primeiramente, foi resolvido que cada ingresso custaria 400 reais, mas quem fosse estudante ou levasse algum donativo pagaria metade do valor. Após muitas reclamações, foi acertado que haverá ingressos de 150, 200 e 250 reais; somente estudante terá direito à meia-entrada.

Incrível! Agora os clubes também estão loucos e cobram preços absurdos por jogos que não valem isso tudo. Que o presidente do Goiás não venha dizer que é a decisão do maior campeonato do mundo, porque o Campeonato Brasileiro, embora esta edição tenha sido muito disputada e emocionante, não é mesmo o melhor. Sem sombra de dúvidas há campeonatos europeus de muita qualidade, superiores aos disputados no Brasil. Isso para não falar que nem torcedor brasileiro tem esse dinheiro todo para gastar com jogos de futebol.

Nessas horas, o preço do jogo entre Fluminense e LDU no Maracanã em julho parece ter sido uma pechincha. Embora muitos tenham reclamado que o preço do ingresso subiu para 80 reais, ainda assim é bem mais barato do que qualquer um dos cobrados para o jogo do próximo domingo no Bezerrão. E era um jogo muito mais importante (assim como o campeonato), pois “somente” decidia quem seria o campeão da Libertadores, maior competição das Américas, e consequentemente definia o representante do continente no Mundial da Fifa. Uma partida dessas valia muito mais do que uma decisão do Brasileirão, certo, Pedro Goulart?

É, eu já temo pelo preço dos ingressos da Copa 2014...

Mas mesmo assim, o Goiás ainda pode ser o protagonista da rodada se não levarmos em conta o aumento do preço dos ingressos, já que o time pode fazer o que na semana passada parecia impossível e tirar o título do São Paulo e dá-lo ao Grêmio caso a equipe gaúcha vença o Atlético-MG dentro de casa. Curiosamente, o time de Hélio dos Anjos pode decidir pela 2º vez seguida o destino de uma equipe paulista na última rodada da competição: ano passado, o clube esmeraldino, após derrotar o Internacional no Serra Dourada por 2 a 1, permaneceu na Série A e rebaixou o Corinthians, que dependia de um resultado negativo da equipe de Paulo Baier e cia. para não cair. Se acabar com o sonho do tricolor paulista de se tornar hexacampeão brasileiro, pode se tornar o verdadeiro carrasco dos paulistas.

Porém, até agora só vem sendo carrasco dos pobres torcedores que querem ou queriam ir ao estádio...

segunda-feira, 1 de dezembro de 2008

Resultados imprevisíveis como o campeonato

O Grêmio foi ajudado pelo tropeço do São Paulo e ainda possui alguma chance de ser campeão

O Campeonato Brasileiro deste ano é mesmo o mais disputado e imprevisível da era dos pontos corridos. Quando todos já davam a conquista do São Paulo como certa já na 37º rodada, o São Paulo frustrou seus torcedores e, num Morumbi lotado, empatou com o Fluminense em 1 a 1, deixando a decisão do título para a última rodada.

A decepção foi grande. Talvez a ansiedade de conquistar o título diante da torcida tenha mesmo atrapalhado, como afirmou Hernanes, mas é bom lembrar que o Fluminense jogou muito bem; quem, como eu, achava que o time entraria em campo mais relaxado por já possuir poucas chances de ser rebaixado se enganou, já que a equipe carioca incomodou bastante o time da casa. Porém, o resultado não chegou a ser catastrófico para o tricolor paulista, já que ainda precisa somente de um simples empate fora de casa contra o Goiás. Por mais que o time de Muricy Ramalho possa ser contestado nos próximos dias pelo resultado inesperado diante de uma equipe que aparentemente não era tão forte, é um time eficiente e que provou na reta final de campeonato estar sempre concentrado em campo. O time não vai deixar esse título escapar com tanta facilidade.

Há quem ache que o Goiás botará ainda mais água no chope do São Paulo na semana que vem. Tudo bem, o time é perigoso, vem fazendo excelente campanha no segundo turno e tem o 4º melhor desempenho entre os 20 participantes do campeonato. Mas se quiserem tomar o jogo contra o Flamengo como exemplo de que o Goiás é uma equipe perigosa, que adaptem a partida como um exemplo perfeito de como não entregar um jogo já praticamente ganho. Porque o que o Flamengo fez ontem foi digno de um daqueles vexames imprevisíveis e imperdoáveis. O rubro-negro carioca, que fazia boa partida e vencia por tranqüilos 3 a 0 ainda no 1º tempo, resolveu ressuscitar o adversário, deixando-o marcar 2 vezes antes do intervalo. No 2º tempo, o bom time de Hélio dos Anjos conseguiu empatar a partida e ainda teve chances de virar, do mesmo jeito que o Fla quase desempatou já nos acréscimos. No final das contas, serviu muito bem para mostrar o que a equipe de Caio Jr. vem fazendo no campeonato: decepcionando a torcida nos momentos decisivos. Agora, terá de vencer o Atlético-PR fora de casa na última rodada e torcer para Cruzeiro ou Palmeiras perderem ou empatarem, o que não será muito fácil.

Mas os jogos imprevisíveis envolvendo os times de cima não pararam por aí. O Cruzeiro, provando que não rende tão bem fora de casa, perdeu para o Internacional no Beira-Rio. Até aí tudo bem, não fosse o fato do Colorado jogar praticamente com o time reserva. A equipe mineira não conseguiu tirar proveito disso como o Fluminense na rodada passada e perdeu excelente chance de garantir sua vaga na Libertadores; caso vencesse, não poderia ser mais alcançado pelo Flamengo, pois possui maior número de vitórias. Porém, também não possui motivo para se desesperar: enfrentará a Portuguesa na semana que vem em pleno Mineirão. Como o time de Adilson é forte em casa e a Lusa, já rebaixada, é fraca fora, a Raposa deverá assegurar sua vaga na competição sem maiores problemas.

Porém, a rodada foi nada surpreendente para Palmeiras e Grêmio. O primeiro empatou com o Vitória em Salvador sem gols e precisa de uma vitória em cima do Botafogo no Palestra Itália para voltar a Libertadores; uma tarefa tão fácil quanto a do Cruzeiro, já que a fase do time de Ney Franco é horrorosa por diferentes motivos e sua equipe não vence há 6 jogos. Já o Grêmio fez sua parte e derrotou o fraco Ipatinga fora de casa por 4 a 1. Com o tropeço do rival São Paulo, o tricolor gaúcho faz jus ao apelido e se mantém imortal na luta pelo título do campeonato. A não ser que o time queira ter seu momento de Flamengo, vencer o Atlético-MG é mais fácil do que o Goiás derrotar o São Paulo. Porém, de um time que já subiu para a Série A da maneira mais dramática e inesperada possível eu espero tudo, principalmente um título conquistado do jeito mais surpreendente possível...

Foto: globoesporte.com